“o governo e diversas multinacionais pagam os alienígenas cabeçudos para bombardearem em nossas mentes propagandas e publicidades subliminares””
Thursday, February 28, 2008
onde e como
Friday, February 22, 2008
usb
Brian, o gênio
“Eu não sou gay”, ele diz.
Wednesday, February 20, 2008
quarta-feira
Tuesday, February 19, 2008
cabum
Então tudo explode. Ele saiu bem na hora, entrou em um carro vermelho escuro e acelerou. O vendedor de cachorros-quentes falou “mama mia”, deixando uma salsicha que estava presa num garfo cair no chão. A salsicha rola para perto do prédio da empresa e começa a pegar fogo junto. Josefina está morta; seu filho a espera na porta da escola.
Thursday, February 07, 2008
mongo
Saturday, December 01, 2007
assim
Estava naquela mania feia de equilibrista de cadeira de escritório, pra lá e pra cá. Pisquei e já estava no chão, com traumatismo craniano, morto.
Todos no escritório estavam tão concentrados que meu ultimo dia de vida foi bastante despercebido. E só quando a redatora, ao reclamar do cheiro pediu para aumentar o ar-condicionado, mexeu a cabeça de relance – o suficiente para perceber que não estava de frente ao computador, e sim deitado no chão, com a cadeira e sangue. Ela começou quase que rindo e dizendo “eu falei que ficar balançando na cadeira daria nisso!”, mas quando notou o sangue já ressecado atraindo mosquitos soltou um grito de pavor. Meus outros colegas de trabalho se viraram, gritaram também. O faxineiro entrou correndo na sala, me viu, e também gritou.
Acho que todos da empresa gritaram neste dia. Depois chamaram uma ambulância, apesar de já ser tarde demais. Depois dos gritos tudo até procedeu rapidamente e meu velório no outro dia fora tranqüilo. Apesar de ter pedido para ser cremado fui enterrado no tumulo da familia, junto do da minha irmã mais nova falecida. Enquanto era enterrado sentia-me frustrado, sou gordo, abuso do açúcar e poderia ter morrido por algo assim pelo menos. Pelos meus vícios, diria. Se bem que balançar na cadeira poderia ser julgado como um vício, acho. O dia estava chuvoso. Parece que são sempre assim
Um tanto sufocante também.
Thursday, October 18, 2007
valeu a pena
“Quer desenhá-los?”
“Meu Deus do céu. Sim”, não pensei nem duas vezes. Ela se agachou um pouco mais, para que eu pudesse vê-los. Rabisquei freneticamente, tentando conter meus gemidos, me sentia me masturbando. Riscava com tanta força que rasgava o pape e arranhava a mesa, a testa suava, e ela lá, ofegando leve, esperando o produto final. Gozei com o ultimo rabisco, ela puxou rápido o desenho e o enfio entre as pernas, fundo. “Depois você pega de volta”, sussurrou em meus ouvidos e saiu para limpar as outras mesas.
Chequei para ver se tava muito aparente na calça. Não. Corri a passos curtos e ligeiros até o banheiro. Tirei as calças, puxei quase todo papel higiênico, pus a limpar meu pau. O cheiro de porra alastrou-se pelo banheiro e impregnou-se em mim. Sentei na privada, ciente que não tinha mais jeito, olhei o relógio, quinze minutos para voltar ao trabalho. Toc toc. “Ocupado”, respondi.
“Sou eu.”
“Puta merda”, destranquei o banheiro, ela entrou. Fungou o cheiro, sorriu. Sentou em meu colo, começamos a foder. Não sei bem, sentia uma dor estranha na ponta de meu pau, tudo bem, tava bom demais, com ou sem dor. Dava até mais prazer. Trepamos os quinze minutos que faltavam para o trabalho. Ela me beijou, piscou, saio do banheiro. Quando me toquei meu pau sangrava, todo cortado. Lembrei do papel que ela enfiou entre as pernas. O pau sangrava muito, sujando a calça, cueca, tudo. “Valeu a pena”, pensei comigo.
Tuesday, September 18, 2007
por acaso
Os dois se conheceram numa palestra sobre cinema. Notaram-se durante indagações sobre o expressionismo alemão. Ela achou o comentário dele extremamente ultrapassado, mas com um charme que só as pessoas ultrapassadas costumam ter. Ele a estereotipou pela roupa na primeira vista. Mas provavelmente foi a primeira vista de estereotipassão mais longa já feita na vida dele. Quando a palestra terminou, os grupinhos e panelinhas se formaram no corredor da saída, todos expondo aquele amplo conhecimento sobre cinema que todos que querem aparecer nesse ramo demonstram possuir. Ela de provocação criticou a opinião dele. Ele, claro, se sentiu provocado. E apontou suas hipóteses.
Ela não queria saber de hipóteses. Ela é do tipo que acha e pronto, e se não gostou azar. Menina geniosa. Os dois acabaram sozinhos naquele debate sem propósito. Simpatizaram-se, trocaram telefones e e-mails – foram para suas casas.
Daí se passou meses, e cada um viveu sua vidinha. Nunca mais pensaram um no outro, senão por acaso, vez por outra, por segundos, e milésimos de segundos. Mas então, aconteceu que na carteira dele, socada lá no fundo, um papelzinho com um e-mail chamou atenção, e ele sem saber quem ou de onde simplesmente cadastrou em seu chat para desvendar o mistério.
Por sorte, quem sabe, ela estava na internet, pesquisando sei lá o quê, viu o estranho aparecendo em seu chat. Ela fez : “quem é você?”.
”Sou eu, e você?”
“Eu”.
E assim deletaram logo em seguida os contatos um do outro.
Tuesday, September 04, 2007
profecia
Ele fica em um quartinho, daqueles bem clichês escuros dos escritores isolados e sem dinheiro, com provavelmente cheiro de cigarro, bebida e testosterona sedentária fortes. Fazia muito tempo que ele não dormia, e ele nem lembra quando foi que entrou no quarto para escrever – jurou sair só quando terminasse seu romance. Na metade da primeira página a trama se desvinculou das primeiras idéias descritivas e transformou-se numa ficção de surreal desdobramento. A lâmpada da luminária desenroscou-se lentamente continuando acesa – e brilhando cada vez mais. A lâmpada criou vida, e inclusive falou “Sou um anjo enviado por deus do mundo das idéias”. O escritor antes de qualquer coisa pensou a respeito da cafonice que seria um anjo em forma de lâmpada representando o mundo das idéias em seu livro. Depois ele se assustou, ajoelhou e gritou por piedade. A lâmpada flutuando por mais que brilhasse não iluminava o quartinho, fazendo parecer um enorme espaço negro sem fim. Ajoelhado o escritor puxava com a mão direita a bermuda que deixava escapar o cofrinho e com a esquerda fazia sinal da cruz. “Palerma, é com a direita que se faz sinal da cruz”, exclamou a lâmpada angelical. O escritor chorava de medo e desespero se perguntando se já estava morto ou iria começar em algum momento. “Não sou anjo deste Deus, palerma. Sou do mundo das idéias, idealizada por Sócrates”!
“Platão”.
“Que seja!”.
Bem na hora da quebra de parágrafo, pensou o escritor. Pouco antes da metade da primeira página de seu livro perdeu o fio da ninhada. Poderia ter vindo uma musa sensual, e não uma lâmpada fluorescente. O escritor segurou sua incontinência urinaria, encheu seu coração de coragem e perguntou “o que você quer?”. A lâmpada então sorriu. O escritor viu pela primeira vez uma lâmpada sorrindo – e ninguém mais sabe como é além dele. Sorriu e falou “Estamos com discos voadores poparts espalhados por esse planeta, e finalmente dominaremos o mundo como temia seu velho filosofo”.
Aquilo era mais do que filosofia, era ficção cientifica descabida misturada com religiosidade e noções básicas de filosofia e arte extremamente mal estudadas.
Tuesday, July 03, 2007
reunião
- Você fuma? – ela perguntou.
- Não, nem bebo. Mas pode ficar a vontade. Não me incomoda a fumaça.
Embaralhei as cartas de varias formas possíveis para passar o tempo. O gosto de fumaça entrou pelo nariz e secou a garganta. Faltava a chegada de Bob.
- Você é o que dele mesmo? – perguntei.
- Ex. A que sobreviveu aquele maníaco.
Exagerada. Todas elas. Bob é um filho da puta, e as mulheres adoram os filhos da puta. Lembro-me quando Bob comeu a gatinha da sala em plena quarta serie. E depois a professora. Era horrorosa, foi uma aposta. Já fazia duas horas desde o horário marcado. Fazia anos que ele não ligava pra mim.
- Aló?
- É o Bob.
- Há.
- É.
- Hum.
- Escuta, preciso falar com você.
- To sem grana.
- Não é isso. É muito importante para mim. Naquela lanchonete que dizem assar ratos. Como quando éramos garotos.
- Hoje em dia é uma Mcdonalds.
- Isso. Na Mcdonalds ás três da tarde. Conto com você. Clic.
- Você tem fogo?
- Hum?
- É que acabaram meus fósforos.
Ela até que era bonita de rosto também. Bob é um canalha filho da puta miserável.
- Já falei que não fumo.
Ela olhou feio pra mim, deu fim a sua bebida num gole só. Depois soltou um arroto.
- Desculpe.
- Tudo bem.
Depois de mais uns quinze minutos ele chegou. Estava acabado, com óculos escuros remendados. Circulou pela lanchonete como que fingindo que não nos avistara, depois com o cinismo que lhe é sempre atribuído abriu os braços sorrindo exageradamente.
- Docinho!
- Seu merda.
- Meu chapa!
- Já falei que to sem grana.
Daí ele puxou uma cadeira, sentou que nem um texano metido e contou uma história extraordinária sobre andar pelo deserto por semanas, visões espirituais, alienígenas viciados, entre outras coisas absurdas. Deus sabe como aquilo tudo era ridículo, mas é raro ver sinceridade nos olhos de Bob como naquela hora.
- Tudo bem Bob, toma dez pratas.
- Obrigado cara!
- Meu docinho, quer dormir no meu apartamento hoje?
- Já disse que te amo meu amor?
O casal de pombinhos foi na frente. Fiquei mais um pouco na lanchonete, pedi um hambúrguer. E adivinhem só: quando abri o sanduíche para por ketchup tinha um rato tostado lá dentro.
Tuesday, May 29, 2007
Drinking Dog
Um dia cheguei em casa, e a cachorra estava deitada de barriga para cima, com os olhos muito vermelhos de tanto chorar. O telefone estava fora do gancho. Peguei-o para escutar quem estava do outro lado. Estava em algum tipo atendimento de apoio para alcoólatras. Ela queria ir para o AA, e queria fazer um documentário sobre isso. Seria um sucesso o documentário sobre a cachorra cineasta alcoólatra tentando abandonar a bebida. Uma inspiração para todos os outros caninos viciados.
Wednesday, April 25, 2007
minotauro
Até o teto, parecem pilares que o sustentam. O quarto é pequeno, mas os pilares criam caminhos mofados e escuros que fazem com que me perca facilmente. Tudo é tão colorido, com capas vermelhas, verdes, azuis, desenhadas, de couro, papel. Com marca textos enfiados, de pontas tão afiadas que meu corpo está cheio de cortes. Os cortes pingam sangue, e já faz tantos litros pingados desde que comecei a empilhar que o chão é todo vermelho. O cheiro é acre, misturando sangue coagulado, poeira, livro novo, suor, fezes e urina. Perdido entre os corredores de livros não é possível achar um banheiro. Ele ainda nem começou a ler direito o primeiro. Mas seu vicio o trancafiou assim. Num cenário tão assustador quanto um pesadelo cinematograficamente cafona. “É tudo culpa da vida acadêmica”, ele comenta para os visitantes perdidos em algum lugar nesses corredores e pilastras. Ele é como o Minotauro: preso e guardião.
Tuesday, April 24, 2007
amor
- Por que não usa a cachorra que te dei?
Ela era uma menina normal, ele nunca imaginou uma coisa como essas.
- Que coisa nojenta! Isso é doentio, amor!
- Se você por uma camisinha e fechar os olhos, aposto que nunca iria notar a diferença.
O assunto era sexo oral e as maneiras que ela inventava para ele sempre pensar nela. Era uma menina adorável, mas com algumas idéias bastante estranhas. Foi trágico o dia que ela morreu, atropelada por um carro de som. Ele ficou tão deprimido, triste, desesperado. Era seu grande amor. Sua fonte de sexo fixo. Louco de tanta tristeza, não foi surpresa o que ele pensou quando sua cachorrinha veio consola-lo. Tateou uma camisinha na carteira e o fez.
Friday, January 26, 2007
Musical
Friday, January 19, 2007
trec, trac,
Saturday, December 30, 2006
macacos
Você vai dizer que estou mentindo. É a pura verdade. Não tenho testemunha alguma além de meus dois precários globos oculares. Certa vez matei aula um mês inteiro. Não chegava nem a entrar no colégio; uma amiga já me esperava sentada lá embaixo. Perguntava se tava afim de tomar sorvete.
E íamos tomar sorvete.
Um mês tomando sorvete toda manhã. E depois, o ano ia acabando.
Essa amiga nunca mais vi; tirando uma vez na rua, quando não fui reconhecido. E teve outra vez, que fui reconhecido, num ônibus. Perguntou como se falava determinada coisa em japonês. Eu respondi. O ônibus parou e ela se foi. Quando ela precisava de mim fui reconhecido. Nesse dia entendi como são as pessoas. Não condenei. Nesse dia também tinha ido ao cinema, era sexta-feira e gostava de ir ao cinema nas sextas-feiras. Não tinha ninguém na sala além de mim – e foi o dia que entendi que estava só. Nunca falei pra ninguém a respeito dos macacos.E logo naquela hora o que eu mais queria era falar sobre os malditos macacos.
Saturday, December 16, 2006
insônia
Saturday, December 09, 2006
podre por dentro
Cada vez mais o rosto dele fritava.
Suor inalava um fedor incomum, como se estivesse completamente podre por baixo da pele. Já passavam das seis horas, e para demorar um pouco mais pegou o ônibus que mais rodaria a cidade. Naquele dia não havia porteiro, e esquecera a chave de propósito. Ficou encostado, esperando até que alguém chegasse para abrir a porta. Passou uma pessoa, perguntou se ele ia entrar; respondeu que não. Decidiu que esperaria sua mãe.
A mãe perguntou se ele estava bem, lhe entregou algumas sacolas e subiram o elevador. Ele ficou calado; esperando a mãe reclamar que ele deveria tomar um banho. Ela reclamou e ele foi tomar um banho. Seu rosto ardia com a água caindo. Ardeu muito mais suas lágrimas salgadas: caiam discretas enquanto tentava dormir.
No outro dia acordou e viu seu rosto todo marcado e ardido onde desceram as lagrimas. Como uma maquiagem borrada na pele, revelando o que estava podre por trás. Aquela ardência o lembrou de sua tristeza por alguns dias.
Quando o rosto estivesse normal poderia fingir que estava tudo bem.
Wednesday, December 06, 2006
exsudato e polimorfonucleares
Sangue misturado com pus pregavam os pentelhos entre si, manchavam a calça com um raro vermelho amarelado esverdeado.
Parecia que nunca ia acabar.
E não acabou. Renato desistiu, foi ao banheiro, lavou bem o cacete na torneira. A pia ficou cheia de sangue e pentelhos. Mamãe sempre falava que se deve limpar a pia depois de usá-la. Renato sempre foi teimoso, e deixou a nojeira do jeito que tava.
No dicionário pus é exatamente uma mistura de exsudato inflamatório, leucócitos polimorfonucleares vivos e mortos, e bactérias vivas e mortas. Renato fechou o dicionário enojado da própria raça. Com medo de voltar ao dicionário e descobrir que porra é exsudato e polimorfonucleares. A virilha doía com o furúnculo semi-espremido, impedido qualquer ato de cunho sexual confortável.
- Alô?
- Deixa pra próxima semana, Márcia.
- Ainda é aquele furúnculo?
- Cada vez fica maior, dói e sai pus. Já to achando que é esperma acumulado por falta de sexo mesmo.
- Não duvido. Já faz quase um mês, vai num medico. Vai que é algo grave. Você pode perder seu pau, sabia?
O medico ficou olhando por pelo menos uns dez minutos. Depois começou a apalpar.
- Dói aqui?
- Você não faz idéia...
- E aqui?
Renato só conseguia responder com uma careta, pretendo os dentes, fechando os olhos, criando inúmeras rugas na testa. O medico parou de apalpar, e começou a escrever uma receita em sua prancheta.
- É algum tipo de infecção. Mas tratável. Não se preocupe.
Um peso enorme caiu da consciência de Renato.
- Compre esse antiinflamatório, evite por a mão, limpe bem com sabonete neutro e em uma semana tudo voltará ao normal.
O alivio era tamanho que no caminho de volta caíram lágrimas. Nunca chorou por ninguém. O pau seria uma aceitável exceção. Poderia ver o significado de exsudato e polimorfonucleares sem medo.
Sunday, October 22, 2006
Nirvana
Friday, October 20, 2006
velho senhor
Logo em seguida,levantou de sua cadeira de balanço e foi até o armario tirar suas vestes. Velho senhor sempre pensava pelado, alegando que as roupas atrapalham o pensamento. Saiu pela única porta de seu quarto de encontro para o corredor - este cheio de portas. De todos eles, ao mesmo tempo, saem outros Velhos senhores. Um enfermeiro afeminado nos cortava, com copinhos de plásticos e comprimidos periódicos. O enfermeiro era apaixonado pelo Velho senhor, que já foi um grande escritor - daqueles que deixam afeminados excitadissimos.
Na sala de jantar, todos os Velhos senhores se sentam entre os simpatizantes. As panelinhas enrugadas discutem principalmente sobre o velhos tempos. Geralmente, de novo, só as jovens enfermeiras que são muito bem comentadas quando viram as costas. Vinte minutos é o tempo de jantar dos velhos senhores, depois todos voltam para o corredor, tomam mais comprimidos, e , cada um volta a ser só mais um velho senhor. Um, em especial, gosta de ficar pelado - e a meia noite tem visita especial do enfermeiro afeminado.
Sunday, October 01, 2006
Si(/e)m ponto [final]
- A m o v o c ê v i u !
Bem... Foram dez letrinhas, né.
Dez letrinhas. Ela não esperava nenhuma.Não sabia o que esperar. Mas sabia que a recíproca era verdadeira.
Sabia que seu coração estava sorrindo naquele dia, naquele momento. Não sabia o que fazer - limitou-se a beijar-lhe as mãos...
E ele a beija-la as mãos. Se começa pelas mãos...
[continua pelos beijos]
Friday, September 29, 2006
O Sangue de JFK
Ploc ploc ploc ploc ploc tsc tsc ploc ploc ploc
Exatamente entre os dois tsc, após um e antes do inicio de outro, corri de um galpão para o outro, imperceptível, que nem o Batman faria.
- Lembre que isso não é hq, é prosa.
- Hein?
- Você tá narrando achando que o leitor tá vendo tudo. Já destravou sua arma?
- Fique peixe.
Eu e o pequeno esperamos muito por isso. Os malditos espiões soviéticos estavam traficando corpos alienígenas de jurisdição norte-americana. Estamos em 2007 e uma boa maioria acha que os comunistas deixaram de existir. Deixaram um caralho – tão é traficando ETs.
- Lembre de descrever os soviéticos...
- Positivo.
Os comunas eram quatro, como de costume sempre andam em grupo com aqueles casacos de pele avermelhados – provavelmente banhados com o sangue de nosso amado e falecido JFK. E todo mundo por ai com medo de terroristas árabes.
Plocplocplocploc...
- Putaqueparil!
- Formos descobertos! Tão fugindo!
- Parados!
- Strogonof! – gritou um
- Filho da puta! Respeite minha mãe!
E dei uns três tiros no bigodudo mais gorducho, logo: mais lento; logo: o ultimo a entrar no disco voador; Logo: eles fugiram, mas temos um corpo para dissecar.
Wednesday, September 13, 2006
chaleira
inverno nuclear
Monday, September 11, 2006
Conspiração do Divã
Friday, September 08, 2006
Vaga-lumes e Girassóis
O jovem franzino de pele amarela, com cabelos ruivos e olhos verdes, com seu corpo nu e coberto de pinturas rituais é deixado a sós com o líder espiritual que lhe diz “Você vai enfrentar três desafios, meu jovem. Entregarás teu coração para alguém, e sera como nascer de novo. Mas depois essa pessoa ira quebrar seu coração, e sera como morrer de novo, o segundo desafio”. “Qual o terceiro desafio?”, pergunta Iuooi tremulo. “Sobreviver para que outra pessoa possa quebrar seu coração novamente.”. O garoto engoliu seco, seus testículos suavam e oscilavam demonstrando o quão tenso e assustado ele estava.
“Não fique com medo, rapaz. Todos passam por isso e boa parte sobrevive.”. “E o que acontece com quem não sobrevive?”, pergunta, por fim, Iuooi. “Torna-se um líder espiritual”, suspira o velho.
Thursday, August 17, 2006
futurO
Sinto o cheiro das palavras se aproximando de meus olhos. A verborragia digital explode em segundos e por um momento fico atordoado sem saber exatamente sobre o que é tudo isso. Logo tudo recupera seus valores morais e sociais.
- Bem vindo ao futuro - Minha secretaria comenta.
Logo descobri que passei por uma viagem no tempo devido há um fenômeno meteorológico gramatical, quando os planetas se alinham com o grau certo no momento certo com a tinta certa escrevendo as letras na ortografia e caligrafia definidas.
E como é incrível o futuro este que fui. Nunca pensei que teria uma secretara.
Tudo é muito rápido, menos o pensamento que se tornou a mais obsoleta das tecnologias. Então assim como não desgrudamos mais de celulares e computadores, os “pensadores” são a grande nova tecnologia. E diálogos como “O meu pensa a dez ponto giganeurônios por segundo, e o seu?” “Há, o meu é modelo antigo, não sei quando terei grana para pensar mais rápido”. Os pensadores recebem toda a informação fluida da rede. As pessoas conversam por telepatia, assistem filmes fechando seus olhos e escutam musicas apenas de lembrar o nome ou numeração da mesma no banco de dados. Os escritores não mais escrevem, apenas imaginam suas histórias e poesias na cabeça e recebem créditos neurôniais cada vez que as pessoas querem ver suas obras.
E eu descobri tudo isso apenas em milésimos de seguindo, pois meu pensador é de ultima geração. Isso é um pesadelo. Fico tonto, meu cérebro não está acostumado, cambaleio e acordo na frente de minha prancheta. Sinto uma caneta entre meus dedos, passo os dedos sobre o papel e quase choro ao sentir sua textura. É noite e fico com medo de dormi, pois todo amanhã é um passo a mais para aquele futuro medonho. Escreverei bastante, antes que palavras e pensamentos fiquem obsoletos.
(Samuel Gois Martins) 17/08/2006
Sunday, May 21, 2006
Uma carta de amor
Eu falei sobre você. E o oceano ficou com inveja.
E depois de escrever tanta ladainha pseudo-literária, resta apenas usar o clichê da quebra de regra gramatical dizendo eu te amo e não terminando isso com um ponto final, pois quero que seja infinito
(Samuel de Gois Martins) 21/05/06
Saturday, May 06, 2006
Xixi na cama
Cabrum.
É o fim do mundo. O mundo esta acabando. Já estou até imaginando os cavaleiros do apocalipse cavalgando pelos céus. Os mortos voltando à vida. A cama úmida. Fazia anos que não fazia xixi na cama. Trinta anos. Mais ou menos. Cabrum.
E chegaram os Greys.
Os Greys são humanóides magros e cabeçudos com pele cinza e profundos olhos negros. Eram cinco, ao redor de minha cama. Eu reconhecia a sombra deles por baixo do cobertor. Cabrum.
Não conseguia escutar eles falando. Claro que não. São telepáticos. Apenas via-os gesticulando entre si. Deviam pensar em algo como “As pernas ou o cérebro?”. E o pior é que chegaram a alguma conclusão. O terceiro da esquerda para o do meio entre os cinco pôs as mãos na cintura e assentiu com a cabeça. “O cérebro, claro”. Cabrum. Dessa vez a luz foi tão forte que todas as sombras sumiram. Os Greys sumiram. Todos os cinco. Talvez o cheiro de xixi os tenha espantado. Cabrum. Talvez.
(Samuel Góis Martins) 06/05/2005
Thursday, May 04, 2006
Paraíso
- Pode ser vale de estudante?
O cobrador olhou feio pra mim.
- Você já morreu porra. Da as duas pratas. Como acha que pago a gasolina dessa merda?
Engraçado, pois só tinha duas pratas na carteira.
- O que acontece quando não temos duas pratas?
- Só tem quem merece.
(Samuel Góis Martins) 04/05/2005
Tuesday, April 18, 2006
Os três, treis e 3
(Samuel Góis Martins) 18/04/06
Thursday, March 23, 2006
Verão, esperanças...
- Onde está Renato? – pergunta Fátima.
- Deixa o menino... – fala o pai com um sorriso escondido no hemisfério esquerdo dos lábios – A propósito, eu vi o senhor, seu Juliano, espionando a vizinha de novo.
Juliano fica vermelho.
- Que pouca vergonha...
Mas não falam mais nada. Eles comem em silencio satisfeitos. Entendem que é aquele clima seco de verão, com poucas esperanças e garotas desfilando com sua falta de amor próprio.
(Samuel de Gois Martins) 23/03/05
Saturday, March 18, 2006
Carta para a xamã
Eu soube daquelas histórias antigas que sua mãe contava
O ângulo de visão era suficiente para notá-la escrevendo em sua caderneta. E tinha o skizh skizh do grafite sobre o papel que sutilmente canta
E soube que toda a noite ela olhava cenicamente para a janela. Quando existia uma lua para se ver. Ela apontava com o dedo e falava
- São os anjos em uma espaçonave circular!
E você como a criança que era
- Mamãe! Os anjos! Como é lindo o brilho daquela espaçonave!
Skizh skizh skizh
“brilho daquelas espaçonave exclamação...”?
Proseguindo... E quando existiam apenas estrelas. Ela traçava herói se monstros a guerrear nas estrelas. Essas histórias que ela escutou de sua avó. Você lembra dos trovões?
Skizh...
- Mamãe! Os trovões!
- São os anjos e as estrelas festejando mais uma batalha ganha... Venha, vamos comemora também! Fazer brigadeiro!
E você pulava toda alegre atrás de sua mãe. Eu soube de tudo isso...
E então paro para olhar aquela grande vidraça de meu escritório. Esta quase de noite, e a espaçonave já inicia sua patrulha nos céus... Parei sim, para retomar o fôlego e segurar as lagrimas.
top top top... som do lápis nervoso sobre a escrivaninha. Ela deve esta imaginando se vai receber hora extra.
Excelentíssima senhora, seus filhos a invejam e guardam rancor. Eles não possuem está lembrança que você tanto deleitou. Não desperdice os dias, está noite teremos chuva. Por que não comemora com eles um pouco? Tire alguns dias de folga para contar todas as historias sobre a lua, o sol, as estrelas e nuvens. Seu aumento sera garantido, e não contesto nada de sua maravilhosa competência. Ponto.
Skizh.
Friday, February 03, 2006
Código a
- Alô?
- Preciso de ajuda. Rua dois. Numero três. Terceiro andar. Apartamento 1200.
clic
Olho o relógio.
14h
233 1200
- Alô?
- Rua dois. Numero três. Terceiro andar. Apartamento 1200.
- O que aconteceu?
- Precisam de ajuda.
- Rede elétrica?
- São duas da tarde, homem!
- Limpeza de pia...
clic.
tim tim ta tum
- Alô?
- Ele esta vindo?
- humhum...
- Isso é sim ou não?
- É um humhum.
- Ok. Muito obrigado.
- Disponha.
clic
Samuel Gois Martins 03/02/06
Wednesday, February 01, 2006
Bolas bem grandes
Como os seios da mamãe.
Como os testículos de papai. Eu lembro bem...
- Seu filho de uma...!
- Não ouse falar isso – ameaçou mamãe.
Então papai se calou e ajoelhou. Sentindo dor. E depois disso ficaram enormes. Papai andava como um pingüim. E também se vestia como um. Era o alto executivo de um banco de renome.
- Eu gostaria de duas bolas bem grandes.
- Mãos pra cima!
É ironia o seu filho se tornar um assaltante profissional de bancos.
- Eu tenho um refém e quero duas bolas bem grandes! – e bota profissional nisso. Papai ficaria orgulhoso.
(Samuel Gois Martins) 1/02/06
Thursday, January 12, 2006
Café
paracetamol
quatro unidades
falta um
a noite passada foi horrível não faço idéia do que fiz só sei que a ressaca ta grande
saio da banheira e vou até meu quarto
no meu quarto estão as mesmas roupas de sempre e sempre as mesmas roupas que visto
não tenho carro então sobra o ônibus
chego atrasado lá se vai o ônibus
duas horas esperando
preciso de café
vou para ao café mais próxima
café quero café
não temos café
não tem café em um café
não
eu quero café
gostaria de água com gás
não eu quero café
e sorvete
café
café faz mal sabia
isso é um café seu bosta
não venha com ignorância senhor sou um homem trabalhador honesto que merece respeito
café
não temos café
vai se foder
e saio da cafeteira sem café
sem café
paracetamol agora restam dois
consigo perder o ônibus de novo
merda
disco para o trabalho
tenho um celular
alô
caralho é você
sim sou eu
lembra de ontem
não
caralho
o que foi
foi foda
imagino
foi mesmo
foi
é
eu vou chegar atrasado
tudo bem se fosse eu não vinha aqui nem tão cedo
por quê
depois de ontem...
porra o que teve ontem
você não lembra
já disse que não lembro
foi foda
você já disse
você comeu a esposa do patrão na frente dele
hsg
Isso mesmo
a esposa
sim
do patrão
na frente dele
é
caralho
falei que foi foda
caralho preciso de café
volto para o café sem café
porra eu preciso de café
você de novo já falei que não temos café
porra por favor
saia do estabelecimento senhor
café
puxo um palito de dentes e aponto para o pescoço do balconista
café porra
você não pode me matar com isso
café
eu já ativei o alarme a policia esta vindo
eu quero café
parado parado
café
prendam esse maluco
saio correndo levo um tiro na perna tudo bem não gostava daquela perna
me arrasto até o ponto de ônibus
os policiais vêm atrás de mim
perdi o ônibus novamente
parado
parado
levanto minhas mãos
onde está a arma
solto o palito de dentes
puta que pariu
é um psicopata maldito
com um palito de dentes
que horrível
é desumano
desumano
eu quero café
sou preso em algemas e chutado para um camburão
eu só queria café
e lembrar se a esposa do patrão era gostosa
(Samuel Gois Martins) 12/01/2005
Sunday, January 08, 2006
E tudo começa outra vez
- É um pássaro?
- Um avião?
Um suicida. O vento batendo no meu rosto, a sensação de descobrir a textura das nuvens. O sol sempre nascendo quando vou um pouco mais para o leste...
Falido. A esposa me abandonou com um palhaço de circo. Meu filho se tornou um viciado. Quais motivos eu terei para continuar vivo? A vida é uma bosta. Sempre foi. Nunca tive amigos de verdade, sempre odiei tudo que fiz, meus pais me tratam como um lixo. Provavelmente eu realmente seja um lixo.
Fechou os olhos e pulou. O vento batendo no rosto.
- Vejam!
- É um pássaro?
- Um avião?
A sensação de descobrir a textura das nuvens.
Já estou morto? Abro meus olhos. Se isso é estar morto já o deveria ter feito há muito tempo. Estou centenas de metros do chão. Voando. Belisco meu braço. Concluo que aquilo tudo é bem real. Seria uma segunda chance? Há quanto tempo posso voar e não sabia? Será que toda vida eu tinha este dom e nem reparei?
- Sempre reclamando de tudo...
- Vejam!
- É um pássaro?
- Um avião?
- Não!
- Só não vai dizer que é o super-homem né!
O sol sempre nascendo quando vou um pouco mais para o leste... E tudo começa outra vez.
(Samuel Gois Martins) 08/01/06
*nota - Originalmente é roteiro inspirado na obra Superman – Identidade Secreta, de Kurt Busiek e Stuart Immonen. Como um quadrinho permite mais de um foco narrativo acabei escolhendo manter os três focos narrativos no texto, mesmo que fique estranho.
Friday, January 06, 2006
É mulher?
- Desculpe... Mas eu amo outro.
Não demonstrei nenhuma emoção.
- Você me traiu?
- Não! Eu juro que não! Por isso vim abrir meu coração para você. O respeito demais... É como um irm...
- Não diga essa palavra. Por favor.
E sai do bar.
Ai a tampa de esgoto voou pra longe. Mario africano anarquista. Mussolini. E eu doido pra matar um hoje. Tirei a arma e apontei para o idiota. Ele começa a chorar. Solta a lança no chão. Senta-se na quina da calçada e chora cada vez mais. Meu coração amolece.
- É mulher?
E ofereço um lenço para ele.
(Samuel Gois Martins) 06/01/06
Thursday, January 05, 2006
Guerra
Ondas. Os patos decolaram com o susto. Decolaram para longe. O comandante tinha uma plumagem esquisita, lembrando meu pai com herpes. As pipas estavam aos montes, por sorte não se enroscaram entre si. E nem enroscaram nos patos.
- Desculpe o atraso!
Juliana.
- Onde você estava?
- Estava terminando a cesta do piquenique.
- Tudo bem...
- Está preocupado com o seu pai?
- Guerra.
- E ele é o comandante...
Lembro do pato. Lembro do herpes.
- Você tem problemas com herpes, Juliana?
- Deus! Não! Eu sou virgem...
Olho bem nos olhos dela. Ela é virgem. Os olhos de uma virgem. O rio ondula. Os patos já estão bem longe. Jogo outra pedra. Mais ondas. Herpes.
- Esta duvidando de mim?!
- Não é isso. Hoje é um dia estranho.
- Como assim?
Jogo outra pedra.
Ondas.
- Sonhei com o meu pai.
- Você precisa se libertar do fantasma de seu pai...
- Mas ele pode não está morto.
- Estamos em guerra! Ele foi para morrer. Se ele voltar, ele vai estar de varias formas, menos vivo...
- Ele ainda vai ter herpes?
- Talvez coisa pior. Sabe-se lá o que solados solitários fazem nesses lugares...
As pipas se enroscam. Jogo outra pedra. Ondas.
- O comandante deve está indo para o sul...
(Samuel Gois Martins) 05/01/06
Monday, January 02, 2006
Óculos
Na hora do almoço, mamãe serve todos os pratos com todos os temperos possíveis que provocam alergia em papai. Ela tem feito isso nos últimos sete anos. Papai fica sentado olhado para todos com cara de perdedor. Fica olhando para o prato vazio em silencio. Parece que alem de não deixa-lo comer, obriga-o a fazer sexo com ela todas as noites. Papai esta ficando cada vez mais magro e doente. Sem meus óculos ele parece apenas uma coisa branca e marrom. Mas uma coisa branca e marrom digna de pena. Isso sim. Meu irmão não veio almoçar, saiu com os amigos. Mamãe esta sorridente hoje. Deu-me os parabéns pelas boas notas e mais uma vez perguntou se sou homossexual, alegando que não possui nenhum preconceito. Informei que era neo-nazista e que não admitiria perguntas como aquelas. Ela sempre ri, acha que estou brincando. Devia olhar mais o porão. Sim! O porão! É lá que deixei os óculos!
(Samuel Gois Martins)02/01/06
Monday, December 26, 2005
Torresmo feliz
(Samuel Gois Martins) 26/12/2005
Sunday, December 11, 2005
Tensão de elevador
A jovem não esperava à hora de ver sua amiguinha. Desde aquela festa não para de pensar nela. Antes se sentia incomodada, envergonhada. Mas foi tão bom. Algo que homem nenhum realizou. Ela quer mais. Falta tão pouco, tão pouco. Chega logo elevador. Chega!
A velha reconhece o bonitão da ultima vez. A forma como sempre tateia os bolsos é uma graça. Fica imaginando aquelas mãos nervosas fazendo coisas indecorosas. Do jeito que ela adora. Ela adoraria mostrar sua coleção sadomasoquista. Ele aprenderia a amar aqueles seios caídos e branquelos. Nem que sangrasse para isso.
O elevador para no quinto e a garota parece da um suspiro de alegria contagiante que vem do fundo da alma.
- Que menina mal educada. Nem da boa tarde ao sair do elevador -, rosna a velha.
Ele não responde. Ele tateia novamente o bolso. “Está aqui. Aqui!”.
A velha não fica ressentida com a falta de resposta. Ela gosta deles caladinhos. Caladinhos sentindo dor.
O elevador chega ao oitavo, a velha da uma piscadela para ele e sai empinando sua bunda cheia de estrias. Ele engole seco e limpa o suor da testa. As portas do elevador se fecham. Rapidamente ele aperta no botão onze. Não é apenas suor que sai, ele começa a chorar, primeiro lagrimas escapando e depois berros que até a garotinha adorável que entrou no quinto andar escutaria se não estivesse gemendo tanto junto de sua amiguinha.
A porta abre. Apenas um apartamento por andar. Ele bate três vezes na porta, toc toc toc. Ninguém responde por aproximadamente quarenta segundos. Ele bate na porta mais duas vezes, toc toc.
- Já vai!
Ele põe a mão no bolso. Está lá. Graças a Deus!
- É você Renatinho. Como está? Por que essa cara inchada? Parece pior do que quando saiu daqui na ultima vez.
Ele aperta forte o objeto dentro de seu bolso, certo que estava lá de verdade. Ele nunca imaginou que pudesse fazer isso. Ela é tão jovem. Ele se sente um monstro. Mas não ponde controlar. Não pode segurar. Sacou rapidamente e apontou para face da mulher.
- Ca-ca-ca-s-ca-cas-case-se comigo!
- Renatinho! Que anel lindo!
(Samuel Gois Martins) 11/12/05
Tuesday, November 29, 2005
Água sanitária
corre até o banheiro - tenta entender o que esta acontecendo - grita - chora
água sanitária
sangue
grito
choro
corre até o telefone – 3 – 3 – 4 – 6 – não – 33478801 – alô? – socorro – por favor – socorro
dor
olhos fechados
lagrimas ardendo
ferida ardendo
água sanitária
(Samuel Gois Martins) 29/11/2005
Thursday, November 10, 2005
Porta-Treco
Certa época, tive 5 anos, mas não tive nenhum amigo. No meu quarto o porta-treco guardava alguns brinquedos: o boneco sem capa do super-homem, peças perdidas de um quebra-cabeça, pinos e dados de um Banco Imobiliário inutilizado. O dinheiro de mentirinha eu escondia na cama, debaixo da colcha. Olhava para aquela fortuna e pensava “estou rico!”.
Aos 12 anos descobri a Playboy. Foi amor à primeira vista. Escondia minha única e preciosa no porta-treco. Engraçado, sempre o abria imaginando lembrar de alguma pista. Só não sei o quê.
No 16 o papel com suas imagens foi trocado por células. Garotas de verdade. Uma garota na verdade. Ela era linda. E fazia tudo que eu pedia. Do jeito que eu pedia. Guardava as camisinhas em um porta-treco velho que sempre esteve em meu quarto. De todas as cores e sabores possíveis. Nessa época tive muitos amigos. Um me apresentou o álcool. Outro o cigarro. Ela dizia que acido era bom, mas nunca tive saco pra tomar comprimidos.
Um dia, com 32 anos, recebi uma ligação incomum:
- Sua mãe faleceu.
Eu trabalhava vendendo carros. Tinha todos os amigos e mulheres que poderia comprar. Passei alguns minutos tentando entender aquelas 3 palavras.Sua. Mãe. Faleceu.Procurei no dicionário por algum sentido. Do outro lado estavam confusos perguntando por “Alô?” e “Você está bem?”.
- Morta?
- Isso. O velório será amanhã.
- Ok.
Com 32 anos, dois meses, 3 dias e 4 horas cheguei à velha casa após uma viagem noturna. Claro que lembrei de justificar minha falta no trabalho e cancelei um encontro com uma acompanhante de luxo. Também lembrei de tomar um longo banho gelado, fazer a barba e escovar bem os dentes. Lá estava eu na frente da velha casa. Meu pai me abraçou chorando, minha irmã, minha tia, minha avó.
- Do que ela morreu?
- Caiu da escada.
- Quero entrar.
- Seu quarto esta como você o havia deixado.
Meu lábios moveram grunhidos disfarçados de palavra. Só não sei o quê. Eu nunca sei de nada.
Subi a escada assassina a encarado cada degrau. Queria vencê-la, como uma vingança. Fique visualizando como deveria ter sido. Entre no corredor. A segunda porta a esquerda, semi-aberta. Ou semi-fechada. O porta-treco estava no móvel de sempre. Não encontrei minhas camisinhas. Lá estava o super-homem, as peças de quebra cabeças, os pinos e dados.
Pintos e dados de um Banco Imobiliário inutilizado.
Fui até a cama com agilidade, puxei o colchão com um único esforço. Caíram lagrimas.
- Estou rico.
(Samuel Góis Martins) 10/11/05
Friday, November 04, 2005
Madeira norueguesa
Um ou outro dia qualquer conheci alguém que me convidou para sentar. Mas em seu quarto não existiam cadeiras. Falou para sentar em qualquer lugar. Esse alguém era uma garota que eu tive. Melhor dizer que ela me teve.
Já falei que em seu quarto não havia cadeiras, então me sentei sobre o tapete. Eu ofereci minhas horas e minutos. Ela me ofereceu do seu vinho.
Era um belo quarto feito com madeira norueguesa.
- Hora de dormir...
Conversamos até as duas horas.
- Fui trabalhar cedo... Hehehe!
- Eu não. – e me arrastei até o banheiro. Para dormir dentro da banheira.
Quando acordei estava sozinho. O pássaro tinha voado. Acendi um cigarro, pensando como era boa a madeira norueguesa daquele quarto.
(Samuel Gois Martins) 4/11/2005
*versão romanceada da musica Norwegian Wood dos Beatles. Não sou fã deles, essa musica é o nome de um livro que me tocou profundamente. Então procurei pela letra. Acredito que ela tenha vários sentidos metafóricos que acarretam outros conceitos que escolhi não abordar. Não mais, acho que fico bonito.
Thursday, November 03, 2005
O código da vinci e as tartarugas ninjas
Sua mãe varre o chão, calmamente, delicadamente, com um sorriso gentil, meigo, bonito. Lento. Va-ga-ro-as-men-te. Antes que pudesse mover mais uma vez a vassoura tomou posição para deter seu filho de qualquer proeza espalhafatosa. Seria isso possível?
- Parado... Ai... Mocinho...
Tarde demais. Ela pensou na ultima vez que ele fez aquilo. Cachorros voadores sujam demais!
Em outro ligar na falta de imaginação do autor tem um sujeitinho esquisito reproduzindo as obras artísticas de Leonardo da Vinci. Nada haver com o livro código da Vinci. Nem com as tartarugas ninjas. Ele escutou alguma coisa caindo sobre suas tintas e telas, destruindo tudo. Sujando tudo.
- Mas que porra?!
E olhem, era o garoto maroto todo azul, amarelo, vermelho e solvente.
- Não era para eu estar no mundo encantado dos cachorros voadores?
- O autor mudou idéia antes de você chegar lá. Deve ta jogando um monte de besteiras pra no mínimo se sentir original.
- Que babaca.
- Concordo.
E de repente uma estrada de tijolos amarelos.
- Desde quando isso ta por aqui? – assustou-se o pintor esquisito davinciano.
- Esses tijolos são ouro?
- Será que alguém reclamaria se pegássemos para nós?
- Olha, se isso ta virando referencia de O Mágico de OZ, deixa eu ver se cai encima de alguém...
E lá um par de pernas com sapatos homossexuais esquisitos debaixo da tralha de telas e tintas onde o garoto Maroto havia caído.
- Escritor de merda...
- Pega os sapatos. São mágicos!
- Já peguei. “Não há lugar como o nosso lar”, em?
- É o que dizem.
E viveram felizes para sempre com um castelo feito de tijolos de ouro roubados da estrada e sapatos mágicos cobiçados. Claro, isso até a mãe do garoto Maroto chegar por lá e puxa-lo pela orelha para fazer o dever de casa. O pintor esquisito decidiu escrever livros do tipo “alguma coisa o código da vinci”.
(Samuel Gois Martins) 3/11/2005
Thursday, October 27, 2005
Metáfora verdadeira e sincera
(Samuel Gois Martins) 28/10/2005
Wednesday, October 26, 2005
Mais uma a respeito de alienígenas homossexuais e notas musicais
- Opa ai rapa!
- Hein?
Batendo de cara com um alienígena, o musico ficou pasmo. “Onde estou”, ele pensou.
Pois não mais caminhando por ai ele estava. Ele estava caminhando por ali. Ali não é ai. Ali era...
- Onde estou?
- Um disco voador?
- Sério?!
- É né.
O alienígena era do tipo bem alienígena. Com pernas longas, pele acinzentada pálida, olhos grandes e negros. O musico já podia se imaginar dando entrevistas em documentários da Discovery.
- O que farão comigo?
- Sonda anal.
- Não mesmo!
- Não vai doer... É como exame de próstata!
- Nunca!
- Eu sou um alienígena. Milhares de centenas de anos luzes mais inteligente que você. O seu cérebro minúsculo nunca entenderia o intricado sistema universal para o qual essa sonda anal poderá contribuir.
- Você quer é me comer!
- Bem... Também. É que você é gatinho.
- Sou?
- É...
- Meu namorado nunca falou isso...
- Posso por a sonda anal ou não?
- Só se você der a nota que eu tanto procuro...
- Pra você eu dou qualquer coisa...
(Samuel Gois Martins) 26/10/2005
Thursday, October 20, 2005
Tentativas...
(Samuel Gois Martins) 20/10/05
Saturday, October 15, 2005
Cagando asas
Levantei-me para entender o que estava acontecendo. Mirando o espelho descobri que brotara asas em minhas costas. Meu Deus. Forcei tanto que nasceram asas. Eu poderia ter entrado em pânico. Afinal de contas aquilo era um atestado de aberração. Cagar asas? E tão lindas. Brancas e puras. Sentia-me um anjo. Um verdadeiro anjo. Apenas sorri e limpei a bunda.
Queria voar.
(Samuel de Gois Martins) 15/10/2005
Wednesday, October 12, 2005
A vida é uma merda
- Mãos pra cima...
Eu tava falando serio.
Ela demonstra medo e nervosismo. Tremula esvazia todo o dinheiro do caixa. Lembrei que era melhor ficar tranqüila, pois ainda teria que abrir o cofre. A merda do cofre. A mulher mais linda que já vi na vida.
- Case-se comigo.
- Como assim?
- Assalto o banco, você me da seu telefone e começamos um relacionamento que cada vez mais vai se torna mais firme até atingirmos o ápice do casamento.
- Não vai me matar?
- Não mesmo. Faço isso apenas para relaxar. Todos temos algo sórdido para relaxar não é?
Ela parou por um momento para pensar. Logo em seguida seus olhos encontram os meus confirmando.
- Eu gosto de por gatinhos no liquidificador.
- Estou apaixonado por você!
- Aceito!
A vida é uma merda, mas sempre é possível tirar um lado positivo.
(Samuel Gois Martins) 13/10/2005
Monday, October 03, 2005
- Adeus Fulana. Adeus...
- Oi?
Noite. Trinta minutos para uma prova e só agora estava xerocando sua apostila. Tenho carta de pau pra essas coisas mesmo.
- Oi.
- Você estudou naquele colégio?
- Aquele?
- É. O segundo ano. Certo?
- Foi sim... Há. Formos colegas de classe.
- Isso mesmo.
O som da xérox trabalhando me tranqüiliza.
- Você lembra de fulana?
- Fulana?
- É. Que namorava com Ciclano.
- Ciclano?
- É. Que andava com Beltrano.
- Há... Beltrano... Ciclano... Fulana! Lembro sim. Boa pessoa. Como ela está?
- Cometeu suicídio.
- Hum...
- É...
- Suas copias, senhor.
- Obrigado. E qual foi o motivo?
- Rompeu com o noivo.
- Que coisa...
- Pois é...
- Suicídio só serve pra ferrar com quem ta vivo. Parece meio idiota falar isso...
- Mas é verdade. Bem, eu vou indo.
- Eu também. Tenho... Hã... Prova.
- Boa sorte.
- Obrigado.
Dez minutos para ler a apostila e aprender tudo que tem nela. Dez minutos.
(Samuel Gois Martins) 03/10/05
Friday, September 30, 2005
A Rainha Espacial
- Não se aproximem! Usarei a maquina dimensional para trocar os quartos e cometerei suicídio com uma ogiva nuclear!
Eu e meu companheiro de batalha nos retemos por alguns segundos. Alguns segundos para pegar fôlego e derrubar a porta.
Mas já era tarde. Apenas retalhos da outra versão dimensional da sala.
- Logo os reforços irão chegar – suspirou o fiel parceiro.
Acordando sufocado. Faço força e o catarro sai de minha narina esquerda. Viro meu corpo tentando desprender-me dos lençóis. Cuspo catarro. Um pouco de sangue sai junto. Apenas uma irritação – espero eu.
Cambaleando ate a cozinha pensando porque a maioria das minhas historias começam com um sujeito acordando. Bebo um copo de água gelado para piorar minha garganta. Cuspo mais catarro no chão. Olho pra janela.
- Bom dia... – Apreciando o catarro - Pesando bem foi o sonho mais ficção cientifica anos 70 que já tive na vida. Eu gostaria de ter uma maquina dimensional.
Volto à geladeira em busca do resto de pudim. Mas já comeram tudo.
- E talvez uma bomba nuclear.
Esperei o catarro responder alguma coisa por alguns minutos e fui ao banheiro tomar banho. Existia algo de muito triste na morte da rainha espacial.
30/09/2005
Wednesday, September 21, 2005
Perdido
21/09/05
Tuesday, September 20, 2005
Meio Incoerente
Amassei a carta e joguei na primeira lata de lixo que encontrei na rua. O melhor mesmo é mandar se foder. Isso mesmo. Possível viver pela metade. Posso amar pela metade. Posso mentir pela metade. Posso odiar pela metade. Tudo em partes. Incompletas. Sem sentido algum. Posso fazer assim. Faço há 15 anos assim. Agüento o resto de minha vida.
Parado ai. Segurando um revolver. Revolver de verdade. Repito para mim. Pergunto.
É de verdade?
Tu é otário ou o quê? Passa a grana maluco!
O resto da minha vida.
Passo um caralho. Atira bem no peito se tu é homem!
Tu é doido é?!
- Você só tem meia chance de me acerar. E eu só tenho meia chance de morrer. Poder vir. Se eu tiver de morrer, que seja pela metade!
Na lata de lixo a carta tinha escrito guardarei um pouco de amor para você.
(Samuel Gois Martins) 20/09/2005
Wednesday, September 14, 2005
#$%
- Sabe...
- Que horror! Centenas de espaçonaves destruídas! Corpos vagando como pequenos pedaços de carnificina tirando toda a beleza do solitário universo!
- Eu amo você.
- Hã?
- Sei que não é uma boa ocasião. Mas eu amo você.
- Não é uma boa ocasião? Estamos perdendo uma guerra! Estamos por um #$%! Milhares de gerações futuras dependiam da vitória!
- Não precisa ficar lembrando toda hora!
- E precisa?! Olhe só ao seu redor! O chão está coberto de fluido vital!
- Até que é bonitinho... Sabe... Cria um clima, tipo assim. Te amo gatinho.
- O que é gatinho?
- Coisa de terráqueo.
- Há.
- Deixa eu pegar no seu #$%.
- Que coisa obsena de se falar!
- Talvez posso ser a nossa ultima canse! Deixa-me pegar no seu #$%. Pega no meu #$%! Façamos! Vamos amar!
- Tudo bem. Mas quero que saiba que não sou Gay. É uma questão de desespero.
- Deixa disso que eu sei que você é. Uie, como o seu #$% ta tenso...
O universo como é lindo. Uma caixa de possibilidades enormes. Mas fio terra é fio terra em todo canto. Agora aquele bebê gigante de 2001...
(Samuel Gois Martins) 14/09/05
Sunday, September 04, 2005
Palavras em conspiração
- Que horror!
Mas, como bem aprendemos na vida, rezar nunca foi a mais pratica e solúvel das opções em momentos como esse. O grito parte da cozinha, provavelmente minha mãe. Ou a garota com quem eu gostaria e ter relacionamentos carnais. E ate sentimentais. Mas ai já não seria real. Seria um fruto da imaginação. Algo que ainda vai se torna palavra. Das perigosas também, acredito-me.
Solto o lápis, pulo da escrivaninha, vôo pelo corredor tirando a camisa e revelando para fora o meu emblema de camisa barata do super-homem. Definitivamente se ele existisse seria um trabalho para o carinha. Também seria super legal se eu voasse de verdade. E se a menina gritando quisesse dar pra mim. Mas sequer tem uma menina na cozinha. Foi um engano metafórico de minha imaginação narrativa. As palavras conversam com as batatas. Tramam contra mim. Pobre de mim. Criado e comedor. Frustrada criatura de pouca sabedoria. As coisas não acabariam bem.
- Odeio batata frita – rosnou o critico e frio irmão mais novo. – E essas estão horríveis!
Pretas, com cheiro esquisito. É a grafite. É o meu gozo. Não tinha como sair gostosa. E ele nem gosta de batata frita.
(Samuel Gois Martins) 4/09/05
Friday, September 02, 2005
De quatro casos reais de qualquer parte do mundo
A garota se sentia traída. Afinal de contas seu amante decidiu de uma hora pra outra virar bi. E ela não se sentiria bem levando uma sabendo de alguém que leva também. Claro que existe a chance dele ser passivo. Mas se o namorado dela fica sabendo? Pode até imaginar o veado do namorando querendo comer o amante dela também. Tinha que descobrir se o cara metia ou levava. Era uma questão de honra. Honra anal. Isso mesmo.
Caso 2 – Religião exótica
A garota se sentia traída. Afinal de contas seu amante decidiu de uma hora para a outra aderir a aulas se sexo tantrico. Seja lá o que for isso deve ser bom e só ele tava provando. Insensível egoísta.
Caso 3 – Consciência política
A garota se sentia traída por que o namorado preferia fumar maconha. Ela insistia que uma picada era tudo de bom. Mas aquele merdinha naturalista só que saber fala sobre como os capitalistas estão prejudicando a natureza e que Marx sabia trepar bem.
Caso 4 – Doença pega
A garota se sentia traída por que seu namorado ficou com sua melhor amiga. Logo sua melhor amiga. Aquela que tem gonorréia. Nesse exato momento a garota esta sentada, puta da vida, cheia de vergonha, na fila do ginecologista. E se o pai dela fica sabendo? Pobre coitado que sofre do coração. Uma filha de 14 anos que já abortou duas vezes e agora tem gonorréia!
(Samuel Gois Martins) 02/09/05
Friday, August 26, 2005
Lembrança
Mas naquele dia as coisas não foram bem começando como deveriam. Afoguei-me e perdi noção de vida. Meu corpo criou peso e afundei are os mais profundos abismos do oceano. Não posso dizer por quanto tempo estive desacordado. Acordei com um beijo de minha amiga sereia, chorando, preocupada. “Estou bem”, falei. Ela ainda chorava e me abraçou com força. “Onde estamos”, perguntei. “Parece o paraíso... Mas você está vivo” ela sussurrou em meu ouvido.
Não posso descrever tudo que vi depois. É impossível. Mas é tudo que posso lembrar que vale alguma coisa hoje em dia.
(Samuel Gois Martins) 26/08/2005
Monday, August 22, 2005
Miragem fria
Eu o encontrei delicadamente encostado, como um boneco favorito de minha filha. Olhava a janela, estava branco e magro. Há quanto tempo estava lá?
Estava tão frio, não vestia roupa alguma. Depois de um tempo elas perderam o sentido.
Suspeito que fosse um fantasma. E pelo cheiro um cadáver.
Não consegui mover minha cabeça, pois muito pesada ela. Mas sei a sensação do nada, e tinha alguém atrás de mim, me observando, me apreciando. Não pude arrumar nada, sequer tem jantar. Queria pedir desculpas. Não consigo. Minha língua já se foi.
Daí começou a chover de novo, e meu esposo veio atrás de mim.
- Você esta pálida.
- Esta vendo aquilo?
- Onde?
Pois sumiu. O cheiro também.
- É o frio...
- A chuva mal acaba e já começou de novo.
Samuel Gois Martins (22/08/2005)
Monday, August 15, 2005
T
Samuel Gois Martins (15/08/2005)
Thursday, August 11, 2005
Sorvete
- Sorvete?
- Não obrigado. Preciso emagrecer.
Mas hoje é o tipo de dia que eu tenho para poder me inspirar. A inspiração pra mim funciona com o ato de provocar minha criatividade. Provocar no sentido de irritar mesmo. A solidão ajuda. Estar entre os montes de pessoas, os seis bilhões de loucos, é o suficiente para se sentir bem sozinho. Eu bem que gostaria de poder tomar sorvete.
(Samuel Gois Martins)
Tuesday, August 09, 2005
A terceira pessoa
Voltemos para o Ed. Ed, 28 anos, admirado por colegas, cheio de mulheres, saúde exemplar, mente magnífica. Ed desde criança já revelava sua genialidade como mestre dedutivo. Foi Ed que descobriu que sua mãe mantinha relações com o cara que limpa a piscina.
O garoto com sua lupa de brinquedo mais parecem um cão pastor farejando em tamanha concentração que era certeza que não seria gente grande. Gente grande não se concentra. A lupa amplia os mais inimagináveis resquícios de sujeira do chão. Mas não era bem sujeira que ele procurava. Era algo como mingau. Mas muito fedorento.
Cansado com as horas de raciocínio dedutivo para, senta e chupa o cabo da lupa. Ele tem essa mania, de chupar e morder as coisas.
Ed relembra com um sorriso no canto esquerdo da boca. A infância lhe foi muito grata. No carro com seu parceiro, dirigem-se para o lugar do crime.
- O quinto?Também arrancou a cabeça?
- É. Coisa leve – suspirou o entediado detetive.
Jasmim é uma lésbica que dava shows exóticos numa boate. Pensar em Jasmim é pensar na fantasia de soldado que ela adorava usar, ou seja, tirar aos poucos. Jasmim era muito parecida com a mãe de Ed. Por isso Ed sempre lhe pagava mais por uma chupeta. E olhe que chupeta de uma lésbica já é bem cara!
Ed quase se sentiu triste em ver seu corpo sem a cabeça. Uma boqueteira lésbica sem cabeça é algo frustrante. Ed lembra de sua mãe gemendo no banheiro com o limpador de piscina. Ela estava toda suja. Naquela época chegara a conclusão que o limpador era algum tipo de mutante. Dali só pode sair xixi! Tinha que salvar mamãe. Sorte saber onde papai guardava o revolver.
Alguém entrou em minha casa. Mas estou no porão. Sempre nos escondemos no porão. O porão é tudo de mais legal no mundo. Tente você também no porão. Olho nos olhos de Jasmim. Olho nos olhos de Ed. Meu querido meio irmão. Pois bem, não pude respeitar as regras da narrativa de 3ª pessoa. Fica pra próxima.
(Samuel Gois Martins) 09/08/2005
Saturday, August 06, 2005
Historias
Sou todos os olhos da humanidade,
Todos os ouvidos,
Todos os sabores.
E não posso acreditar no que estou vendo.
Não posso acreditar no que estou ouvindo.
Sou toda a esperança.
E o pecado de sonhar.
Não posso ser verdade.
Segurando o papel, ela olhou para mim com ternura. Ou pena mesmo.
“Bonito...”, ela falou.
“Rabiscos.”, respondi.
“Bonitos rabiscos.”, ela brincou.
Peguei o papel e guardei de volta em meu caderno.
“Também gosto dos sonhos.”, ela acrescentou.
“Não se arrisque tanto...”, terminei. Depois fui embora sem olhar pra trás.
- Você conta essa historia todo dia, velhote!
- E vou continuar contando...
- Não reduza sua vida a uma frustração idiota. Sei muito bem que nunca foi solitário, que foi um grande boêmio. Todas as mulheres da cidade eram suas!
- Não é uma historia sobre mulheres. É sobre sonhar.
- Mas você mesmo a desencorajou de continuar sonhando.
- É porque nunca lhe contei o que acontecia depois.
- O que?
- Eu acordava nesse asilo de merda.
(Samuel Gois Martins) 06/08/2005
Wednesday, July 27, 2005
O livro que não comecei
Essa é a historia do autor.
Não eu.
É um conto, sabe.
Meu conto.
E o que vou narrar nele nada tem haver comigo. E sim com o autor.
Alguém que nasceu depois de mim e que busca suicídio às escondidas.
Agora mesmo.
- Você ai, fique longe do varal.
Contorceu-se medroso para o banheiro.
Urinar é um jeito de relaxar.
Eu fui para o meu quarto. Tanta tralha encima da cama. Na verdade livros de importância para mim. Por isso dormem na cama.
Eu durmo no chão.
Dor nas costas. Poderia ser pior. Sempre poderia.
Procuro o relógio. Provavelmente dormindo com as tralhas. Não vou incomodá-lo.
Toalha vermelha. Ainda molhada. Um dia todo para secar. Ainda molhada.
Ligo o chuveiro.
Imagino como seria pisar num sabonete e bater com a cabeça na privada e assim morrer. Imagino meus pais desesperados. Afastar meu corpo gordo e ensangüentado do banheiro não vai ser fácil.
Imagino não morrer imediatamente e fica me contorcendo de dor.
As gotas chegam ao meu rosto.
Água fria desperta o que ainda estava dormindo.
Tento me secar com a toalha molhada.
Cueca. Bermuda. Camisa do festival legal que se arrependeu de não ir no ano passado.
Se ainda for de manhã devem ter os restos na mesa.
E tem.
Pessoas também. A vagina chefe. O juiz. O autor. Mas o autor não come na mesa. Tem um prato de ração para ele.
A historia é sobre ele.
A Vagina fala.
- Você se inscreveu naquele concurso publico como recomendei?
Não falo com vaginas.
- Eu me preocupo com seu futuro... Você não quer nada da vida!
Fico acariciando a cabeça do autor.
- Já vou.
Vai tarde Juiz.
- Boa aula, meu filho.
- Obrigado. E você, vê se faz algo da vida...
Eu faço. Não falar com juizes e vaginas é uma delas.
O autor fica lambendo alguma macha no chão que parece comestível.
- Vem cá, autor. Vamos escrever.
A Rainha de Grandes Seios deixou escorrer sangue inocente em sua lamina.
- Graças os Deuses não atrasou...
Lixo.
Lixo.
Lixo.
O autor corre com o rabo entre as pernas.
Burro só ele, pois sabe que não tem rabo.
- Alô?
- Você vai para a festa?
- Festa?
- Todo mundo vai para a festa.
- Festa?
- Ela também vai estar lá. Não te falaram mesmo da festa?
Festa?
Então musica alta e ruim invadem os meus tímpanos. Pessoas fazem algo que chamam de dançar.
Eu não sei fazer algo que chamam de dançar.
As pessoas estão bebendo.
Eu não bebo.
As pessoas estão sexualmente ativas.
Nunca fui sexualmente ativo.
- Graças aos deuses não atrasou...
A Rainha de Grandes Seios temia estar grávida do Bárbaro.
Ainda não escrevi sobre o bárbaro.
- Graças a deus não atrasou...
Conversas fúteis de meninas fúteis.
Seria legal trepar com uma delas.
- Festa...?
O Juiz chega do tribunal.
- Ficou sabendo da festa?
O autor quase bebe veneno de rato. Fui mais rápido.
- Escreva sobre o Bárbaro.
Ela também vai estar lá. O autor fez algo sobre o bárbaro? O juiz entrou no quarto com Ela.
Ela uma vez conversou horas comigo no telefone. Odeio telefone.
Ela gosta do autor. Diz que ele faz coisas legais.
O Bárbaro veio de uma terra montanhosa, onde apenas o frio governa o coração dos homens. O Bárbaro busca pelo calor de uma mulher.
De preferência com peitos grandes.
(Samuel Gois Martins) Datas diversas
Tuesday, July 26, 2005
Feitos da Fé. Feitos da Duvida.
(Samuel Gois Martins) 26/07/2005
Sunday, July 24, 2005
Sortudo
(Samuel de Gois Martins) 24/07/2005
Saturday, July 23, 2005
Contando meses
Com licença, eu gostaria de ver as antenas para aparelhos de TV. Só um estante. Já pensou em usar TV a cabo? E via satélite? Não obrigado. Quanto custa a antena mais barata? Você já se informou sobre as vantagens de possuir TV a cabo? Sim, já me informei. Não gostou? Gostei sim. Por favor, o preço da antena mais barata.
Cambaleando no escuro, roupas e livros jogados pelo chão. Os livros são emprestados e as roupas não conhecem água e sabão já faz algumas semanas. Tudo bem, eu não suo. Ar-condicionado o dia todo. Boca seca. Água. O telefone toca. Alô? Oi. Tudo bem. Tudo bem? Se me lembro? Hã... Sim. O que foi? Jantar? Claro que marquei. Tudo bem. Pode ser na sua casa? Vai tomar pílula? A TV esta chiando. Lembro mais uma vez da moça que não me vendeu antenas. Todo mundo tem obsessão por TV a cabo hoje em dia. Masturbo-me pensando nela. Por que elas sempre contam os meses? Treinamento pra quando embuchar. Só pode ser. Pílula o caralho. Por favor, esse ai. Dez. É que sou precoce. Proteção total, certo? Desligo a TV. Não era a gostosa do escritório. Aniversario de mamãe. Vou lavar a mão e procurar a cueca de anteontem. Por favor, um Doflex. É para mamãe.
(Samuel Gois Martins) 23/07/05
Friday, July 15, 2005
Confissões
- Puta merda! Há essa hora?
E o cheiro também.
A pior parte é saber que os “cuashes” irritantes eram produzidos por pedaços de massa fecal espatifando-se na água da privada
Alem de acordar irritado, por algum motivo parei para tentar descobrir que tipos de loucuras o álcool me levou na noite passado.
O primeiro choque foi saber que não estava verdadeiramente com ressaca, isso é, não havia bebido na noite passada.
Então tentei pensar no que teria me levado a não beber na noite passada.
Foi assustador entender que não recordava de nada anterior às cinco horas da tarde da noite passada. E que até este momento nada teria me motivado a me embebedar ou drogar com qualquer tipo de coisa.
Pior. Muito pior.
Pois também recordei que morava sozinho e que não existia a menor possibilidade daquelas massas fecais caindo na água da privada não serem minhas.
Conclui duas coisas lógicas que poderia explicar perfeitamente todo o paradoxo. Primeiro: poderia ter sido capturado por E.Ts e recebido uma sonda no cu. Provavelmente quem está no banheiro soltando um barro é um alienígena que ficou para me vigiar.
A segunda hipótese: eu sou um clone de mim mesmo que foi clonado aproximadamente pelas cinco horas. Enquanto eu fui soltar um barro os cientistas conspiradores teriam posto o meu corpo clonado para acorda e assim enlouquecer com o fato, então, literalmente, me matar.
Mas por que alienígenas enfiariam uma sonda no meu cu ou cientistas iriam querer que um clone de mim mesmo me matasse?
Provavelmente eu devo ser muito importante. Talvez um predestinado com super-poderes, onde apenas eu poderia me derrotar. Talvez muito bonito e os alienígenas sejam homossexuais pervertidos com fissura em por sondas no cu.
Sempre guardo uma navalha de barbear reserva na gaveta do móvel.
Dos dois casos ou me mataria ou mataria o visitante de outro planeta. Sabe, nem olhei direito para o que matei. Só sei que quando me viu falou algo como “Papai, você não já fez a barba?”.
Samuel Gois Martins 16/07/05
Tuesday, July 12, 2005
Cheiro de queimado, melodias do passado
Tudo bem, afinal de contas ainda restavam as canções. As canções que ainda não consegui encontrar. Mas que tenho certeza estar escondidas em algum lugar. Nas gavetas do velho quarto, defendidas por soldadinhos de chumbo. Escondidas num canto de minha boca, loucas para sair em uma vibração de desabafo.
Onde estão aquelas velhas canções que me ensinaram quando era criança?
Dos traumas lembro tão bem...
Um deles, tomando café em uma sala olhava para mim com desaprovação.
- Quem mandou você pisar no gramado?
Olhos lábios. Falando em uni som toda sua desaprovação.
- Eu... Eu não queria...
- Não queria todos aqueles brinquedos espalhados pelo terraço também?
- Não me olhe assim!
Cheiro de queimado.
Por hora esquecer. Hora do almoço.
Samuel Gois Martins (12/07/05)
Sunday, July 03, 2005
A Longa barba do Shaolin
Quatro da manhã.
Sempre associo com os seus chutes. Começa com os chutes. Amigamente associava aos hematomas. Hoje posso me esquivar. São apenas chutes.
Não.
São apenas correntes de ar.
Os olhos de Tong Ling revelam satisfação. Ele acaricia sua longa barba Shaolin e indica que eu o siga.
Eu o sigo.
Eu paro.
Seus outros alunos, alunos menores. Já fui um deles. Ataque pela esquerda. Ele ainda não pode voar. Eu posso voar. Já quase perdi meu coração uma vez. O pobre coitado perdeu.
Ele ainda pulsa em minha mão.
Tong Long me desaprova.
Argumento que vai sobrar mais comida.
Ele acaricia sua longa barba Shaolin.
Eu o sigo.
Wu Fa 03/07/2005