A lembrança mais extraordinária com certeza foi quando me perdi em um jardim de rosas escondida no fundo do mar. Parece estranho quando falo, mas foi bem assim. Um jardim de rosas no fundo do mar. Sempre fui muito amigo de uma sereia. Grande amiga desde que me dou por gente ainda hoje me aparece com o som das ondas para conversar sobre o céu, as estrelas e musica erudita.
Mas naquele dia as coisas não foram bem começando como deveriam. Afoguei-me e perdi noção de vida. Meu corpo criou peso e afundei are os mais profundos abismos do oceano. Não posso dizer por quanto tempo estive desacordado. Acordei com um beijo de minha amiga sereia, chorando, preocupada. “Estou bem”, falei. Ela ainda chorava e me abraçou com força. “Onde estamos”, perguntei. “Parece o paraíso... Mas você está vivo” ela sussurrou em meu ouvido.
Não posso descrever tudo que vi depois. É impossível. Mas é tudo que posso lembrar que vale alguma coisa hoje em dia.
(Samuel Gois Martins) 26/08/2005
“o governo e diversas multinacionais pagam os alienígenas cabeçudos para bombardearem em nossas mentes propagandas e publicidades subliminares””
Friday, August 26, 2005
Monday, August 22, 2005
Miragem fria
Contei as gotas de chuva. Uma por uma. Ninguém estava lá para atrapalhar. Contei uma, duas, três, e a solidão tão bem me ajudou que contei todas. Trágico não conseguir sentir orgulho.
Eu o encontrei delicadamente encostado, como um boneco favorito de minha filha. Olhava a janela, estava branco e magro. Há quanto tempo estava lá?
Estava tão frio, não vestia roupa alguma. Depois de um tempo elas perderam o sentido.
Suspeito que fosse um fantasma. E pelo cheiro um cadáver.
Não consegui mover minha cabeça, pois muito pesada ela. Mas sei a sensação do nada, e tinha alguém atrás de mim, me observando, me apreciando. Não pude arrumar nada, sequer tem jantar. Queria pedir desculpas. Não consigo. Minha língua já se foi.
Daí começou a chover de novo, e meu esposo veio atrás de mim.
- Você esta pálida.
- Esta vendo aquilo?
- Onde?
Pois sumiu. O cheiro também.
- É o frio...
- A chuva mal acaba e já começou de novo.
Samuel Gois Martins (22/08/2005)
Eu o encontrei delicadamente encostado, como um boneco favorito de minha filha. Olhava a janela, estava branco e magro. Há quanto tempo estava lá?
Estava tão frio, não vestia roupa alguma. Depois de um tempo elas perderam o sentido.
Suspeito que fosse um fantasma. E pelo cheiro um cadáver.
Não consegui mover minha cabeça, pois muito pesada ela. Mas sei a sensação do nada, e tinha alguém atrás de mim, me observando, me apreciando. Não pude arrumar nada, sequer tem jantar. Queria pedir desculpas. Não consigo. Minha língua já se foi.
Daí começou a chover de novo, e meu esposo veio atrás de mim.
- Você esta pálida.
- Esta vendo aquilo?
- Onde?
Pois sumiu. O cheiro também.
- É o frio...
- A chuva mal acaba e já começou de novo.
Samuel Gois Martins (22/08/2005)
Monday, August 15, 2005
T
Existem milhares de maneiras de definir um ser humano qualquer. Mas os únicos são únicos. Seria estupidez narrativa ainda afirmar que é obvio isso. E hoje a narrativa é sobre alguém único. Não por ser mais interessante, bonito, habilidoso ou carismático que os outros. Qualquer pessoa pode ser isso tudo. É só ter dinheiro. Mas T não é qualquer um. T não tem muita grana. Inclusive trabalha para pagar seus estudos. E o que estuda? Estuda o que qualquer um estuda. Isso não torna T única. Isso mesmo: única. Alem de ser único, T é do gênero feminino. Não é bonita, posso afirmar, a conheço muito bem. Não é nem um pouco simpática, na verdade, é bem introvertida... Como qualquer um nesse mundinho de merda. Ok. Não vou rebaixar a palavrões. T foi alguém único pelo simples fato que não seria qualquer pessoa por que eu estaria de madrugada roendo musicas patéticas que ferem o cotovelo. E possivelmente não seria por qualquer uma que estaria pensando nas mil e uma maneiras de como T pensaria. E como pensa T? A parte difícil é como pensa uma mulher. A primeira etapa primordial. Ao patético caminho da perda de auto-respeito. E por isso T é única. Por ser uma mentira narrativa. Uma tentativa romântica frustrada inspirada nos próprios problemas do autor. Um pouco de desabafo cansativo e inspiração inútil. Isso é T. T de teoria do caos. T de Tudo. T de Tartaruga marinha.
Samuel Gois Martins (15/08/2005)
Samuel Gois Martins (15/08/2005)
Thursday, August 11, 2005
Sorvete
As pessoas dispostas na rua. Um monte delas. Geralmente eu odeio isso.
- Sorvete?
- Não obrigado. Preciso emagrecer.
Mas hoje é o tipo de dia que eu tenho para poder me inspirar. A inspiração pra mim funciona com o ato de provocar minha criatividade. Provocar no sentido de irritar mesmo. A solidão ajuda. Estar entre os montes de pessoas, os seis bilhões de loucos, é o suficiente para se sentir bem sozinho. Eu bem que gostaria de poder tomar sorvete.
(Samuel Gois Martins)
- Sorvete?
- Não obrigado. Preciso emagrecer.
Mas hoje é o tipo de dia que eu tenho para poder me inspirar. A inspiração pra mim funciona com o ato de provocar minha criatividade. Provocar no sentido de irritar mesmo. A solidão ajuda. Estar entre os montes de pessoas, os seis bilhões de loucos, é o suficiente para se sentir bem sozinho. Eu bem que gostaria de poder tomar sorvete.
(Samuel Gois Martins)
Tuesday, August 09, 2005
A terceira pessoa
Meses se passam, e Ed, o grande detetive, com sua geniosa cabeça conservada em um pode de formol mantêm o mesmo olhar admirado desde seu primeiro encontro comigo. Por um momento detive-me na velha mania de fazer narrativa em 1ª pessoa. Hoje não. Hoje não. Ao lado de Ed está Jasmim. Em sua boca meu órgão sexual, quer dizer... O órgão sexual de um monstruoso psicopata.
Voltemos para o Ed. Ed, 28 anos, admirado por colegas, cheio de mulheres, saúde exemplar, mente magnífica. Ed desde criança já revelava sua genialidade como mestre dedutivo. Foi Ed que descobriu que sua mãe mantinha relações com o cara que limpa a piscina.
O garoto com sua lupa de brinquedo mais parecem um cão pastor farejando em tamanha concentração que era certeza que não seria gente grande. Gente grande não se concentra. A lupa amplia os mais inimagináveis resquícios de sujeira do chão. Mas não era bem sujeira que ele procurava. Era algo como mingau. Mas muito fedorento.
Cansado com as horas de raciocínio dedutivo para, senta e chupa o cabo da lupa. Ele tem essa mania, de chupar e morder as coisas.
Ed relembra com um sorriso no canto esquerdo da boca. A infância lhe foi muito grata. No carro com seu parceiro, dirigem-se para o lugar do crime.
- O quinto?Também arrancou a cabeça?
- É. Coisa leve – suspirou o entediado detetive.
Jasmim é uma lésbica que dava shows exóticos numa boate. Pensar em Jasmim é pensar na fantasia de soldado que ela adorava usar, ou seja, tirar aos poucos. Jasmim era muito parecida com a mãe de Ed. Por isso Ed sempre lhe pagava mais por uma chupeta. E olhe que chupeta de uma lésbica já é bem cara!
Ed quase se sentiu triste em ver seu corpo sem a cabeça. Uma boqueteira lésbica sem cabeça é algo frustrante. Ed lembra de sua mãe gemendo no banheiro com o limpador de piscina. Ela estava toda suja. Naquela época chegara a conclusão que o limpador era algum tipo de mutante. Dali só pode sair xixi! Tinha que salvar mamãe. Sorte saber onde papai guardava o revolver.
Alguém entrou em minha casa. Mas estou no porão. Sempre nos escondemos no porão. O porão é tudo de mais legal no mundo. Tente você também no porão. Olho nos olhos de Jasmim. Olho nos olhos de Ed. Meu querido meio irmão. Pois bem, não pude respeitar as regras da narrativa de 3ª pessoa. Fica pra próxima.
(Samuel Gois Martins) 09/08/2005
Voltemos para o Ed. Ed, 28 anos, admirado por colegas, cheio de mulheres, saúde exemplar, mente magnífica. Ed desde criança já revelava sua genialidade como mestre dedutivo. Foi Ed que descobriu que sua mãe mantinha relações com o cara que limpa a piscina.
O garoto com sua lupa de brinquedo mais parecem um cão pastor farejando em tamanha concentração que era certeza que não seria gente grande. Gente grande não se concentra. A lupa amplia os mais inimagináveis resquícios de sujeira do chão. Mas não era bem sujeira que ele procurava. Era algo como mingau. Mas muito fedorento.
Cansado com as horas de raciocínio dedutivo para, senta e chupa o cabo da lupa. Ele tem essa mania, de chupar e morder as coisas.
Ed relembra com um sorriso no canto esquerdo da boca. A infância lhe foi muito grata. No carro com seu parceiro, dirigem-se para o lugar do crime.
- O quinto?Também arrancou a cabeça?
- É. Coisa leve – suspirou o entediado detetive.
Jasmim é uma lésbica que dava shows exóticos numa boate. Pensar em Jasmim é pensar na fantasia de soldado que ela adorava usar, ou seja, tirar aos poucos. Jasmim era muito parecida com a mãe de Ed. Por isso Ed sempre lhe pagava mais por uma chupeta. E olhe que chupeta de uma lésbica já é bem cara!
Ed quase se sentiu triste em ver seu corpo sem a cabeça. Uma boqueteira lésbica sem cabeça é algo frustrante. Ed lembra de sua mãe gemendo no banheiro com o limpador de piscina. Ela estava toda suja. Naquela época chegara a conclusão que o limpador era algum tipo de mutante. Dali só pode sair xixi! Tinha que salvar mamãe. Sorte saber onde papai guardava o revolver.
Alguém entrou em minha casa. Mas estou no porão. Sempre nos escondemos no porão. O porão é tudo de mais legal no mundo. Tente você também no porão. Olho nos olhos de Jasmim. Olho nos olhos de Ed. Meu querido meio irmão. Pois bem, não pude respeitar as regras da narrativa de 3ª pessoa. Fica pra próxima.
(Samuel Gois Martins) 09/08/2005
Saturday, August 06, 2005
Historias
- Foi quando deixei cair uma poesia do caderno.
Sou todos os olhos da humanidade,
Todos os ouvidos,
Todos os sabores.
E não posso acreditar no que estou vendo.
Não posso acreditar no que estou ouvindo.
Sou toda a esperança.
E o pecado de sonhar.
Não posso ser verdade.
Segurando o papel, ela olhou para mim com ternura. Ou pena mesmo.
“Bonito...”, ela falou.
“Rabiscos.”, respondi.
“Bonitos rabiscos.”, ela brincou.
Peguei o papel e guardei de volta em meu caderno.
“Também gosto dos sonhos.”, ela acrescentou.
“Não se arrisque tanto...”, terminei. Depois fui embora sem olhar pra trás.
- Você conta essa historia todo dia, velhote!
- E vou continuar contando...
- Não reduza sua vida a uma frustração idiota. Sei muito bem que nunca foi solitário, que foi um grande boêmio. Todas as mulheres da cidade eram suas!
- Não é uma historia sobre mulheres. É sobre sonhar.
- Mas você mesmo a desencorajou de continuar sonhando.
- É porque nunca lhe contei o que acontecia depois.
- O que?
- Eu acordava nesse asilo de merda.
(Samuel Gois Martins) 06/08/2005
Sou todos os olhos da humanidade,
Todos os ouvidos,
Todos os sabores.
E não posso acreditar no que estou vendo.
Não posso acreditar no que estou ouvindo.
Sou toda a esperança.
E o pecado de sonhar.
Não posso ser verdade.
Segurando o papel, ela olhou para mim com ternura. Ou pena mesmo.
“Bonito...”, ela falou.
“Rabiscos.”, respondi.
“Bonitos rabiscos.”, ela brincou.
Peguei o papel e guardei de volta em meu caderno.
“Também gosto dos sonhos.”, ela acrescentou.
“Não se arrisque tanto...”, terminei. Depois fui embora sem olhar pra trás.
- Você conta essa historia todo dia, velhote!
- E vou continuar contando...
- Não reduza sua vida a uma frustração idiota. Sei muito bem que nunca foi solitário, que foi um grande boêmio. Todas as mulheres da cidade eram suas!
- Não é uma historia sobre mulheres. É sobre sonhar.
- Mas você mesmo a desencorajou de continuar sonhando.
- É porque nunca lhe contei o que acontecia depois.
- O que?
- Eu acordava nesse asilo de merda.
(Samuel Gois Martins) 06/08/2005
Wednesday, July 27, 2005
O livro que não comecei
1
Essa é a historia do autor.
Não eu.
É um conto, sabe.
Meu conto.
E o que vou narrar nele nada tem haver comigo. E sim com o autor.
Alguém que nasceu depois de mim e que busca suicídio às escondidas.
Agora mesmo.
- Você ai, fique longe do varal.
Contorceu-se medroso para o banheiro.
Urinar é um jeito de relaxar.
Eu fui para o meu quarto. Tanta tralha encima da cama. Na verdade livros de importância para mim. Por isso dormem na cama.
Eu durmo no chão.
Dor nas costas. Poderia ser pior. Sempre poderia.
Procuro o relógio. Provavelmente dormindo com as tralhas. Não vou incomodá-lo.
Toalha vermelha. Ainda molhada. Um dia todo para secar. Ainda molhada.
Ligo o chuveiro.
Imagino como seria pisar num sabonete e bater com a cabeça na privada e assim morrer. Imagino meus pais desesperados. Afastar meu corpo gordo e ensangüentado do banheiro não vai ser fácil.
Imagino não morrer imediatamente e fica me contorcendo de dor.
As gotas chegam ao meu rosto.
Água fria desperta o que ainda estava dormindo.
Tento me secar com a toalha molhada.
Cueca. Bermuda. Camisa do festival legal que se arrependeu de não ir no ano passado.
Se ainda for de manhã devem ter os restos na mesa.
E tem.
Pessoas também. A vagina chefe. O juiz. O autor. Mas o autor não come na mesa. Tem um prato de ração para ele.
A historia é sobre ele.
A Vagina fala.
- Você se inscreveu naquele concurso publico como recomendei?
Não falo com vaginas.
- Eu me preocupo com seu futuro... Você não quer nada da vida!
Fico acariciando a cabeça do autor.
- Já vou.
Vai tarde Juiz.
- Boa aula, meu filho.
- Obrigado. E você, vê se faz algo da vida...
Eu faço. Não falar com juizes e vaginas é uma delas.
O autor fica lambendo alguma macha no chão que parece comestível.
- Vem cá, autor. Vamos escrever.
A Rainha de Grandes Seios deixou escorrer sangue inocente em sua lamina.
- Graças os Deuses não atrasou...
Lixo.
Lixo.
Lixo.
O autor corre com o rabo entre as pernas.
Burro só ele, pois sabe que não tem rabo.
- Alô?
- Você vai para a festa?
- Festa?
- Todo mundo vai para a festa.
- Festa?
- Ela também vai estar lá. Não te falaram mesmo da festa?
Festa?
Então musica alta e ruim invadem os meus tímpanos. Pessoas fazem algo que chamam de dançar.
Eu não sei fazer algo que chamam de dançar.
As pessoas estão bebendo.
Eu não bebo.
As pessoas estão sexualmente ativas.
Nunca fui sexualmente ativo.
- Graças aos deuses não atrasou...
A Rainha de Grandes Seios temia estar grávida do Bárbaro.
Ainda não escrevi sobre o bárbaro.
- Graças a deus não atrasou...
Conversas fúteis de meninas fúteis.
Seria legal trepar com uma delas.
- Festa...?
O Juiz chega do tribunal.
- Ficou sabendo da festa?
O autor quase bebe veneno de rato. Fui mais rápido.
- Escreva sobre o Bárbaro.
Ela também vai estar lá. O autor fez algo sobre o bárbaro? O juiz entrou no quarto com Ela.
Ela uma vez conversou horas comigo no telefone. Odeio telefone.
Ela gosta do autor. Diz que ele faz coisas legais.
O Bárbaro veio de uma terra montanhosa, onde apenas o frio governa o coração dos homens. O Bárbaro busca pelo calor de uma mulher.
De preferência com peitos grandes.
(Samuel Gois Martins) Datas diversas
Essa é a historia do autor.
Não eu.
É um conto, sabe.
Meu conto.
E o que vou narrar nele nada tem haver comigo. E sim com o autor.
Alguém que nasceu depois de mim e que busca suicídio às escondidas.
Agora mesmo.
- Você ai, fique longe do varal.
Contorceu-se medroso para o banheiro.
Urinar é um jeito de relaxar.
Eu fui para o meu quarto. Tanta tralha encima da cama. Na verdade livros de importância para mim. Por isso dormem na cama.
Eu durmo no chão.
Dor nas costas. Poderia ser pior. Sempre poderia.
Procuro o relógio. Provavelmente dormindo com as tralhas. Não vou incomodá-lo.
Toalha vermelha. Ainda molhada. Um dia todo para secar. Ainda molhada.
Ligo o chuveiro.
Imagino como seria pisar num sabonete e bater com a cabeça na privada e assim morrer. Imagino meus pais desesperados. Afastar meu corpo gordo e ensangüentado do banheiro não vai ser fácil.
Imagino não morrer imediatamente e fica me contorcendo de dor.
As gotas chegam ao meu rosto.
Água fria desperta o que ainda estava dormindo.
Tento me secar com a toalha molhada.
Cueca. Bermuda. Camisa do festival legal que se arrependeu de não ir no ano passado.
Se ainda for de manhã devem ter os restos na mesa.
E tem.
Pessoas também. A vagina chefe. O juiz. O autor. Mas o autor não come na mesa. Tem um prato de ração para ele.
A historia é sobre ele.
A Vagina fala.
- Você se inscreveu naquele concurso publico como recomendei?
Não falo com vaginas.
- Eu me preocupo com seu futuro... Você não quer nada da vida!
Fico acariciando a cabeça do autor.
- Já vou.
Vai tarde Juiz.
- Boa aula, meu filho.
- Obrigado. E você, vê se faz algo da vida...
Eu faço. Não falar com juizes e vaginas é uma delas.
O autor fica lambendo alguma macha no chão que parece comestível.
- Vem cá, autor. Vamos escrever.
A Rainha de Grandes Seios deixou escorrer sangue inocente em sua lamina.
- Graças os Deuses não atrasou...
Lixo.
Lixo.
Lixo.
O autor corre com o rabo entre as pernas.
Burro só ele, pois sabe que não tem rabo.
- Alô?
- Você vai para a festa?
- Festa?
- Todo mundo vai para a festa.
- Festa?
- Ela também vai estar lá. Não te falaram mesmo da festa?
Festa?
Então musica alta e ruim invadem os meus tímpanos. Pessoas fazem algo que chamam de dançar.
Eu não sei fazer algo que chamam de dançar.
As pessoas estão bebendo.
Eu não bebo.
As pessoas estão sexualmente ativas.
Nunca fui sexualmente ativo.
- Graças aos deuses não atrasou...
A Rainha de Grandes Seios temia estar grávida do Bárbaro.
Ainda não escrevi sobre o bárbaro.
- Graças a deus não atrasou...
Conversas fúteis de meninas fúteis.
Seria legal trepar com uma delas.
- Festa...?
O Juiz chega do tribunal.
- Ficou sabendo da festa?
O autor quase bebe veneno de rato. Fui mais rápido.
- Escreva sobre o Bárbaro.
Ela também vai estar lá. O autor fez algo sobre o bárbaro? O juiz entrou no quarto com Ela.
Ela uma vez conversou horas comigo no telefone. Odeio telefone.
Ela gosta do autor. Diz que ele faz coisas legais.
O Bárbaro veio de uma terra montanhosa, onde apenas o frio governa o coração dos homens. O Bárbaro busca pelo calor de uma mulher.
De preferência com peitos grandes.
(Samuel Gois Martins) Datas diversas
Tuesday, July 26, 2005
Feitos da Fé. Feitos da Duvida.
Quantos olhos Deus, o todo poderoso, terá? Quantos ele quiser ter, essa seria a resposta mais pratica. Mas pratico não é o meu nome do meio, muito menos o do lado. Atormentado por essa duvida procurei na religião uma resposta. Infelizmente a bíblia falava muito pouco com palavras demais. Claro que não desisti. Foi assim que me tornei padre. Mas não um padre qualquer. Tem cinco crianças de nove a um ano de idade penduradas ao redor de minha cama. Dei um jeito de deixar seus olhos bem abertos. Acredito que quando tiver o numero certo de olhos ao meu redor terei um sinal. Elas são tão boazinhas que não fazem nenhum barulhinho...
(Samuel Gois Martins) 26/07/2005
(Samuel Gois Martins) 26/07/2005
Sunday, July 24, 2005
Sortudo
Gozar da sorte é um meio pouco convencional de viver, porem muito bem aceito na sociedade. Viva a sociedade, está maquina de competência e prosperidade. Guardo pedaços de grandes feitos mundiais em um baú que chamo de esperança. Outro cheio de desgraças chamo de mamãe. Claro que ela não sabe disso. Toda noite enquanto dorme levo uma dose de morfina e bisturi para guarda direitinho todas as reportagens. Sortudo. É o que sou.
(Samuel de Gois Martins) 24/07/2005
(Samuel de Gois Martins) 24/07/2005
Saturday, July 23, 2005
Contando meses
Chegar cansado em casa. Tudo escuro. Sou apenas um com o chiado do aparelho de TV sem antena. Alguns meses e ainda não criei coragem para comprar antenas novas.
Com licença, eu gostaria de ver as antenas para aparelhos de TV. Só um estante. Já pensou em usar TV a cabo? E via satélite? Não obrigado. Quanto custa a antena mais barata? Você já se informou sobre as vantagens de possuir TV a cabo? Sim, já me informei. Não gostou? Gostei sim. Por favor, o preço da antena mais barata.
Cambaleando no escuro, roupas e livros jogados pelo chão. Os livros são emprestados e as roupas não conhecem água e sabão já faz algumas semanas. Tudo bem, eu não suo. Ar-condicionado o dia todo. Boca seca. Água. O telefone toca. Alô? Oi. Tudo bem. Tudo bem? Se me lembro? Hã... Sim. O que foi? Jantar? Claro que marquei. Tudo bem. Pode ser na sua casa? Vai tomar pílula? A TV esta chiando. Lembro mais uma vez da moça que não me vendeu antenas. Todo mundo tem obsessão por TV a cabo hoje em dia. Masturbo-me pensando nela. Por que elas sempre contam os meses? Treinamento pra quando embuchar. Só pode ser. Pílula o caralho. Por favor, esse ai. Dez. É que sou precoce. Proteção total, certo? Desligo a TV. Não era a gostosa do escritório. Aniversario de mamãe. Vou lavar a mão e procurar a cueca de anteontem. Por favor, um Doflex. É para mamãe.
(Samuel Gois Martins) 23/07/05
Com licença, eu gostaria de ver as antenas para aparelhos de TV. Só um estante. Já pensou em usar TV a cabo? E via satélite? Não obrigado. Quanto custa a antena mais barata? Você já se informou sobre as vantagens de possuir TV a cabo? Sim, já me informei. Não gostou? Gostei sim. Por favor, o preço da antena mais barata.
Cambaleando no escuro, roupas e livros jogados pelo chão. Os livros são emprestados e as roupas não conhecem água e sabão já faz algumas semanas. Tudo bem, eu não suo. Ar-condicionado o dia todo. Boca seca. Água. O telefone toca. Alô? Oi. Tudo bem. Tudo bem? Se me lembro? Hã... Sim. O que foi? Jantar? Claro que marquei. Tudo bem. Pode ser na sua casa? Vai tomar pílula? A TV esta chiando. Lembro mais uma vez da moça que não me vendeu antenas. Todo mundo tem obsessão por TV a cabo hoje em dia. Masturbo-me pensando nela. Por que elas sempre contam os meses? Treinamento pra quando embuchar. Só pode ser. Pílula o caralho. Por favor, esse ai. Dez. É que sou precoce. Proteção total, certo? Desligo a TV. Não era a gostosa do escritório. Aniversario de mamãe. Vou lavar a mão e procurar a cueca de anteontem. Por favor, um Doflex. É para mamãe.
(Samuel Gois Martins) 23/07/05
Friday, July 15, 2005
Confissões
Não vão acreditar quando entenderem que essa historia teve seu ponto zero quando uma descarga fez o dito grau de barulho que me acordaria.
- Puta merda! Há essa hora?
E o cheiro também.
A pior parte é saber que os “cuashes” irritantes eram produzidos por pedaços de massa fecal espatifando-se na água da privada
Alem de acordar irritado, por algum motivo parei para tentar descobrir que tipos de loucuras o álcool me levou na noite passado.
O primeiro choque foi saber que não estava verdadeiramente com ressaca, isso é, não havia bebido na noite passada.
Então tentei pensar no que teria me levado a não beber na noite passada.
Foi assustador entender que não recordava de nada anterior às cinco horas da tarde da noite passada. E que até este momento nada teria me motivado a me embebedar ou drogar com qualquer tipo de coisa.
Pior. Muito pior.
Pois também recordei que morava sozinho e que não existia a menor possibilidade daquelas massas fecais caindo na água da privada não serem minhas.
Conclui duas coisas lógicas que poderia explicar perfeitamente todo o paradoxo. Primeiro: poderia ter sido capturado por E.Ts e recebido uma sonda no cu. Provavelmente quem está no banheiro soltando um barro é um alienígena que ficou para me vigiar.
A segunda hipótese: eu sou um clone de mim mesmo que foi clonado aproximadamente pelas cinco horas. Enquanto eu fui soltar um barro os cientistas conspiradores teriam posto o meu corpo clonado para acorda e assim enlouquecer com o fato, então, literalmente, me matar.
Mas por que alienígenas enfiariam uma sonda no meu cu ou cientistas iriam querer que um clone de mim mesmo me matasse?
Provavelmente eu devo ser muito importante. Talvez um predestinado com super-poderes, onde apenas eu poderia me derrotar. Talvez muito bonito e os alienígenas sejam homossexuais pervertidos com fissura em por sondas no cu.
Sempre guardo uma navalha de barbear reserva na gaveta do móvel.
Dos dois casos ou me mataria ou mataria o visitante de outro planeta. Sabe, nem olhei direito para o que matei. Só sei que quando me viu falou algo como “Papai, você não já fez a barba?”.
Samuel Gois Martins 16/07/05
- Puta merda! Há essa hora?
E o cheiro também.
A pior parte é saber que os “cuashes” irritantes eram produzidos por pedaços de massa fecal espatifando-se na água da privada
Alem de acordar irritado, por algum motivo parei para tentar descobrir que tipos de loucuras o álcool me levou na noite passado.
O primeiro choque foi saber que não estava verdadeiramente com ressaca, isso é, não havia bebido na noite passada.
Então tentei pensar no que teria me levado a não beber na noite passada.
Foi assustador entender que não recordava de nada anterior às cinco horas da tarde da noite passada. E que até este momento nada teria me motivado a me embebedar ou drogar com qualquer tipo de coisa.
Pior. Muito pior.
Pois também recordei que morava sozinho e que não existia a menor possibilidade daquelas massas fecais caindo na água da privada não serem minhas.
Conclui duas coisas lógicas que poderia explicar perfeitamente todo o paradoxo. Primeiro: poderia ter sido capturado por E.Ts e recebido uma sonda no cu. Provavelmente quem está no banheiro soltando um barro é um alienígena que ficou para me vigiar.
A segunda hipótese: eu sou um clone de mim mesmo que foi clonado aproximadamente pelas cinco horas. Enquanto eu fui soltar um barro os cientistas conspiradores teriam posto o meu corpo clonado para acorda e assim enlouquecer com o fato, então, literalmente, me matar.
Mas por que alienígenas enfiariam uma sonda no meu cu ou cientistas iriam querer que um clone de mim mesmo me matasse?
Provavelmente eu devo ser muito importante. Talvez um predestinado com super-poderes, onde apenas eu poderia me derrotar. Talvez muito bonito e os alienígenas sejam homossexuais pervertidos com fissura em por sondas no cu.
Sempre guardo uma navalha de barbear reserva na gaveta do móvel.
Dos dois casos ou me mataria ou mataria o visitante de outro planeta. Sabe, nem olhei direito para o que matei. Só sei que quando me viu falou algo como “Papai, você não já fez a barba?”.
Samuel Gois Martins 16/07/05
Tuesday, July 12, 2005
Cheiro de queimado, melodias do passado
Era uma vez quando tentei recordar daquelas canções que me ensinavam quando era criança. Uma longa e perturbadora viagem se seguiu dentro de minha mente, perdido entre diversos traumas e recordações dolorosas. Foi quando me toquei de o quanto minha infância foi cheia de problemas.
Tudo bem, afinal de contas ainda restavam as canções. As canções que ainda não consegui encontrar. Mas que tenho certeza estar escondidas em algum lugar. Nas gavetas do velho quarto, defendidas por soldadinhos de chumbo. Escondidas num canto de minha boca, loucas para sair em uma vibração de desabafo.
Onde estão aquelas velhas canções que me ensinaram quando era criança?
Dos traumas lembro tão bem...
Um deles, tomando café em uma sala olhava para mim com desaprovação.
- Quem mandou você pisar no gramado?
Olhos lábios. Falando em uni som toda sua desaprovação.
- Eu... Eu não queria...
- Não queria todos aqueles brinquedos espalhados pelo terraço também?
- Não me olhe assim!
Cheiro de queimado.
Por hora esquecer. Hora do almoço.
Samuel Gois Martins (12/07/05)
Tudo bem, afinal de contas ainda restavam as canções. As canções que ainda não consegui encontrar. Mas que tenho certeza estar escondidas em algum lugar. Nas gavetas do velho quarto, defendidas por soldadinhos de chumbo. Escondidas num canto de minha boca, loucas para sair em uma vibração de desabafo.
Onde estão aquelas velhas canções que me ensinaram quando era criança?
Dos traumas lembro tão bem...
Um deles, tomando café em uma sala olhava para mim com desaprovação.
- Quem mandou você pisar no gramado?
Olhos lábios. Falando em uni som toda sua desaprovação.
- Eu... Eu não queria...
- Não queria todos aqueles brinquedos espalhados pelo terraço também?
- Não me olhe assim!
Cheiro de queimado.
Por hora esquecer. Hora do almoço.
Samuel Gois Martins (12/07/05)
Sunday, July 03, 2005
A Longa barba do Shaolin
Mestre Tong Ling me acorda sempre às quatro da manhã para treinar.
Quatro da manhã.
Sempre associo com os seus chutes. Começa com os chutes. Amigamente associava aos hematomas. Hoje posso me esquivar. São apenas chutes.
Não.
São apenas correntes de ar.
Os olhos de Tong Ling revelam satisfação. Ele acaricia sua longa barba Shaolin e indica que eu o siga.
Eu o sigo.
Eu paro.
Seus outros alunos, alunos menores. Já fui um deles. Ataque pela esquerda. Ele ainda não pode voar. Eu posso voar. Já quase perdi meu coração uma vez. O pobre coitado perdeu.
Ele ainda pulsa em minha mão.
Tong Long me desaprova.
Argumento que vai sobrar mais comida.
Ele acaricia sua longa barba Shaolin.
Eu o sigo.
Wu Fa 03/07/2005
Quatro da manhã.
Sempre associo com os seus chutes. Começa com os chutes. Amigamente associava aos hematomas. Hoje posso me esquivar. São apenas chutes.
Não.
São apenas correntes de ar.
Os olhos de Tong Ling revelam satisfação. Ele acaricia sua longa barba Shaolin e indica que eu o siga.
Eu o sigo.
Eu paro.
Seus outros alunos, alunos menores. Já fui um deles. Ataque pela esquerda. Ele ainda não pode voar. Eu posso voar. Já quase perdi meu coração uma vez. O pobre coitado perdeu.
Ele ainda pulsa em minha mão.
Tong Long me desaprova.
Argumento que vai sobrar mais comida.
Ele acaricia sua longa barba Shaolin.
Eu o sigo.
Wu Fa 03/07/2005
Tuesday, June 28, 2005
Lugar deprimente
Estou procurando por um lugar.
Não sei bem onde é.
Seis da manhã. Um pesadelo ajuda na pontualidade. Encarar o mesmo teto há tantos anos tem sido parecido com uma doença.
Cinco minutos costumo demora em sair da cama. Os cinco minutos que me fazem lembrar de o quanto me odeio.
Eu me odeio.
Eu me odeio.
Eu me odeio.
- Já acordou?
Eu me odeio.
- Oi?
- Eu me odeio.
- Hã?
- Bom dia...
- Você esta bem?
- Difícil responder isso após acabar de acordar.
Mais um suspiro. Contenho uma lagrima. Quantas eu já contive todas as manhãs? Preciso sair. Encontrar o lugar.
- Vou sair.
- Pra onde?
- Não tenho para onde ir. É por isso que tenho que sair.
Eu preciso achar um lugar.
O lugar.
Hoje irei ao centro. O centro é cheio deles. Os lugares. Muita gente não gosta do centro. Eu penso que possa existir certo carisma.
Vou tomar banho.
O banho me toma.
Cada gota do chuveiro me castiga com o frio. Contenho-me para não tremer. Cantarolo baixinho alguma coisa qualquer que não sei cantar.
Nota: Texto incompleto. Escrevi-o bem deprimido e como não estou mais deprimido não sei continua-lo (nem quero na verdade).
Samuel Gois Martins 28/06/2005
Não sei bem onde é.
Seis da manhã. Um pesadelo ajuda na pontualidade. Encarar o mesmo teto há tantos anos tem sido parecido com uma doença.
Cinco minutos costumo demora em sair da cama. Os cinco minutos que me fazem lembrar de o quanto me odeio.
Eu me odeio.
Eu me odeio.
Eu me odeio.
- Já acordou?
Eu me odeio.
- Oi?
- Eu me odeio.
- Hã?
- Bom dia...
- Você esta bem?
- Difícil responder isso após acabar de acordar.
Mais um suspiro. Contenho uma lagrima. Quantas eu já contive todas as manhãs? Preciso sair. Encontrar o lugar.
- Vou sair.
- Pra onde?
- Não tenho para onde ir. É por isso que tenho que sair.
Eu preciso achar um lugar.
O lugar.
Hoje irei ao centro. O centro é cheio deles. Os lugares. Muita gente não gosta do centro. Eu penso que possa existir certo carisma.
Vou tomar banho.
O banho me toma.
Cada gota do chuveiro me castiga com o frio. Contenho-me para não tremer. Cantarolo baixinho alguma coisa qualquer que não sei cantar.
Nota: Texto incompleto. Escrevi-o bem deprimido e como não estou mais deprimido não sei continua-lo (nem quero na verdade).
Samuel Gois Martins 28/06/2005
Sunday, June 26, 2005
A hora
A hora: Vamos, está na **.
O louco: Não posso ir.
O gordo: Estou sem pernas.
O louco: Onde foi que as perdeu?
O louco: Guardei-as em algum lugar e não acho mais.
O louco: Não deixou na cozinha?
O louco: Não tenho cozinha.
A hora: Você vai se atrasar...
E as gravatas?
A hora: As gravatas!
O louco: Não posso esquecer as gravatas!
A mulher: Você tem namorada?
O gordo: Você quer namorar?
O gordo: É só brincadeira.
O gordo: Não me olhe assim!
A hora: Não beba demais. Achou as penas?
E as gravatas?
O louco: Estou gordo.
O louco: Será que ela vai gostar de você?
O louco: Você quer namorar?
O espelho: Você quer namorar?
Namorar é uma palavra brega, que nem as gravatas.
O gordo: E as pernas.
A mulher: Como disse?
O louco: Que bom que achei as penas.
A hora: Não chegue tarde.
A mulher: Seria melhor sermos apenas amigos.
O louco: Vou matar o gordo.
O louco: Eu também.
O louco: Deixem o coitado.
O gordo: Estou suando.
A mulher: Gordos fedem desse jeito?
A hora: Não chegue depois da meia noite.
A fada madrinha: Gordo fedorento.
As pernas: Andam.
A mulher: Foi bom conhecer você.
A mulher: Seremos bons amigos.
A mulher: Por que esta andando no meio da rua?
A mulher: Cuidado com o carro!
O louco: Até outro dia!
O louco: Foi bom conhecer você!
A hora: Isso são horas?!
O gordo: Morri.
A mulher: Merda!
O louco: Caralho!
A hora: Puta que pariu!
O carro: Crash.
O louco: Na sala. As pernas estão na sala!
O gordo veste a camisa menos apertada e penteia seu cabelo. A gravata é de mau gosto, mas de bom coração. Espera que role algo.
(Samuel Gois Martins) 26/06/2005
O louco: Não posso ir.
O gordo: Estou sem pernas.
O louco: Onde foi que as perdeu?
O louco: Guardei-as em algum lugar e não acho mais.
O louco: Não deixou na cozinha?
O louco: Não tenho cozinha.
A hora: Você vai se atrasar...
E as gravatas?
A hora: As gravatas!
O louco: Não posso esquecer as gravatas!
A mulher: Você tem namorada?
O gordo: Você quer namorar?
O gordo: É só brincadeira.
O gordo: Não me olhe assim!
A hora: Não beba demais. Achou as penas?
E as gravatas?
O louco: Estou gordo.
O louco: Será que ela vai gostar de você?
O louco: Você quer namorar?
O espelho: Você quer namorar?
Namorar é uma palavra brega, que nem as gravatas.
O gordo: E as pernas.
A mulher: Como disse?
O louco: Que bom que achei as penas.
A hora: Não chegue tarde.
A mulher: Seria melhor sermos apenas amigos.
O louco: Vou matar o gordo.
O louco: Eu também.
O louco: Deixem o coitado.
O gordo: Estou suando.
A mulher: Gordos fedem desse jeito?
A hora: Não chegue depois da meia noite.
A fada madrinha: Gordo fedorento.
As pernas: Andam.
A mulher: Foi bom conhecer você.
A mulher: Seremos bons amigos.
A mulher: Por que esta andando no meio da rua?
A mulher: Cuidado com o carro!
O louco: Até outro dia!
O louco: Foi bom conhecer você!
A hora: Isso são horas?!
O gordo: Morri.
A mulher: Merda!
O louco: Caralho!
A hora: Puta que pariu!
O carro: Crash.
O louco: Na sala. As pernas estão na sala!
O gordo veste a camisa menos apertada e penteia seu cabelo. A gravata é de mau gosto, mas de bom coração. Espera que role algo.
(Samuel Gois Martins) 26/06/2005
Tuesday, June 14, 2005
Violência e vulgaridades desnecessárias de Deus
No final do corredor vejo as linhas que formam o destino.
Essas linhas medem seus 1,68 centímetros e devia perder uns quilinhos.
Linhas que fedem a pessoa que urina e não lava as mãos.
As mãos estão bem próximas, acompanhadas de um sorriso amarelo imbecil.
Exatamente 35 segundos se passam.
- Bem, você deve ser você.
- É, sou eu mesmo.
- Poderia me acompanhar?
Por que o idiota continua apontando a mão para mim? Fedor de porra desgraçado. Não é mijo não. Punheitero desgraçado filho de uma puta. Não vou aperta sua mão. Não mesmo...
- É um prazer...
Ele segura a minha mão firme. É veado. Tenho certeza. Firme demais. Achou que eu não ia notar, em?
Caminhamos com uma pressa discreta até o final do corredor. A luz inicial ofusca meus olhos. A luz saia da própria pele do sujeito. O Foda em pessoa.
O Foda fala:
- Analisamos cuidadosamente o seu perfil empresarial...
Eu fico olhando com cara de cu. Calado, escutando a voz fodonica do Foda.
- Você parece possuidor de categoria para este trabalho...
Mais categoria que eu, só o aquele negão de pau enorme dos filmes pornôs. Qual o nome dele mesmo?
- Diga, aqui fala que você possui total desapreço pela vida e valores morais...
Long Dond Silver, acho que é esse o nome.
- Você está realmente disposto a fazer o trabalho sujo?
- Com toda certeza. – respondo com aquela cara de balconista do Bob’s.
- O que acha de meu assistente?
Encaro o gorducho punheteiro com o sorriso da hora do pagamento, o seu Bib Bob, senhor.
- Um punheteiro fedorento gordo de merda.
O retardado continua com aquele sorriso de antes.
- Você o mataria?
- Com todo prazer.
O Foda tira da gaveta uma arma bem legal. Daquelas que fazem bang bang com estilo, tipo aqueles filmes de Tarantino. Senti até a trilha sonora.
Bang bang.
O sangue escorreu pelo carpete. Sorte que a cor era a mesma.
(Samuel Gois Martins) 14/06/2005
Essas linhas medem seus 1,68 centímetros e devia perder uns quilinhos.
Linhas que fedem a pessoa que urina e não lava as mãos.
As mãos estão bem próximas, acompanhadas de um sorriso amarelo imbecil.
Exatamente 35 segundos se passam.
- Bem, você deve ser você.
- É, sou eu mesmo.
- Poderia me acompanhar?
Por que o idiota continua apontando a mão para mim? Fedor de porra desgraçado. Não é mijo não. Punheitero desgraçado filho de uma puta. Não vou aperta sua mão. Não mesmo...
- É um prazer...
Ele segura a minha mão firme. É veado. Tenho certeza. Firme demais. Achou que eu não ia notar, em?
Caminhamos com uma pressa discreta até o final do corredor. A luz inicial ofusca meus olhos. A luz saia da própria pele do sujeito. O Foda em pessoa.
O Foda fala:
- Analisamos cuidadosamente o seu perfil empresarial...
Eu fico olhando com cara de cu. Calado, escutando a voz fodonica do Foda.
- Você parece possuidor de categoria para este trabalho...
Mais categoria que eu, só o aquele negão de pau enorme dos filmes pornôs. Qual o nome dele mesmo?
- Diga, aqui fala que você possui total desapreço pela vida e valores morais...
Long Dond Silver, acho que é esse o nome.
- Você está realmente disposto a fazer o trabalho sujo?
- Com toda certeza. – respondo com aquela cara de balconista do Bob’s.
- O que acha de meu assistente?
Encaro o gorducho punheteiro com o sorriso da hora do pagamento, o seu Bib Bob, senhor.
- Um punheteiro fedorento gordo de merda.
O retardado continua com aquele sorriso de antes.
- Você o mataria?
- Com todo prazer.
O Foda tira da gaveta uma arma bem legal. Daquelas que fazem bang bang com estilo, tipo aqueles filmes de Tarantino. Senti até a trilha sonora.
Bang bang.
O sangue escorreu pelo carpete. Sorte que a cor era a mesma.
(Samuel Gois Martins) 14/06/2005
Thursday, June 02, 2005
Coração mascarado e a chuva de palavras molhadas
Chove. É o tempo. E o tempo não passa.
Termino um parágrafo do livro. Mais um cheio de palavras. E as palavras vão se perdendo. Elas fogem para algum lugar melhor. Mesmo assim o teto é branco.
Esta usando mascara e chega sorrateira. Cheia de perguntas.
- Mais palavras?
- Ou menos. Estou perto do fim.
- E sobre o que são?
- Ainda não sei ao certo.
- Mesmo perto do fim?
- Mesmo terminando o livro. Eu não vou saber sobre o que é.
- Por quê?
- O livro é sobre liberdade. Sobre amor.
Ele mira bem nos olhos, escondidos por detrás da mascara.
- Você não sabe nada sobre os dois...
- Quem sabe? Você sabe? Não sabe. Você esta tão presa numa mascara. E é tão seguro nela. Não é mesmo? Está tão segura distante daqueles que amariam o seu rosto. Amariam o seu corpo.
- E dos olhos todos tem medo
Sobe na cama. Parece um gato. Abraça-o.
Sussurra:
- A chuva não para.
- É o tempo – ele responde.
- E o tempo não passa...
Não poderei entender o livro.
O livro parece não ter fim.
(Samuel Gois Martins) 02/06/2005
Termino um parágrafo do livro. Mais um cheio de palavras. E as palavras vão se perdendo. Elas fogem para algum lugar melhor. Mesmo assim o teto é branco.
Esta usando mascara e chega sorrateira. Cheia de perguntas.
- Mais palavras?
- Ou menos. Estou perto do fim.
- E sobre o que são?
- Ainda não sei ao certo.
- Mesmo perto do fim?
- Mesmo terminando o livro. Eu não vou saber sobre o que é.
- Por quê?
- O livro é sobre liberdade. Sobre amor.
Ele mira bem nos olhos, escondidos por detrás da mascara.
- Você não sabe nada sobre os dois...
- Quem sabe? Você sabe? Não sabe. Você esta tão presa numa mascara. E é tão seguro nela. Não é mesmo? Está tão segura distante daqueles que amariam o seu rosto. Amariam o seu corpo.
- E dos olhos todos tem medo
Sobe na cama. Parece um gato. Abraça-o.
Sussurra:
- A chuva não para.
- É o tempo – ele responde.
- E o tempo não passa...
Não poderei entender o livro.
O livro parece não ter fim.
(Samuel Gois Martins) 02/06/2005
Monday, May 30, 2005
Lagrimas
Lagrimas?Chove todo dia, não precisamos de lagrimas.
Mas o garoto miúdo não se deixou vencer pelas palavras frias de sua irmã magra.
As lagrimas estão em algum lugar, fala pra si mesmo.
Escolheu pegar carona num rio de chuva que surgiu próxima a avenida de sua moradia. Ele deslizou até chegar nos porões do esgoto onde tiraria suas duvidas com um peludo narigudo.
O peludo narigudo. Em posição de lótus se banhando numa cachoeira de fezes do banheiro numero quinhentos. Um número sagrado.
Garoto miúdo não tinha palavras, nem pensamentos, para descrever o quão nojento e iluminado era aquela visão.
Diga Miúdo, o que o traz aqui?
O que o traz aqui? Boa pergunta.
Lagrimas.
As chuvas acabaram com as lagrimas...
Não existem mais lagrimas?
As pessoas não têm mais coragem de enxugá-las. Pediram para os cientistas darem um jeito.
Os cientistas transformaram em chuva?
Basicamente.
Mas todos continuam tristes...
Por isso chove.
O garoto então entendeu e sentou-se ao lado do peludo narigudo.
(Samuel Gois Martins) 30/05/05
Mas o garoto miúdo não se deixou vencer pelas palavras frias de sua irmã magra.
As lagrimas estão em algum lugar, fala pra si mesmo.
Escolheu pegar carona num rio de chuva que surgiu próxima a avenida de sua moradia. Ele deslizou até chegar nos porões do esgoto onde tiraria suas duvidas com um peludo narigudo.
O peludo narigudo. Em posição de lótus se banhando numa cachoeira de fezes do banheiro numero quinhentos. Um número sagrado.
Garoto miúdo não tinha palavras, nem pensamentos, para descrever o quão nojento e iluminado era aquela visão.
Diga Miúdo, o que o traz aqui?
O que o traz aqui? Boa pergunta.
Lagrimas.
As chuvas acabaram com as lagrimas...
Não existem mais lagrimas?
As pessoas não têm mais coragem de enxugá-las. Pediram para os cientistas darem um jeito.
Os cientistas transformaram em chuva?
Basicamente.
Mas todos continuam tristes...
Por isso chove.
O garoto então entendeu e sentou-se ao lado do peludo narigudo.
(Samuel Gois Martins) 30/05/05
Thursday, May 26, 2005
Diálogos de época
- Quero uma guilhotina, ela arranca cabeças sabe... A minha? Não, a sua. É, a sua. Vai rolar pelo chão até cair em meio ao publico. Vai ser a melhor parte do show.
- Senhor, lamina serrada ou bem afiada?
- Qual dói mais?
- Serrada. Mas acho que não vai cortar de imediato...
- Serrada então. Não chore, por favor. Por que você? E ainda pergunta? Olha só onde estamos! Idade Media, das Trevas, período feudal, bla bla...!
- Senhor.
- Diga.
- Estamos sem laminas.
- Sem laminas? E a forca?
- Os cupins...
- Eu mandei vocês cuidarem desse problema dos cupins na semana passada!
- Desculpe, senhor! Por que não deixa o publico apedrejar o culpado ate a morte?
- Não é má idéia... O que você acha? Gritar e chorar não vai mudar o fato de que será acusado de bruxaria... Injustiça? E aquele gato preto? Não me diga que você apenas dava leitinho que eu não caio mais nessa! O que mais? O que mais? Você ainda pergunta?! O padeiro me falou que você andou falando que a terra era redonda, que coisa mais feia...!
- Senhor o povo não quer apedrejar, alegam ser cafona. Pediram por churrasco.
- Churrasco então. Como? Você tem alergia a fogo? Não se preocupe. É só na primeira vez... Onde está o meu capuz?
(Samuel Gois Martins) 26/05/2005
- Senhor, lamina serrada ou bem afiada?
- Qual dói mais?
- Serrada. Mas acho que não vai cortar de imediato...
- Serrada então. Não chore, por favor. Por que você? E ainda pergunta? Olha só onde estamos! Idade Media, das Trevas, período feudal, bla bla...!
- Senhor.
- Diga.
- Estamos sem laminas.
- Sem laminas? E a forca?
- Os cupins...
- Eu mandei vocês cuidarem desse problema dos cupins na semana passada!
- Desculpe, senhor! Por que não deixa o publico apedrejar o culpado ate a morte?
- Não é má idéia... O que você acha? Gritar e chorar não vai mudar o fato de que será acusado de bruxaria... Injustiça? E aquele gato preto? Não me diga que você apenas dava leitinho que eu não caio mais nessa! O que mais? O que mais? Você ainda pergunta?! O padeiro me falou que você andou falando que a terra era redonda, que coisa mais feia...!
- Senhor o povo não quer apedrejar, alegam ser cafona. Pediram por churrasco.
- Churrasco então. Como? Você tem alergia a fogo? Não se preocupe. É só na primeira vez... Onde está o meu capuz?
(Samuel Gois Martins) 26/05/2005
Tuesday, May 24, 2005
Voar, amar, etc.
Pequena Jasmim recentemente aprendeu a voar.
Como é o céu visto lá de cima, pequena Jasmim?
- São milhares de centenas de bolhas flutuando. Com todas as cores. E o som do vento são todas as melodias. Por um momento você sente um choque que percorre todo o corpo. É exatamente ai que descobri sobre a liberdade.
Liberdade?
- É. Liberdade. Tão surreal. Próximo da morte... Tem sabor de morango.
Morango?
- Só os plantados no Pólo Sul.
Pequena Jasmim... Isso é voar? Para mim você esta amando...
- Amando? Não mesmo... Quando amamos infelizmente estamos com o pé bem no chão.
(Samuel Gois Martins) 24/09/2005
Como é o céu visto lá de cima, pequena Jasmim?
- São milhares de centenas de bolhas flutuando. Com todas as cores. E o som do vento são todas as melodias. Por um momento você sente um choque que percorre todo o corpo. É exatamente ai que descobri sobre a liberdade.
Liberdade?
- É. Liberdade. Tão surreal. Próximo da morte... Tem sabor de morango.
Morango?
- Só os plantados no Pólo Sul.
Pequena Jasmim... Isso é voar? Para mim você esta amando...
- Amando? Não mesmo... Quando amamos infelizmente estamos com o pé bem no chão.
(Samuel Gois Martins) 24/09/2005
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