medicamento genérico
paracetamol
quatro unidades
falta um
a noite passada foi horrível não faço idéia do que fiz só sei que a ressaca ta grande
saio da banheira e vou até meu quarto
no meu quarto estão as mesmas roupas de sempre e sempre as mesmas roupas que visto
não tenho carro então sobra o ônibus
chego atrasado lá se vai o ônibus
duas horas esperando
preciso de café
vou para ao café mais próxima
café quero café
não temos café
não tem café em um café
não
eu quero café
gostaria de água com gás
não eu quero café
e sorvete
café
café faz mal sabia
isso é um café seu bosta
não venha com ignorância senhor sou um homem trabalhador honesto que merece respeito
café
não temos café
vai se foder
e saio da cafeteira sem café
sem café
paracetamol agora restam dois
consigo perder o ônibus de novo
merda
disco para o trabalho
tenho um celular
alô
caralho é você
sim sou eu
lembra de ontem
não
caralho
o que foi
foi foda
imagino
foi mesmo
foi
é
eu vou chegar atrasado
tudo bem se fosse eu não vinha aqui nem tão cedo
por quê
depois de ontem...
porra o que teve ontem
você não lembra
já disse que não lembro
foi foda
você já disse
você comeu a esposa do patrão na frente dele
hsg
Isso mesmo
a esposa
sim
do patrão
na frente dele
é
caralho
falei que foi foda
caralho preciso de café
volto para o café sem café
porra eu preciso de café
você de novo já falei que não temos café
porra por favor
saia do estabelecimento senhor
café
puxo um palito de dentes e aponto para o pescoço do balconista
café porra
você não pode me matar com isso
café
eu já ativei o alarme a policia esta vindo
eu quero café
parado parado
café
prendam esse maluco
saio correndo levo um tiro na perna tudo bem não gostava daquela perna
me arrasto até o ponto de ônibus
os policiais vêm atrás de mim
perdi o ônibus novamente
parado
parado
levanto minhas mãos
onde está a arma
solto o palito de dentes
puta que pariu
é um psicopata maldito
com um palito de dentes
que horrível
é desumano
desumano
eu quero café
sou preso em algemas e chutado para um camburão
eu só queria café
e lembrar se a esposa do patrão era gostosa
(Samuel Gois Martins) 12/01/2005
“o governo e diversas multinacionais pagam os alienígenas cabeçudos para bombardearem em nossas mentes propagandas e publicidades subliminares””
Thursday, January 12, 2006
Sunday, January 08, 2006
E tudo começa outra vez
- Vejam!
- É um pássaro?
- Um avião?
Um suicida. O vento batendo no meu rosto, a sensação de descobrir a textura das nuvens. O sol sempre nascendo quando vou um pouco mais para o leste...
Falido. A esposa me abandonou com um palhaço de circo. Meu filho se tornou um viciado. Quais motivos eu terei para continuar vivo? A vida é uma bosta. Sempre foi. Nunca tive amigos de verdade, sempre odiei tudo que fiz, meus pais me tratam como um lixo. Provavelmente eu realmente seja um lixo.
Fechou os olhos e pulou. O vento batendo no rosto.
- Vejam!
- É um pássaro?
- Um avião?
A sensação de descobrir a textura das nuvens.
Já estou morto? Abro meus olhos. Se isso é estar morto já o deveria ter feito há muito tempo. Estou centenas de metros do chão. Voando. Belisco meu braço. Concluo que aquilo tudo é bem real. Seria uma segunda chance? Há quanto tempo posso voar e não sabia? Será que toda vida eu tinha este dom e nem reparei?
- Sempre reclamando de tudo...
- Vejam!
- É um pássaro?
- Um avião?
- Não!
- Só não vai dizer que é o super-homem né!
O sol sempre nascendo quando vou um pouco mais para o leste... E tudo começa outra vez.
(Samuel Gois Martins) 08/01/06
*nota - Originalmente é roteiro inspirado na obra Superman – Identidade Secreta, de Kurt Busiek e Stuart Immonen. Como um quadrinho permite mais de um foco narrativo acabei escolhendo manter os três focos narrativos no texto, mesmo que fique estranho.
- É um pássaro?
- Um avião?
Um suicida. O vento batendo no meu rosto, a sensação de descobrir a textura das nuvens. O sol sempre nascendo quando vou um pouco mais para o leste...
Falido. A esposa me abandonou com um palhaço de circo. Meu filho se tornou um viciado. Quais motivos eu terei para continuar vivo? A vida é uma bosta. Sempre foi. Nunca tive amigos de verdade, sempre odiei tudo que fiz, meus pais me tratam como um lixo. Provavelmente eu realmente seja um lixo.
Fechou os olhos e pulou. O vento batendo no rosto.
- Vejam!
- É um pássaro?
- Um avião?
A sensação de descobrir a textura das nuvens.
Já estou morto? Abro meus olhos. Se isso é estar morto já o deveria ter feito há muito tempo. Estou centenas de metros do chão. Voando. Belisco meu braço. Concluo que aquilo tudo é bem real. Seria uma segunda chance? Há quanto tempo posso voar e não sabia? Será que toda vida eu tinha este dom e nem reparei?
- Sempre reclamando de tudo...
- Vejam!
- É um pássaro?
- Um avião?
- Não!
- Só não vai dizer que é o super-homem né!
O sol sempre nascendo quando vou um pouco mais para o leste... E tudo começa outra vez.
(Samuel Gois Martins) 08/01/06
*nota - Originalmente é roteiro inspirado na obra Superman – Identidade Secreta, de Kurt Busiek e Stuart Immonen. Como um quadrinho permite mais de um foco narrativo acabei escolhendo manter os três focos narrativos no texto, mesmo que fique estranho.
Friday, January 06, 2006
É mulher?
A tampa do esgoto voou pra longe, de lá saiu um italiano. Pensei logo no Mario. Ele estava armado com uma lança tribal africana e gritava asneira sobre Mussolini. Eu tinha um 38 no bolso.
- Desculpe... Mas eu amo outro.
Não demonstrei nenhuma emoção.
- Você me traiu?
- Não! Eu juro que não! Por isso vim abrir meu coração para você. O respeito demais... É como um irm...
- Não diga essa palavra. Por favor.
E sai do bar.
Ai a tampa de esgoto voou pra longe. Mario africano anarquista. Mussolini. E eu doido pra matar um hoje. Tirei a arma e apontei para o idiota. Ele começa a chorar. Solta a lança no chão. Senta-se na quina da calçada e chora cada vez mais. Meu coração amolece.
- É mulher?
E ofereço um lenço para ele.
(Samuel Gois Martins) 06/01/06
- Desculpe... Mas eu amo outro.
Não demonstrei nenhuma emoção.
- Você me traiu?
- Não! Eu juro que não! Por isso vim abrir meu coração para você. O respeito demais... É como um irm...
- Não diga essa palavra. Por favor.
E sai do bar.
Ai a tampa de esgoto voou pra longe. Mario africano anarquista. Mussolini. E eu doido pra matar um hoje. Tirei a arma e apontei para o idiota. Ele começa a chorar. Solta a lança no chão. Senta-se na quina da calçada e chora cada vez mais. Meu coração amolece.
- É mulher?
E ofereço um lenço para ele.
(Samuel Gois Martins) 06/01/06
Thursday, January 05, 2006
Guerra
Os patos decolaram para longe. O comandante aparentava ter herpes. O rio ondulou durante a decolagem. Por sorte não se enroscaram nas pipas. É um dia de verão qualquer em algum lugar. Onde está Juliana? Joguei uma pedrinha no rio.
Ondas. Os patos decolaram com o susto. Decolaram para longe. O comandante tinha uma plumagem esquisita, lembrando meu pai com herpes. As pipas estavam aos montes, por sorte não se enroscaram entre si. E nem enroscaram nos patos.
- Desculpe o atraso!
Juliana.
- Onde você estava?
- Estava terminando a cesta do piquenique.
- Tudo bem...
- Está preocupado com o seu pai?
- Guerra.
- E ele é o comandante...
Lembro do pato. Lembro do herpes.
- Você tem problemas com herpes, Juliana?
- Deus! Não! Eu sou virgem...
Olho bem nos olhos dela. Ela é virgem. Os olhos de uma virgem. O rio ondula. Os patos já estão bem longe. Jogo outra pedra. Mais ondas. Herpes.
- Esta duvidando de mim?!
- Não é isso. Hoje é um dia estranho.
- Como assim?
Jogo outra pedra.
Ondas.
- Sonhei com o meu pai.
- Você precisa se libertar do fantasma de seu pai...
- Mas ele pode não está morto.
- Estamos em guerra! Ele foi para morrer. Se ele voltar, ele vai estar de varias formas, menos vivo...
- Ele ainda vai ter herpes?
- Talvez coisa pior. Sabe-se lá o que solados solitários fazem nesses lugares...
As pipas se enroscam. Jogo outra pedra. Ondas.
- O comandante deve está indo para o sul...
(Samuel Gois Martins) 05/01/06
Ondas. Os patos decolaram com o susto. Decolaram para longe. O comandante tinha uma plumagem esquisita, lembrando meu pai com herpes. As pipas estavam aos montes, por sorte não se enroscaram entre si. E nem enroscaram nos patos.
- Desculpe o atraso!
Juliana.
- Onde você estava?
- Estava terminando a cesta do piquenique.
- Tudo bem...
- Está preocupado com o seu pai?
- Guerra.
- E ele é o comandante...
Lembro do pato. Lembro do herpes.
- Você tem problemas com herpes, Juliana?
- Deus! Não! Eu sou virgem...
Olho bem nos olhos dela. Ela é virgem. Os olhos de uma virgem. O rio ondula. Os patos já estão bem longe. Jogo outra pedra. Mais ondas. Herpes.
- Esta duvidando de mim?!
- Não é isso. Hoje é um dia estranho.
- Como assim?
Jogo outra pedra.
Ondas.
- Sonhei com o meu pai.
- Você precisa se libertar do fantasma de seu pai...
- Mas ele pode não está morto.
- Estamos em guerra! Ele foi para morrer. Se ele voltar, ele vai estar de varias formas, menos vivo...
- Ele ainda vai ter herpes?
- Talvez coisa pior. Sabe-se lá o que solados solitários fazem nesses lugares...
As pipas se enroscam. Jogo outra pedra. Ondas.
- O comandante deve está indo para o sul...
(Samuel Gois Martins) 05/01/06
Monday, January 02, 2006
Óculos
Que mundo horrível, é o sem meus óculos. Pois foi sem eles que acabei entrando em uma selva escura, e rezei para não ter que ser salvo por Virgilio nem cair no quinto dos infernos. Na verdade cai no quarto dos infernos, o do meu irmão, cheio de pôsteres de mulheres nuas, bandas de rock e cheirando a masturbações e cigarros escondidos. Enquanto isso me perguntava a respeito dos óculos.
Na hora do almoço, mamãe serve todos os pratos com todos os temperos possíveis que provocam alergia em papai. Ela tem feito isso nos últimos sete anos. Papai fica sentado olhado para todos com cara de perdedor. Fica olhando para o prato vazio em silencio. Parece que alem de não deixa-lo comer, obriga-o a fazer sexo com ela todas as noites. Papai esta ficando cada vez mais magro e doente. Sem meus óculos ele parece apenas uma coisa branca e marrom. Mas uma coisa branca e marrom digna de pena. Isso sim. Meu irmão não veio almoçar, saiu com os amigos. Mamãe esta sorridente hoje. Deu-me os parabéns pelas boas notas e mais uma vez perguntou se sou homossexual, alegando que não possui nenhum preconceito. Informei que era neo-nazista e que não admitiria perguntas como aquelas. Ela sempre ri, acha que estou brincando. Devia olhar mais o porão. Sim! O porão! É lá que deixei os óculos!
(Samuel Gois Martins)02/01/06
Na hora do almoço, mamãe serve todos os pratos com todos os temperos possíveis que provocam alergia em papai. Ela tem feito isso nos últimos sete anos. Papai fica sentado olhado para todos com cara de perdedor. Fica olhando para o prato vazio em silencio. Parece que alem de não deixa-lo comer, obriga-o a fazer sexo com ela todas as noites. Papai esta ficando cada vez mais magro e doente. Sem meus óculos ele parece apenas uma coisa branca e marrom. Mas uma coisa branca e marrom digna de pena. Isso sim. Meu irmão não veio almoçar, saiu com os amigos. Mamãe esta sorridente hoje. Deu-me os parabéns pelas boas notas e mais uma vez perguntou se sou homossexual, alegando que não possui nenhum preconceito. Informei que era neo-nazista e que não admitiria perguntas como aquelas. Ela sempre ri, acha que estou brincando. Devia olhar mais o porão. Sim! O porão! É lá que deixei os óculos!
(Samuel Gois Martins)02/01/06
Monday, December 26, 2005
Torresmo feliz
Existe um fenômeno relacionado a pessoas pegando fogo do nada. Combustão humana espontânea. Ninguém até hoje sabe os motivos que levam esse punhado de gente a simplesmente virar torresmo de uma hora para a outra. Vamos fazer assim: os cientistas descobrem o dia e a hora exatos em que seu corpo ira queimar em chamas até sobrar apenas os pés logo num exame de sangue feito ao nascer. Sobram os pés? Marcos sabe que no dia 23 de junho de 2007 às 3 horas da tarde, quando ele tiver seus 23 anos, ira virar torresmo. Claro, não é nem um pouco consolador saber quando você vai morrer, mas pelo menos lhe diz o quando você pode aproveitar da vida. Um fator interessante é que às vitimas da combustão humana espontânea geralmente morrerem por problemas de colesterol, doenças venéreas e acidentes em esportes radicais.
(Samuel Gois Martins) 26/12/2005
(Samuel Gois Martins) 26/12/2005
Sunday, December 11, 2005
Tensão de elevador
Tateou o bolso direito certificando que não esquecera nada. Sua mão nervosa aliviava-se no ritmo do pensamento “está aqui, aqui”. Dentro do elevador estava ele, a velha do oitavo andar e uma adorável adolescente de lindo decote indo ver sua amiguinha do quinto andar. O elevador marcava segundo andar.
A jovem não esperava à hora de ver sua amiguinha. Desde aquela festa não para de pensar nela. Antes se sentia incomodada, envergonhada. Mas foi tão bom. Algo que homem nenhum realizou. Ela quer mais. Falta tão pouco, tão pouco. Chega logo elevador. Chega!
A velha reconhece o bonitão da ultima vez. A forma como sempre tateia os bolsos é uma graça. Fica imaginando aquelas mãos nervosas fazendo coisas indecorosas. Do jeito que ela adora. Ela adoraria mostrar sua coleção sadomasoquista. Ele aprenderia a amar aqueles seios caídos e branquelos. Nem que sangrasse para isso.
O elevador para no quinto e a garota parece da um suspiro de alegria contagiante que vem do fundo da alma.
- Que menina mal educada. Nem da boa tarde ao sair do elevador -, rosna a velha.
Ele não responde. Ele tateia novamente o bolso. “Está aqui. Aqui!”.
A velha não fica ressentida com a falta de resposta. Ela gosta deles caladinhos. Caladinhos sentindo dor.
O elevador chega ao oitavo, a velha da uma piscadela para ele e sai empinando sua bunda cheia de estrias. Ele engole seco e limpa o suor da testa. As portas do elevador se fecham. Rapidamente ele aperta no botão onze. Não é apenas suor que sai, ele começa a chorar, primeiro lagrimas escapando e depois berros que até a garotinha adorável que entrou no quinto andar escutaria se não estivesse gemendo tanto junto de sua amiguinha.
A porta abre. Apenas um apartamento por andar. Ele bate três vezes na porta, toc toc toc. Ninguém responde por aproximadamente quarenta segundos. Ele bate na porta mais duas vezes, toc toc.
- Já vai!
Ele põe a mão no bolso. Está lá. Graças a Deus!
- É você Renatinho. Como está? Por que essa cara inchada? Parece pior do que quando saiu daqui na ultima vez.
Ele aperta forte o objeto dentro de seu bolso, certo que estava lá de verdade. Ele nunca imaginou que pudesse fazer isso. Ela é tão jovem. Ele se sente um monstro. Mas não ponde controlar. Não pode segurar. Sacou rapidamente e apontou para face da mulher.
- Ca-ca-ca-s-ca-cas-case-se comigo!
- Renatinho! Que anel lindo!
(Samuel Gois Martins) 11/12/05
A jovem não esperava à hora de ver sua amiguinha. Desde aquela festa não para de pensar nela. Antes se sentia incomodada, envergonhada. Mas foi tão bom. Algo que homem nenhum realizou. Ela quer mais. Falta tão pouco, tão pouco. Chega logo elevador. Chega!
A velha reconhece o bonitão da ultima vez. A forma como sempre tateia os bolsos é uma graça. Fica imaginando aquelas mãos nervosas fazendo coisas indecorosas. Do jeito que ela adora. Ela adoraria mostrar sua coleção sadomasoquista. Ele aprenderia a amar aqueles seios caídos e branquelos. Nem que sangrasse para isso.
O elevador para no quinto e a garota parece da um suspiro de alegria contagiante que vem do fundo da alma.
- Que menina mal educada. Nem da boa tarde ao sair do elevador -, rosna a velha.
Ele não responde. Ele tateia novamente o bolso. “Está aqui. Aqui!”.
A velha não fica ressentida com a falta de resposta. Ela gosta deles caladinhos. Caladinhos sentindo dor.
O elevador chega ao oitavo, a velha da uma piscadela para ele e sai empinando sua bunda cheia de estrias. Ele engole seco e limpa o suor da testa. As portas do elevador se fecham. Rapidamente ele aperta no botão onze. Não é apenas suor que sai, ele começa a chorar, primeiro lagrimas escapando e depois berros que até a garotinha adorável que entrou no quinto andar escutaria se não estivesse gemendo tanto junto de sua amiguinha.
A porta abre. Apenas um apartamento por andar. Ele bate três vezes na porta, toc toc toc. Ninguém responde por aproximadamente quarenta segundos. Ele bate na porta mais duas vezes, toc toc.
- Já vai!
Ele põe a mão no bolso. Está lá. Graças a Deus!
- É você Renatinho. Como está? Por que essa cara inchada? Parece pior do que quando saiu daqui na ultima vez.
Ele aperta forte o objeto dentro de seu bolso, certo que estava lá de verdade. Ele nunca imaginou que pudesse fazer isso. Ela é tão jovem. Ele se sente um monstro. Mas não ponde controlar. Não pode segurar. Sacou rapidamente e apontou para face da mulher.
- Ca-ca-ca-s-ca-cas-case-se comigo!
- Renatinho! Que anel lindo!
(Samuel Gois Martins) 11/12/05
Tuesday, November 29, 2005
Água sanitária
pés feridos - cacos de vidro - vermelho - dor - lagrimas - água sanitária
corre até o banheiro - tenta entender o que esta acontecendo - grita - chora
água sanitária
sangue
grito
choro
corre até o telefone – 3 – 3 – 4 – 6 – não – 33478801 – alô? – socorro – por favor – socorro
dor
olhos fechados
lagrimas ardendo
ferida ardendo
água sanitária
(Samuel Gois Martins) 29/11/2005
corre até o banheiro - tenta entender o que esta acontecendo - grita - chora
água sanitária
sangue
grito
choro
corre até o telefone – 3 – 3 – 4 – 6 – não – 33478801 – alô? – socorro – por favor – socorro
dor
olhos fechados
lagrimas ardendo
ferida ardendo
água sanitária
(Samuel Gois Martins) 29/11/2005
Thursday, November 10, 2005
Porta-Treco
O porta-treco cai no chão. Todos direcionam sua atenção para ele. O som de um recém-nascido chorando propaga-se no fundo. Foi assim que eu nasci. Com todos olhando para o porta-treco.
Certa época, tive 5 anos, mas não tive nenhum amigo. No meu quarto o porta-treco guardava alguns brinquedos: o boneco sem capa do super-homem, peças perdidas de um quebra-cabeça, pinos e dados de um Banco Imobiliário inutilizado. O dinheiro de mentirinha eu escondia na cama, debaixo da colcha. Olhava para aquela fortuna e pensava “estou rico!”.
Aos 12 anos descobri a Playboy. Foi amor à primeira vista. Escondia minha única e preciosa no porta-treco. Engraçado, sempre o abria imaginando lembrar de alguma pista. Só não sei o quê.
No 16 o papel com suas imagens foi trocado por células. Garotas de verdade. Uma garota na verdade. Ela era linda. E fazia tudo que eu pedia. Do jeito que eu pedia. Guardava as camisinhas em um porta-treco velho que sempre esteve em meu quarto. De todas as cores e sabores possíveis. Nessa época tive muitos amigos. Um me apresentou o álcool. Outro o cigarro. Ela dizia que acido era bom, mas nunca tive saco pra tomar comprimidos.
Um dia, com 32 anos, recebi uma ligação incomum:
- Sua mãe faleceu.
Eu trabalhava vendendo carros. Tinha todos os amigos e mulheres que poderia comprar. Passei alguns minutos tentando entender aquelas 3 palavras.Sua. Mãe. Faleceu.Procurei no dicionário por algum sentido. Do outro lado estavam confusos perguntando por “Alô?” e “Você está bem?”.
- Morta?
- Isso. O velório será amanhã.
- Ok.
Com 32 anos, dois meses, 3 dias e 4 horas cheguei à velha casa após uma viagem noturna. Claro que lembrei de justificar minha falta no trabalho e cancelei um encontro com uma acompanhante de luxo. Também lembrei de tomar um longo banho gelado, fazer a barba e escovar bem os dentes. Lá estava eu na frente da velha casa. Meu pai me abraçou chorando, minha irmã, minha tia, minha avó.
- Do que ela morreu?
- Caiu da escada.
- Quero entrar.
- Seu quarto esta como você o havia deixado.
Meu lábios moveram grunhidos disfarçados de palavra. Só não sei o quê. Eu nunca sei de nada.
Subi a escada assassina a encarado cada degrau. Queria vencê-la, como uma vingança. Fique visualizando como deveria ter sido. Entre no corredor. A segunda porta a esquerda, semi-aberta. Ou semi-fechada. O porta-treco estava no móvel de sempre. Não encontrei minhas camisinhas. Lá estava o super-homem, as peças de quebra cabeças, os pinos e dados.
Pintos e dados de um Banco Imobiliário inutilizado.
Fui até a cama com agilidade, puxei o colchão com um único esforço. Caíram lagrimas.
- Estou rico.
(Samuel Góis Martins) 10/11/05
Certa época, tive 5 anos, mas não tive nenhum amigo. No meu quarto o porta-treco guardava alguns brinquedos: o boneco sem capa do super-homem, peças perdidas de um quebra-cabeça, pinos e dados de um Banco Imobiliário inutilizado. O dinheiro de mentirinha eu escondia na cama, debaixo da colcha. Olhava para aquela fortuna e pensava “estou rico!”.
Aos 12 anos descobri a Playboy. Foi amor à primeira vista. Escondia minha única e preciosa no porta-treco. Engraçado, sempre o abria imaginando lembrar de alguma pista. Só não sei o quê.
No 16 o papel com suas imagens foi trocado por células. Garotas de verdade. Uma garota na verdade. Ela era linda. E fazia tudo que eu pedia. Do jeito que eu pedia. Guardava as camisinhas em um porta-treco velho que sempre esteve em meu quarto. De todas as cores e sabores possíveis. Nessa época tive muitos amigos. Um me apresentou o álcool. Outro o cigarro. Ela dizia que acido era bom, mas nunca tive saco pra tomar comprimidos.
Um dia, com 32 anos, recebi uma ligação incomum:
- Sua mãe faleceu.
Eu trabalhava vendendo carros. Tinha todos os amigos e mulheres que poderia comprar. Passei alguns minutos tentando entender aquelas 3 palavras.Sua. Mãe. Faleceu.Procurei no dicionário por algum sentido. Do outro lado estavam confusos perguntando por “Alô?” e “Você está bem?”.
- Morta?
- Isso. O velório será amanhã.
- Ok.
Com 32 anos, dois meses, 3 dias e 4 horas cheguei à velha casa após uma viagem noturna. Claro que lembrei de justificar minha falta no trabalho e cancelei um encontro com uma acompanhante de luxo. Também lembrei de tomar um longo banho gelado, fazer a barba e escovar bem os dentes. Lá estava eu na frente da velha casa. Meu pai me abraçou chorando, minha irmã, minha tia, minha avó.
- Do que ela morreu?
- Caiu da escada.
- Quero entrar.
- Seu quarto esta como você o havia deixado.
Meu lábios moveram grunhidos disfarçados de palavra. Só não sei o quê. Eu nunca sei de nada.
Subi a escada assassina a encarado cada degrau. Queria vencê-la, como uma vingança. Fique visualizando como deveria ter sido. Entre no corredor. A segunda porta a esquerda, semi-aberta. Ou semi-fechada. O porta-treco estava no móvel de sempre. Não encontrei minhas camisinhas. Lá estava o super-homem, as peças de quebra cabeças, os pinos e dados.
Pintos e dados de um Banco Imobiliário inutilizado.
Fui até a cama com agilidade, puxei o colchão com um único esforço. Caíram lagrimas.
- Estou rico.
(Samuel Góis Martins) 10/11/05
Friday, November 04, 2005
Madeira norueguesa
- Pode sentar em qualquer lugar...
Um ou outro dia qualquer conheci alguém que me convidou para sentar. Mas em seu quarto não existiam cadeiras. Falou para sentar em qualquer lugar. Esse alguém era uma garota que eu tive. Melhor dizer que ela me teve.
Já falei que em seu quarto não havia cadeiras, então me sentei sobre o tapete. Eu ofereci minhas horas e minutos. Ela me ofereceu do seu vinho.
Era um belo quarto feito com madeira norueguesa.
- Hora de dormir...
Conversamos até as duas horas.
- Fui trabalhar cedo... Hehehe!
- Eu não. – e me arrastei até o banheiro. Para dormir dentro da banheira.
Quando acordei estava sozinho. O pássaro tinha voado. Acendi um cigarro, pensando como era boa a madeira norueguesa daquele quarto.
(Samuel Gois Martins) 4/11/2005
*versão romanceada da musica Norwegian Wood dos Beatles. Não sou fã deles, essa musica é o nome de um livro que me tocou profundamente. Então procurei pela letra. Acredito que ela tenha vários sentidos metafóricos que acarretam outros conceitos que escolhi não abordar. Não mais, acho que fico bonito.
Um ou outro dia qualquer conheci alguém que me convidou para sentar. Mas em seu quarto não existiam cadeiras. Falou para sentar em qualquer lugar. Esse alguém era uma garota que eu tive. Melhor dizer que ela me teve.
Já falei que em seu quarto não havia cadeiras, então me sentei sobre o tapete. Eu ofereci minhas horas e minutos. Ela me ofereceu do seu vinho.
Era um belo quarto feito com madeira norueguesa.
- Hora de dormir...
Conversamos até as duas horas.
- Fui trabalhar cedo... Hehehe!
- Eu não. – e me arrastei até o banheiro. Para dormir dentro da banheira.
Quando acordei estava sozinho. O pássaro tinha voado. Acendi um cigarro, pensando como era boa a madeira norueguesa daquele quarto.
(Samuel Gois Martins) 4/11/2005
*versão romanceada da musica Norwegian Wood dos Beatles. Não sou fã deles, essa musica é o nome de um livro que me tocou profundamente. Então procurei pela letra. Acredito que ela tenha vários sentidos metafóricos que acarretam outros conceitos que escolhi não abordar. Não mais, acho que fico bonito.
Thursday, November 03, 2005
O código da vinci e as tartarugas ninjas
O garoto Maroto percorre correndo uma longa estrada sem fim que vai sem vírgula alguma em direção a sua casa onde existe uma casa de cachorro mágica que leva ao mundo encantado dos cachorros voadores.
Sua mãe varre o chão, calmamente, delicadamente, com um sorriso gentil, meigo, bonito. Lento. Va-ga-ro-as-men-te. Antes que pudesse mover mais uma vez a vassoura tomou posição para deter seu filho de qualquer proeza espalhafatosa. Seria isso possível?
- Parado... Ai... Mocinho...
Tarde demais. Ela pensou na ultima vez que ele fez aquilo. Cachorros voadores sujam demais!
Em outro ligar na falta de imaginação do autor tem um sujeitinho esquisito reproduzindo as obras artísticas de Leonardo da Vinci. Nada haver com o livro código da Vinci. Nem com as tartarugas ninjas. Ele escutou alguma coisa caindo sobre suas tintas e telas, destruindo tudo. Sujando tudo.
- Mas que porra?!
E olhem, era o garoto maroto todo azul, amarelo, vermelho e solvente.
- Não era para eu estar no mundo encantado dos cachorros voadores?
- O autor mudou idéia antes de você chegar lá. Deve ta jogando um monte de besteiras pra no mínimo se sentir original.
- Que babaca.
- Concordo.
E de repente uma estrada de tijolos amarelos.
- Desde quando isso ta por aqui? – assustou-se o pintor esquisito davinciano.
- Esses tijolos são ouro?
- Será que alguém reclamaria se pegássemos para nós?
- Olha, se isso ta virando referencia de O Mágico de OZ, deixa eu ver se cai encima de alguém...
E lá um par de pernas com sapatos homossexuais esquisitos debaixo da tralha de telas e tintas onde o garoto Maroto havia caído.
- Escritor de merda...
- Pega os sapatos. São mágicos!
- Já peguei. “Não há lugar como o nosso lar”, em?
- É o que dizem.
E viveram felizes para sempre com um castelo feito de tijolos de ouro roubados da estrada e sapatos mágicos cobiçados. Claro, isso até a mãe do garoto Maroto chegar por lá e puxa-lo pela orelha para fazer o dever de casa. O pintor esquisito decidiu escrever livros do tipo “alguma coisa o código da vinci”.
(Samuel Gois Martins) 3/11/2005
Sua mãe varre o chão, calmamente, delicadamente, com um sorriso gentil, meigo, bonito. Lento. Va-ga-ro-as-men-te. Antes que pudesse mover mais uma vez a vassoura tomou posição para deter seu filho de qualquer proeza espalhafatosa. Seria isso possível?
- Parado... Ai... Mocinho...
Tarde demais. Ela pensou na ultima vez que ele fez aquilo. Cachorros voadores sujam demais!
Em outro ligar na falta de imaginação do autor tem um sujeitinho esquisito reproduzindo as obras artísticas de Leonardo da Vinci. Nada haver com o livro código da Vinci. Nem com as tartarugas ninjas. Ele escutou alguma coisa caindo sobre suas tintas e telas, destruindo tudo. Sujando tudo.
- Mas que porra?!
E olhem, era o garoto maroto todo azul, amarelo, vermelho e solvente.
- Não era para eu estar no mundo encantado dos cachorros voadores?
- O autor mudou idéia antes de você chegar lá. Deve ta jogando um monte de besteiras pra no mínimo se sentir original.
- Que babaca.
- Concordo.
E de repente uma estrada de tijolos amarelos.
- Desde quando isso ta por aqui? – assustou-se o pintor esquisito davinciano.
- Esses tijolos são ouro?
- Será que alguém reclamaria se pegássemos para nós?
- Olha, se isso ta virando referencia de O Mágico de OZ, deixa eu ver se cai encima de alguém...
E lá um par de pernas com sapatos homossexuais esquisitos debaixo da tralha de telas e tintas onde o garoto Maroto havia caído.
- Escritor de merda...
- Pega os sapatos. São mágicos!
- Já peguei. “Não há lugar como o nosso lar”, em?
- É o que dizem.
E viveram felizes para sempre com um castelo feito de tijolos de ouro roubados da estrada e sapatos mágicos cobiçados. Claro, isso até a mãe do garoto Maroto chegar por lá e puxa-lo pela orelha para fazer o dever de casa. O pintor esquisito decidiu escrever livros do tipo “alguma coisa o código da vinci”.
(Samuel Gois Martins) 3/11/2005
Thursday, October 27, 2005
Metáfora verdadeira e sincera
Quando estiver lendo isso quero que saiba bem que esse texto é apenas para você. Ei você, enxerido, pode ir embora. Nem pense. O texto não é para você ai não. Nem você. Xô xô xô. Podem fechar essa janela. Vou contar até três. Um. Dois. Três. Pronto? Bem... Acho que agora estamos a sós. Não é? Bem. Espero que você realmente saiba que esse texto é só para você. Sabe... Existe sim. Em primeiro lugar quero que saiba que existe. Não importam as provas do contrario. Continuo a crer que existe. Em todos os lugares, mas, em especial, no seu perfume. Não fui eu que cultivei o jardim. Ele já estava aqui quando cheguei. Mas pelo menos para mim a graça deste enorme adorno é o seu perfume. Sua cor. Sua beleza. Ali em um cantinho. Escolhi me sentar para proteger. Aguar com um regador sempre que ver que estas com sede. Às vezes bate uma fome ou um sono. Mas não vou fechar meus olhos. Quero que cresça e fique cada vez mais... Mais e mais. Estou feliz em estar aqui sentado. Escrevendo isso. O sol forte acompanha um céu azul limpo e belo. Mesmo assim acho que vai chover e vou com minhas mãos proteger das gotas fortes. Não quero mais sair daqui. Do seu lado. Você entende? Espero não está incomodando com a minha sombra...
(Samuel Gois Martins) 28/10/2005
(Samuel Gois Martins) 28/10/2005
Wednesday, October 26, 2005
Mais uma a respeito de alienígenas homossexuais e notas musicais
Foi caminhando por ai que o musico descobriu a nota que tanto procurava. Abaixou-se cuidadosamente. Fechou os olhos. Concentrou-se. Lá estava aquela nota. A nota perfeita. Com os olhos ainda fechados caminhou lento e cuidadosamente em direção da disposição sonora que havia descoberto.
- Opa ai rapa!
- Hein?
Batendo de cara com um alienígena, o musico ficou pasmo. “Onde estou”, ele pensou.
Pois não mais caminhando por ai ele estava. Ele estava caminhando por ali. Ali não é ai. Ali era...
- Onde estou?
- Um disco voador?
- Sério?!
- É né.
O alienígena era do tipo bem alienígena. Com pernas longas, pele acinzentada pálida, olhos grandes e negros. O musico já podia se imaginar dando entrevistas em documentários da Discovery.
- O que farão comigo?
- Sonda anal.
- Não mesmo!
- Não vai doer... É como exame de próstata!
- Nunca!
- Eu sou um alienígena. Milhares de centenas de anos luzes mais inteligente que você. O seu cérebro minúsculo nunca entenderia o intricado sistema universal para o qual essa sonda anal poderá contribuir.
- Você quer é me comer!
- Bem... Também. É que você é gatinho.
- Sou?
- É...
- Meu namorado nunca falou isso...
- Posso por a sonda anal ou não?
- Só se você der a nota que eu tanto procuro...
- Pra você eu dou qualquer coisa...
(Samuel Gois Martins) 26/10/2005
- Opa ai rapa!
- Hein?
Batendo de cara com um alienígena, o musico ficou pasmo. “Onde estou”, ele pensou.
Pois não mais caminhando por ai ele estava. Ele estava caminhando por ali. Ali não é ai. Ali era...
- Onde estou?
- Um disco voador?
- Sério?!
- É né.
O alienígena era do tipo bem alienígena. Com pernas longas, pele acinzentada pálida, olhos grandes e negros. O musico já podia se imaginar dando entrevistas em documentários da Discovery.
- O que farão comigo?
- Sonda anal.
- Não mesmo!
- Não vai doer... É como exame de próstata!
- Nunca!
- Eu sou um alienígena. Milhares de centenas de anos luzes mais inteligente que você. O seu cérebro minúsculo nunca entenderia o intricado sistema universal para o qual essa sonda anal poderá contribuir.
- Você quer é me comer!
- Bem... Também. É que você é gatinho.
- Sou?
- É...
- Meu namorado nunca falou isso...
- Posso por a sonda anal ou não?
- Só se você der a nota que eu tanto procuro...
- Pra você eu dou qualquer coisa...
(Samuel Gois Martins) 26/10/2005
Thursday, October 20, 2005
Tentativas...
Hoje eu ia escrever sobre a mágica e fantástica fabrica de guardanapo que reciclava papel higiênico. Mas ocorreu-me algo muito mais interessante a relatar. Chega a ser quase meloso. Um tanto romântico. E de fato estupidamente fútil. Não são aquelas minhas tramas sobre princesas ninfomaníacas e seus sete anões da vida. É algo acarretado de beleza sutil e até algum sentimento vindo da parte do autor. A coisa mais ou menos se desenrola com a invasão do planeta terra pelo povo de Plutão. O povo de Plutão chama Plutão por um nome indecifrável, por isso usaremos o titulo criado por nossos astrônomos: Plutão, para facilitar as coisas. Então a branca de neve pisou na mão de dengoso com salto pontudo. Dengoso gemia de prazer... Opa. Trama errada. Vamos lá. Sei que posso escrever algo belo e sentimental. Nada é mais belo e sentimental que Plutão. O povo de Plutão. Voltando a eles: O povo de Plutão é formado por lindas amazonas de pele azulada e traço oriental. Sempre com roupas curtas e apertadas para exaltar seus... Corpos esculturais. Isso. Corpos esculturais que escravizavam os homens da Terra. Menos um. Isso. O nosso herói. O amor que ele sentia por sua amada era tão grande que nem os exuberantes sei... Corpos esculturais das amazonas azuladas orientais de Plutão dominavam o seu caráter inabalável. Isso sim era amor de verdade. Por que nem eu resistiria às amazonas azuladas orientais de enormes... Espaçonaves! E todo mundo adora espaçonaves! Não é mesmo? Claro que sim. Mas o nosso herói não. Na verdade ele pensava apenas na sua amada. Quer dizer. No seu amado. Sim, nosso herói é homossexual. Não que isso faça diferença, pois o poder das amazonas de Plutão era tamanho que ate os homossexuais teriam sido dominados. Nosso herói não convencional dominado por sua paixão incontrolável armou-se com todos os utensílios de sua loja de produtos eróticos. Ele ia matá-las de prazer e salvar o mundo. Meu deus! Que horror! Parece roteiro de filme pornográfico... Eu não consigo. Pelo visto. Vamos voltar para a mágica e fantástica fabrica de guardanapo...
(Samuel Gois Martins) 20/10/05
(Samuel Gois Martins) 20/10/05
Saturday, October 15, 2005
Cagando asas
Forcei muito no banheiro. Prisão de ventre. Força. Força. Força. E depois alivio indescritível. Tendo finalmente me encostado para descanso senti algo diferente em minhas costas. Algo além de minhas costas roçava nos azulejos. Algo meu que nunca esteve ali.
Levantei-me para entender o que estava acontecendo. Mirando o espelho descobri que brotara asas em minhas costas. Meu Deus. Forcei tanto que nasceram asas. Eu poderia ter entrado em pânico. Afinal de contas aquilo era um atestado de aberração. Cagar asas? E tão lindas. Brancas e puras. Sentia-me um anjo. Um verdadeiro anjo. Apenas sorri e limpei a bunda.
Queria voar.
(Samuel de Gois Martins) 15/10/2005
Levantei-me para entender o que estava acontecendo. Mirando o espelho descobri que brotara asas em minhas costas. Meu Deus. Forcei tanto que nasceram asas. Eu poderia ter entrado em pânico. Afinal de contas aquilo era um atestado de aberração. Cagar asas? E tão lindas. Brancas e puras. Sentia-me um anjo. Um verdadeiro anjo. Apenas sorri e limpei a bunda.
Queria voar.
(Samuel de Gois Martins) 15/10/2005
Wednesday, October 12, 2005
A vida é uma merda
Aqueles dias cheios de merda. Merda para todo canto. Você pisa na merda. Você come merda. Você é a merda. Nesses dias escolhi abandonar toda minha respeitável vida social e roubar um banco.
- Mãos pra cima...
Eu tava falando serio.
Ela demonstra medo e nervosismo. Tremula esvazia todo o dinheiro do caixa. Lembrei que era melhor ficar tranqüila, pois ainda teria que abrir o cofre. A merda do cofre. A mulher mais linda que já vi na vida.
- Case-se comigo.
- Como assim?
- Assalto o banco, você me da seu telefone e começamos um relacionamento que cada vez mais vai se torna mais firme até atingirmos o ápice do casamento.
- Não vai me matar?
- Não mesmo. Faço isso apenas para relaxar. Todos temos algo sórdido para relaxar não é?
Ela parou por um momento para pensar. Logo em seguida seus olhos encontram os meus confirmando.
- Eu gosto de por gatinhos no liquidificador.
- Estou apaixonado por você!
- Aceito!
A vida é uma merda, mas sempre é possível tirar um lado positivo.
(Samuel Gois Martins) 13/10/2005
- Mãos pra cima...
Eu tava falando serio.
Ela demonstra medo e nervosismo. Tremula esvazia todo o dinheiro do caixa. Lembrei que era melhor ficar tranqüila, pois ainda teria que abrir o cofre. A merda do cofre. A mulher mais linda que já vi na vida.
- Case-se comigo.
- Como assim?
- Assalto o banco, você me da seu telefone e começamos um relacionamento que cada vez mais vai se torna mais firme até atingirmos o ápice do casamento.
- Não vai me matar?
- Não mesmo. Faço isso apenas para relaxar. Todos temos algo sórdido para relaxar não é?
Ela parou por um momento para pensar. Logo em seguida seus olhos encontram os meus confirmando.
- Eu gosto de por gatinhos no liquidificador.
- Estou apaixonado por você!
- Aceito!
A vida é uma merda, mas sempre é possível tirar um lado positivo.
(Samuel Gois Martins) 13/10/2005
Monday, October 03, 2005
- Adeus Fulana. Adeus...
- Quero quatro copias desse aqui...
- Oi?
Noite. Trinta minutos para uma prova e só agora estava xerocando sua apostila. Tenho carta de pau pra essas coisas mesmo.
- Oi.
- Você estudou naquele colégio?
- Aquele?
- É. O segundo ano. Certo?
- Foi sim... Há. Formos colegas de classe.
- Isso mesmo.
O som da xérox trabalhando me tranqüiliza.
- Você lembra de fulana?
- Fulana?
- É. Que namorava com Ciclano.
- Ciclano?
- É. Que andava com Beltrano.
- Há... Beltrano... Ciclano... Fulana! Lembro sim. Boa pessoa. Como ela está?
- Cometeu suicídio.
- Hum...
- É...
- Suas copias, senhor.
- Obrigado. E qual foi o motivo?
- Rompeu com o noivo.
- Que coisa...
- Pois é...
- Suicídio só serve pra ferrar com quem ta vivo. Parece meio idiota falar isso...
- Mas é verdade. Bem, eu vou indo.
- Eu também. Tenho... Hã... Prova.
- Boa sorte.
- Obrigado.
Dez minutos para ler a apostila e aprender tudo que tem nela. Dez minutos.
(Samuel Gois Martins) 03/10/05
- Oi?
Noite. Trinta minutos para uma prova e só agora estava xerocando sua apostila. Tenho carta de pau pra essas coisas mesmo.
- Oi.
- Você estudou naquele colégio?
- Aquele?
- É. O segundo ano. Certo?
- Foi sim... Há. Formos colegas de classe.
- Isso mesmo.
O som da xérox trabalhando me tranqüiliza.
- Você lembra de fulana?
- Fulana?
- É. Que namorava com Ciclano.
- Ciclano?
- É. Que andava com Beltrano.
- Há... Beltrano... Ciclano... Fulana! Lembro sim. Boa pessoa. Como ela está?
- Cometeu suicídio.
- Hum...
- É...
- Suas copias, senhor.
- Obrigado. E qual foi o motivo?
- Rompeu com o noivo.
- Que coisa...
- Pois é...
- Suicídio só serve pra ferrar com quem ta vivo. Parece meio idiota falar isso...
- Mas é verdade. Bem, eu vou indo.
- Eu também. Tenho... Hã... Prova.
- Boa sorte.
- Obrigado.
Dez minutos para ler a apostila e aprender tudo que tem nela. Dez minutos.
(Samuel Gois Martins) 03/10/05
Friday, September 30, 2005
A Rainha Espacial
A Rainha espacial Durval correu até sua sala e gritou:
- Não se aproximem! Usarei a maquina dimensional para trocar os quartos e cometerei suicídio com uma ogiva nuclear!
Eu e meu companheiro de batalha nos retemos por alguns segundos. Alguns segundos para pegar fôlego e derrubar a porta.
Mas já era tarde. Apenas retalhos da outra versão dimensional da sala.
- Logo os reforços irão chegar – suspirou o fiel parceiro.
Acordando sufocado. Faço força e o catarro sai de minha narina esquerda. Viro meu corpo tentando desprender-me dos lençóis. Cuspo catarro. Um pouco de sangue sai junto. Apenas uma irritação – espero eu.
Cambaleando ate a cozinha pensando porque a maioria das minhas historias começam com um sujeito acordando. Bebo um copo de água gelado para piorar minha garganta. Cuspo mais catarro no chão. Olho pra janela.
- Bom dia... – Apreciando o catarro - Pesando bem foi o sonho mais ficção cientifica anos 70 que já tive na vida. Eu gostaria de ter uma maquina dimensional.
Volto à geladeira em busca do resto de pudim. Mas já comeram tudo.
- E talvez uma bomba nuclear.
Esperei o catarro responder alguma coisa por alguns minutos e fui ao banheiro tomar banho. Existia algo de muito triste na morte da rainha espacial.
30/09/2005
- Não se aproximem! Usarei a maquina dimensional para trocar os quartos e cometerei suicídio com uma ogiva nuclear!
Eu e meu companheiro de batalha nos retemos por alguns segundos. Alguns segundos para pegar fôlego e derrubar a porta.
Mas já era tarde. Apenas retalhos da outra versão dimensional da sala.
- Logo os reforços irão chegar – suspirou o fiel parceiro.
Acordando sufocado. Faço força e o catarro sai de minha narina esquerda. Viro meu corpo tentando desprender-me dos lençóis. Cuspo catarro. Um pouco de sangue sai junto. Apenas uma irritação – espero eu.
Cambaleando ate a cozinha pensando porque a maioria das minhas historias começam com um sujeito acordando. Bebo um copo de água gelado para piorar minha garganta. Cuspo mais catarro no chão. Olho pra janela.
- Bom dia... – Apreciando o catarro - Pesando bem foi o sonho mais ficção cientifica anos 70 que já tive na vida. Eu gostaria de ter uma maquina dimensional.
Volto à geladeira em busca do resto de pudim. Mas já comeram tudo.
- E talvez uma bomba nuclear.
Esperei o catarro responder alguma coisa por alguns minutos e fui ao banheiro tomar banho. Existia algo de muito triste na morte da rainha espacial.
30/09/2005
Wednesday, September 21, 2005
Perdido
Se você perde algo. Pode ter certeza que eu não sei onde está. Se você me perguntar. Contarei uma mentira a respeito de uma outra dimensão onde vivem felizes as coisas perdidas. Como nós. Acho que também estamos perdidos. Alguém nos procura em algum lugar. Em outra dimensão. Iria falar também que li isso em algum livro de física empoeirado e antigo, escondido nos recantos de uma biblioteca perdida há muitos anos atrás em um incêndio misterioso. Diria também que o incêndio foi provocado por extraterrestres que querem cuidar com que tudo continue bem perdido em seu devido lugar errado. Morrem de medo só de imaginar cada coisa no seu devido lugar. Com o seu devido dono. Eu também tenho medo. Pois adoraria escutar de alguém “estou perdido por você”. É uma coisa meio melosa de se falar. Mas é assim mesmo que as coisas costumam ser. E se perder.
21/09/05
21/09/05
Tuesday, September 20, 2005
Meio Incoerente
Foi meio que uma consolação isso que ela falou. Fiquei meio que indignado. Meio que triste. Meio. Inteiro não dava. Não sem ela.
Amassei a carta e joguei na primeira lata de lixo que encontrei na rua. O melhor mesmo é mandar se foder. Isso mesmo. Possível viver pela metade. Posso amar pela metade. Posso mentir pela metade. Posso odiar pela metade. Tudo em partes. Incompletas. Sem sentido algum. Posso fazer assim. Faço há 15 anos assim. Agüento o resto de minha vida.
Parado ai. Segurando um revolver. Revolver de verdade. Repito para mim. Pergunto.
É de verdade?
Tu é otário ou o quê? Passa a grana maluco!
O resto da minha vida.
Passo um caralho. Atira bem no peito se tu é homem!
Tu é doido é?!
- Você só tem meia chance de me acerar. E eu só tenho meia chance de morrer. Poder vir. Se eu tiver de morrer, que seja pela metade!
Na lata de lixo a carta tinha escrito guardarei um pouco de amor para você.
(Samuel Gois Martins) 20/09/2005
Amassei a carta e joguei na primeira lata de lixo que encontrei na rua. O melhor mesmo é mandar se foder. Isso mesmo. Possível viver pela metade. Posso amar pela metade. Posso mentir pela metade. Posso odiar pela metade. Tudo em partes. Incompletas. Sem sentido algum. Posso fazer assim. Faço há 15 anos assim. Agüento o resto de minha vida.
Parado ai. Segurando um revolver. Revolver de verdade. Repito para mim. Pergunto.
É de verdade?
Tu é otário ou o quê? Passa a grana maluco!
O resto da minha vida.
Passo um caralho. Atira bem no peito se tu é homem!
Tu é doido é?!
- Você só tem meia chance de me acerar. E eu só tenho meia chance de morrer. Poder vir. Se eu tiver de morrer, que seja pela metade!
Na lata de lixo a carta tinha escrito guardarei um pouco de amor para você.
(Samuel Gois Martins) 20/09/2005
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