“o governo e diversas multinacionais pagam os alienígenas cabeçudos para bombardearem em nossas mentes propagandas e publicidades subliminares””

Tuesday, April 15, 2008

escrever

Cheguei muito cedo ao trabalho. Este é o meu momento preferindo, o silencio. Escritório vazio, luzes apagadas, o único som que ressoa é o de meu computador processando, e das teclas batendo enquanto digito um texto. Esse barulho das teclas no silencio são o meu ápice. Lembram-me quando comecei a escrever, e sofria de insônia. Passava noites escrevendo no silencio; no escuro. As manhãs tem sido frias, o que deixa minha pele mais macia, e as teclas frias. Provoca um certo ardor. Às vezes de tão geladas alguns teclas que as pontas de meus dedos meio que grudam levemente – e a sensação de quando se soltam um do outro me faz gemer baixinho e revirar os olhos. As vezes perco o controle e dasf bhjmk uj,lkt f 7 esfrego minhas mãos sem parar sobre o teclado, sentindo os botões se contorcendo debaixo, o som intenso das teclas maciçamente por todo o escritório. Eu gemo junto, agora esfregando meu rosto sobre o monitor. O vidro da tela gerada me enlouquece, meu bafo embaça as palavras no Word. Subo sobre a mesa, abro o zíper, esfrego meu pênis sobre as teclas uhwreuoanhikHJET´PAEKE[]lomknoooonfdeojeg até o momento que não fazem mais barulho de tão meladas pelo meu sêmem. O computador goza junto comigo, terminando um texto e concedendo a visão de nosso orgasmo de palavras e dados. É maravilhoso, e o silencio...

Tuesday, April 08, 2008

Conto recortado

Eu raramente faço a bar
ba. Acho que serei demiti
do por isso. Eu rarament
e corto o cabelo. Não qu
e ele seja muito grande.
Na verdade acho que estou fican
do careca. Daí um dia senti muita coce
ira em meu queixo.
E fui, sem querer, arrancando pel
os de minha barba.
No lugar ficou um burac
o horrivel. Decidi fazer a ba
rba. Cortei o escesso co
m uma tesoura. Passei cr
eme de barberar. Raspei todo com uma lamina.
Ficou lizinho.
Decidi cortar o cabelo, e com a teso
ura e um penico. Fiz um corte penico.
Quando fui me olh
ar no espelho. Cadê meu rosto?
Foi junto com a bar
ba, e o cabelo mal arrumado. Tranfo
rmei-me em minha barba. Não reco
nhecia mais aquele individuo ali na frente.
Mas provavelmen
te ele não sera deminitdo.

Thursday, April 03, 2008

abstração

Eu tenho um amigo poeta. E todo dia, me vem com uma poesia para que eu possa opinar. Certo dia ele veio com uma que dizia:
OH
“Oh”, eu falei. O rosto dele demonstrou frustração – daquelas que os poetas geralmente tem. “Não é um Oh! É um Ho!”. Virei o papel para então poder ler o ‘Ho’. Mais uma vez o roso de meu amigo engilhou-se em frustração poética. “Você não entende mesmo, hein?! Minha poesia é um Ho de cabeça para baixo. Não consegue ver a profundidade disso?!”. Virei novamente o papel, olhei para o Oh, e li “Ho”. Ele se acalmou e perguntou o que eu achava. Eu disse que via um conto, e não uma poesia. “Como assim?!”, ele indagou. Falei que era sobre uma bola subindo uma escada. E sobre o barulho que ela provocou quando subiu o primeiro degrau. E logo em seguida, o que exclamou após pular a escada.

Tuesday, April 01, 2008

adulto

Amanheceu chuvoso, a noite passada havia sido muito boa. Eu botava pedacinhos de papel onde sangrava, após ter feito a barba. Apenas de cueca, com a cara cheia de pedacinhos de papel ensangüentados. Fui até a varanda do apartamento para ver a chuva. O Céu ainda estava sem Sol, e concluí que ficar de cueca na varanda chamaria atenção dos vizinhos. A pele barbeada ainda ardia por causa da loção e o frio. Ao voltar para seu quarto me deparei com um brilho incomum, daqueles que dão ataques aos epiléticos. Identifiquei uma espécie humanóide no brilho – como que uma mulher nua. Pensei em dizer “eu não acredito em fadas” só de sacanagem. O brilho diminuiu um pouco, e a vi sorrir. Fiquei com vergonha por estar apenas de cueca, e com papeizinhos vermelhos na cara. Mas ela estava nua e brilhando, o que permitiu me sentir natural. Falei “o que porra é você?”, para quebrar o gelo. Ela deu uma risadinha agoniada. Veio voando até próximo de meu rosto. Agora eu podia ver seus pequenos fartos seios, pernas e corpinho – bem gostosinha até. Seus olhos eram fundos, sem pupilas. E não possuía uma cor definida. Como falei, feita de uma luz que provoca ataques de epilepsia. “Não lembra de mim?”, ela perguntou. Sua voz era baixa, agradável e infantil. Nunca fui um garanhão – mas manter relações com uma fada seria o fundo do posso. “Nem um pouco. Você é um alienígena?”. “Não, seu bobo. Sou uma fada”. “Notei, tava só zoando”. “Você ainda é engraçado”. “Eu não acredito em fadas”. O rosto da fada se encheu de desespero. “Eu posso falar até ser a sua vez de cair como um mosquito. Abre logo o jogo e me diz o que você quer”. Ela tentou voar para longe de mim, mas fui mais rápido com meus reflexos de punheteiro. Ela estava em minhas mãos. Eu poderia esmagar seus frágeis ossinhos num piscar. “Quando você era criança, brincávamos juntos no jardim! Não lembra? Você era um menino bom, e me foi dado o direito de visitar o seu mundo mais uma vez – e era você que eu queria ver!”. Minhas mãos afrouxaram um pouco para não machucá-la. Lembrei de quando era criança, do jardim, e dela. “Perdoe-me...”, falei, a soltando. Ela se distanciou de mim, até a janela. Estava chorando. A chuva engrossou, e ela não tinha como sair no temporal. “Eu era um menino bom. Mas sou um adulto deplorável. Perdi minhas paixões desacreditando com o tempo. Fiz um concurso público e me afundei no mais do mesmo rotineiro e sem cores. Passei a tratar todos como objetos e posses. E eu mesmo em transformei em uma maquina sem consciência”. Ela ainda estava séria. Dizem que o mundo das fadas é tão cruel e sinistro quando colorido e singelo. Ela soltou umas palavras – provavelmente feitiços. Quando dei por mim transformei-me em uma criança novamente. A cueca desceu por minhas pernas e a operação de fimose se foi junto com os pelos pubianos. “Como punição você será meu amigo para sempre”, ela terminou.

Thursday, March 27, 2008

papelada

Uma colega de trabalho meche com muitos papeis, papeis por todo lado, cheios de gráficos, números, e tudo que possa piorar o conceito de ‘papelada’. Pois bem, uma vez estava eu chegando mais cedo que o habitual no trabalho – e antes de abrir a porta escutei um ruído estranho. Aproximei o ouvido da porta e identifiquei como que um choro, ou um gemido, talvez. Abri lentamente a porta, e para minha surpresa estava a minha colega de trabalho, atualizando dados de gráficos em meio a papeis e mais papeis. Parecia normal – tirando o fato de que não imaginava que pessoas chegassem mais cedo que eu no trabalho. Preferi não fazer perguntas. Fui até minha mesa e comecei a trabalhar. Os outros dias correram normalmente, e não cheguei mais tão cedo no trabalho por um bom tempo. Mas, cedo ou tarde, acabaria chegando mais cedo novamente. E novamente, me vi diante da porta, escutando os ruídos misteriosos. Dessa vez não abriria a porta lentamente. Seria rápido e violento, com um chute na porta, pá! A visão foi singular. Minha colega de trabalho arreganhada, sentada na cadeira, com as pernas sobre a mesa, enfiando um enorme... Rolo de papeis de gráficos em sua vagina. O mais engraçado é que ela nem me notou – pois estava tendo um bombástico orgasmo – como eu poderia definir. Mas não demorou muito para me ver, e antes de gritar conter-se para pensar no que dizer. “Não é o que você está pensando”, ela falou. “Não estou pensando em nada, não quero pensar em nada”, respondi. “Eu posso explicar...”, falou arreganhando novamente as pernas, agora em minha direção.

Wednesday, March 26, 2008

Garth Ennis

- Acredito em um Deus do primeiro testamento. Cruel, que destrói cidades inteiras, e manda seus profetas matarem seus próprios filhos só para posar de fodão no final. Que cria bárbaros cabeludos super fortes para serem lideres do que daria inicio a maior fé ocidental de nossos tempos. Eu tenho medo desse Deus, um temor angustiante que aumenta a cada palavra que escrevo. Esse é o Deus fodão que vai chutar as sete bundas de Lúcifer no dia do juízo final.

Todos aplaudiram, chorando emocionados com o sermão do novo profeta de nossa geração. Jequi nasceu de família simples, e desde cedo nas ruas demonstrava suas habilidades milagrosas. Uma vez ele transformou todo o sangue de um traficante em vinho e conseguia ter relações sexuais com virgens mantendo-as virgens. Ele poderia ser um super-herói, mas encontrou Jesus primeiro – pessoalmente, é claro. Os dois estavam em um bar, e arrumaram uma briga por causa de um jogo de cinuca com uns grandalhões. Jesus fez com que saísse peixes por todos os orifícios dos caras.

Tuesday, March 25, 2008

comedora de papel

Não estou feliz com essa merda toda. E seria mais um dia indo trabalhar, pegando ônibus, subindo a ladeira do centro e agüentando meus colegas de trabalho discutindo futilidades. Fiquei puto de vez. Dormir até as nove horas, não, dez horas. O celular não parava de tocar. E já estava lotado de diversas ligações não atendidas, de familiares, chefes e namorada. Peguei o celular, enfiei na privada e dei descarga. Em seguida tomei um banho longo, com direito a bolhinhas de sabão por todo o apartamento. Enxuguei-me e fui até a cozinha, onde botei yogurt com vodika para a cachorra tomar. Sai peladão mesmo por ai, todos me olhavam horrorizados – gordo e peludo. Eu acenava para eles e dizia “Sim, é pequeno mesmo.” A policia quase me pegou, mas fui mais rápido e invadi um ônibus. Todos saíram assustados, e ameaçando urinar no motorista o obriguei a dirigir até o meu trabalho. Eu deveria bater o cartão logo na entrada da empresa, mas não tinha bolsos e não deu para levá-lo. Os seguranças me reconheceram e antes de cumprimentar, como sempre cumprimentavam, deram conta que eu estava sem roupas. Primeiro ficaram preocupadas, perguntando o que houve, se fui assaltado. Pegaram uma toalha e me cobriram, entrei na empresa e fui até a sala de meu chefe. Ele olhou assustado e pasmo com a cena. Comecei a me masturbar sobre a maldita impressora que sempre comia papel. Graças a meu orgasmo precoce consegui fugir antes dos seguranças me alcançarem. Aquela maldita impressora merecia.

Thursday, March 13, 2008

a culpa é do marketing

Os fumantes que me perdoem. Deixar o cigarro é mais fácil que perder peso. Sinto isso na pele todos os dias, a cada momento. Trabalho com marketing, e esse ramo é nojento quando se trata da criação de campanhas promocionais para guloseimas. No meu caso tive de elaborar para uma empresa de chocolate. Eu amo chocolate. Passar doze horas do seu dia, durante uma semana e pouco pensando em chocolate com certeza foi um martírio digno da ultima tentação de Jesus Cristo. Ou pior. Jesus é filho de Deus, eu sou apenas obeso. Ontem mesmo – foi horroroso – estava em um supermercado e o bendito chocolate estava em uma promoção – a minha promoção – e espalhado por todos os setores daquele flagelo chamado ponto de venda. Não teve outra, cai em minha própria armadilha comercial. Foram vinte reais de chocolate no total. O que para o preço daquele chocolate já representava níveis inumanos de gordura em meu sangue. Voltava dirigindo, nervoso, o saco cheio do desgraçado chocolate estava no banco do lado, pra lá e pra cá. O saco foi mal amarrado, em uma curva brusca espalhou todos os chocolates pelo carro, um deles debaixo do pedal de freio. Não consegui frear, o carro foi direto e bateu em cheio no da frente. Ninguém se acidentou. Mas a motorista da frente demonstrava-se bem pura, e veio a passos largos e firmes até mim. “E agora?”, ela reclamou. Nem pensei duas vezes.“Chocolate?”, perguntei.

Tuesday, March 11, 2008

Ausaimer

Havia uma senhora muito simpática, não lembro bem seu nome. Uma pessoa simples e batalhadora. Sustentava a si mesma e o esposo que se encontrava no triste estado do ausaimer. Mas era engraçado como ela sempre estava alegre, sentada ao lado de seu esposo inerte que apenas respirava, babava e enchia sua frauda geriátrica. Uma vez perguntei como ela estava, se a situação do esposo a incomodava muito. “Não mesmo, meu jovem. O garanhão não está broxa ainda”, Ela respondeu dando uns tapinhas sacanas na perna do velhinho.

Thursday, February 28, 2008

onde e como

Parecia existir um sino na cabeça, enorme, tocando pra doer, dentro de sua cabeça. Rodolfo passava as mãos pelo couro cabeludo como que cavando o câncer, ou seja lá o que for que provocava tanta dor. No banheiro, olhando para o espelho, seus olhos vermelhos por completo revelavam uma hemorragia, ou derrame, quem sabe. Os ouvidos estavam a ponto de estourar – E jatos de cera de ouvido com sangue jorravam como pus de suas orelhas. Rodolfo começou a bater a cabeça no espelho do banheiro, como uma forma para dar fim ao sofrimento. Perto dali, na rua, outras pessoas encontravam-se em quadros semelhante. Sangrando pelos ouvidos, agonizando de dor tentando estourar suas cabeças na primeira superfície sólida que encontrassem. Este surto tomou conta de toda a cidade, que ficou sitiada. Não havia sinais de sobreviventes. Militares e cientistas estavam confusos tentando entender que tipo de doença era aquela. No outro dia o corpo de Rodolfo, estirado no chão do banheiro, com o crânio estourando entre cacos de vidro começou a demonstrar espasmos. Muito desengonçado o corpo se sustentando entre parede e privada começa a andar, se arrastando e emitindo grunhidos. Rodolfo se reúne a outros, que mancam para fora da cidade.

Friday, February 22, 2008

usb

Mariula estava desesperada por sexo. Deus do céu. E nenhum vibrador. Saiu procurando por falos. Nenhum a satisfazia. Cabos de vassoura eram muito ásperos, copos podiam quebrar dentro dela, as frutas fálicas da geladeira lhe provocavam alergia, dentre outros problemas. Sentou no computador. Ver pornografia não rolava, tinha acabado de fazer as unhas e uma boa siririca também estava fora de cogitação. Escutar musica poderia ser uma boa para se distrair. Ao pegar no cabo usb levou um choque. Não um choque forte. Mas forte o suficiente para provocar a tórrida imaginação de Mariula. Pegou o fio usb que saia do computador, o mais longo possível, e enfiou nela mesma. O choque dentro de sua vagina a fazia gemer cada vez mais alto, desesperada de tanto prazer. Seus pentelhos ficaram em pé; e brancos.

Brian, o gênio

Brian é o maior cientista de nossa geração. E pode achar soluções tão rápido como as procede em poucos segundos. Essas coisas desencadeiam o perigo. Brian estava dando uma palestra, e era a hora das perguntas. Um homem careca com uma maleta dirige-se até o microfone. Grita como um louco e saca uma serra elétrica de sua maleta. Todos correm desesperados, gritos, choros, pedidos de socorro. “Você é meu!”, clamava loucamente o careca. Brian controla suas bexiga, e corre para os fundos do palco. Intermináveis corredores escuros. O fôlego vai acabando e o som da cerra elétrica aumentando. Brian se agacha em um canto escuro para esconder-se. O som aumentava cada vez mais, e bem do lado dele, perfurando a parede a cerra elétrica corta certeiro a mão direita de Brian. Um grito corrido de lágrimas quentes ecoa. Brian voltar a correr, e agora sangrar. Muito. Ao lado da palestra sobre tecnologia estava tendo um encontro nacional de pornografia e afins do ano. Correndo entre os estandes com vídeos pornográficos, revistas e... Maquinas de masturbação. São como mãos robóticas posicionadas para masturbar um homem. A mente brilhante de Brian, entre a dor, sangue e desespero começou a funcionar. O louco careca com uma cerra elétrica já matou quatro capas da playboy. Paro de escrever, minha colega começa a chorar, a mãe dela esta num quadro grave de câncer, todos a amparam. Nesse meio tempo Brian transformou a maquina de masturbar em uma mão biônica. Uma poderosa mão biônica do prazer. Um velho de pijama e charuto sai correndo, rápido demais para a idade dele até. Brian corre até o careca, segurando com a mão masturbadora a cerra elétrica de seu pretenso assassino. A mão é forte, e entorta a cerra deixando-a inutilizada. O careca pula encima Brian, mas não antes da mente Genial do milênio segurar o pênis do miserável. Que com uma força dolorosa masturba-o até sua morte. O homem cai morto – e duro – no chão. O silencio toma conta de todos, que ficam parados, olhando para Briam.
“Eu não sou gay”, ele diz.

Wednesday, February 20, 2008

quarta-feira

O dia não começou bem, nublado, chuvoso. Geralmente adoro dias assim – hoje não. Hoje isso é mau sinal. O escritório tinha o cheiro característico de um... Escritório. A recepcionista mandou que eu subisse com o jornal do setor. Um jornal mercantil. Só números e velhos falando de como a economia sempre está ruim. Jogo na primeira mesa pela qual passo em caminho até a minha mesa. Ligo o computador, começa aquela musiquinha que toca quando inicia o sistema operacional.

Tuesday, February 19, 2008

cabum

Aquelas embalagens de papel, que se põe pães em padarias. Ele amassou forte e deixou sobre sua mesa. Levantando e esquivando-se das cadeiras vizinhas saiu da sala. Começou a apressar os passos, até começar a correr. A sua secretaria terminava de atualizar alguns dados de faturamento e se assustou com a saída brusca de seu chefe. Um tique-taque agonizante toma conta da sala. O saco amassado de papel, aos poucos vai inflando. O nome da secretaria era Josefina, e amava o seu filho. Antes de morrer deu uma rápida olhada na fotografia do menino em sua mesa. Há poucos metros da empresa, um vendedor de cachorros-quentes termina de esquentar as salsichas.

Então tudo explode. Ele saiu bem na hora, entrou em um carro vermelho escuro e acelerou. O vendedor de cachorros-quentes falou “mama mia”, deixando uma salsicha que estava presa num garfo cair no chão. A salsicha rola para perto do prédio da empresa e começa a pegar fogo junto. Josefina está morta; seu filho a espera na porta da escola.

Thursday, February 07, 2008

mongo

O menino preparava toda uma civilização de areia. O rei desta civilização seria um siri. Seu nome seria Mongo. Pois se este menino vivesse em seu próprio mundo, haveria de ser chamado de Mongo, o terrível. Mal tinha cinco anos, a criança era um tirano. Um genial tirano, inclusive. Construiu uma forte parede de areia, que assim impede as ondas fortes de destruírem seu reino de areia. A verdade é que de tempos em temos uma criança, aos cinco anos, tem um surto tirânico, exatamente numa quinta feira de sol, quando os pais, vai Deus saber, decidem ir a praia. Esta criança, que pode ter sido eu ou você, começa a construir um império maligno de areia. Geralmente o surto psicótico megalomaníaco infantil deixa de existir no momento em que uma onda faz o seu trabalho. Caso não, o menino trará desgraças para o mundo. Provavelmente Mongo conseguirá.

Saturday, December 01, 2007

assim

Estava naquela mania feia de equilibrista de cadeira de escritório, pra lá e pra cá. Pisquei e já estava no chão, com traumatismo craniano, morto.

Todos no escritório estavam tão concentrados que meu ultimo dia de vida foi bastante despercebido. E só quando a redatora, ao reclamar do cheiro pediu para aumentar o ar-condicionado, mexeu a cabeça de relance – o suficiente para perceber que não estava de frente ao computador, e sim deitado no chão, com a cadeira e sangue. Ela começou quase que rindo e dizendo “eu falei que ficar balançando na cadeira daria nisso!”, mas quando notou o sangue já ressecado atraindo mosquitos soltou um grito de pavor. Meus outros colegas de trabalho se viraram, gritaram também. O faxineiro entrou correndo na sala, me viu, e também gritou.

Acho que todos da empresa gritaram neste dia. Depois chamaram uma ambulância, apesar de já ser tarde demais. Depois dos gritos tudo até procedeu rapidamente e meu velório no outro dia fora tranqüilo. Apesar de ter pedido para ser cremado fui enterrado no tumulo da familia, junto do da minha irmã mais nova falecida. Enquanto era enterrado sentia-me frustrado, sou gordo, abuso do açúcar e poderia ter morrido por algo assim pelo menos. Pelos meus vícios, diria. Se bem que balançar na cadeira poderia ser julgado como um vício, acho. O dia estava chuvoso. Parece que são sempre assim em enterros. A terra estava úmida e soltava um cheirinho gostoso de grama com terra molhadas. Estava muito escuro dentro do caixão.

Um tanto sufocante também.

Thursday, October 18, 2007

valeu a pena

Foi um pouco depois do almoço. Eu estava na mesa, e a garçonete vinha para limpá-la. Rabiscava no guardanapo. Enquanto passava o pano na mesa ela perguntou “você desenha?”, virei o rosto para responder. Mas na cheguei a ele. Fiquei preso no decote, olhando estupefato para encontro perfeito daquele abençoados par de seios. “Hein”, ela falou. Meio que despertei, falei um sim miúdo, ela sorriu com maldade.
“Quer desenhá-los?”
“Meu Deus do céu. Sim”, não pensei nem duas vezes. Ela se agachou um pouco mais, para que eu pudesse vê-los. Rabisquei freneticamente, tentando conter meus gemidos, me sentia me masturbando. Riscava com tanta força que rasgava o pape e arranhava a mesa, a testa suava, e ela lá, ofegando leve, esperando o produto final. Gozei com o ultimo rabisco, ela puxou rápido o desenho e o enfio entre as pernas, fundo. “Depois você pega de volta”, sussurrou em meus ouvidos e saiu para limpar as outras mesas.
Chequei para ver se tava muito aparente na calça. Não. Corri a passos curtos e ligeiros até o banheiro. Tirei as calças, puxei quase todo papel higiênico, pus a limpar meu pau. O cheiro de porra alastrou-se pelo banheiro e impregnou-se em mim. Sentei na privada, ciente que não tinha mais jeito, olhei o relógio, quinze minutos para voltar ao trabalho. Toc toc. “Ocupado”, respondi.
“Sou eu.”
“Puta merda”, destranquei o banheiro, ela entrou. Fungou o cheiro, sorriu. Sentou em meu colo, começamos a foder. Não sei bem, sentia uma dor estranha na ponta de meu pau, tudo bem, tava bom demais, com ou sem dor. Dava até mais prazer. Trepamos os quinze minutos que faltavam para o trabalho. Ela me beijou, piscou, saio do banheiro. Quando me toquei meu pau sangrava, todo cortado. Lembrei do papel que ela enfiou entre as pernas. O pau sangrava muito, sujando a calça, cueca, tudo. “Valeu a pena”, pensei comigo.

Tuesday, September 18, 2007

por acaso

Os dois se conheceram numa palestra sobre cinema. Notaram-se durante indagações sobre o expressionismo alemão. Ela achou o comentário dele extremamente ultrapassado, mas com um charme que só as pessoas ultrapassadas costumam ter. Ele a estereotipou pela roupa na primeira vista. Mas provavelmente foi a primeira vista de estereotipassão mais longa já feita na vida dele. Quando a palestra terminou, os grupinhos e panelinhas se formaram no corredor da saída, todos expondo aquele amplo conhecimento sobre cinema que todos que querem aparecer nesse ramo demonstram possuir. Ela de provocação criticou a opinião dele. Ele, claro, se sentiu provocado. E apontou suas hipóteses.
Ela não queria saber de hipóteses. Ela é do tipo que acha e pronto, e se não gostou azar. Menina geniosa. Os dois acabaram sozinhos naquele debate sem propósito. Simpatizaram-se, trocaram telefones e e-mails – foram para suas casas.
Daí se passou meses, e cada um viveu sua vidinha. Nunca mais pensaram um no outro, senão por acaso, vez por outra, por segundos, e milésimos de segundos. Mas então, aconteceu que na carteira dele, socada lá no fundo, um papelzinho com um e-mail chamou atenção, e ele sem saber quem ou de onde simplesmente cadastrou em seu chat para desvendar o mistério.
Por sorte, quem sabe, ela estava na internet, pesquisando sei lá o quê, viu o estranho aparecendo em seu chat. Ela fez : “quem é você?”.
”Sou eu, e você?”
“Eu”.
E assim deletaram logo em seguida os contatos um do outro.

Tuesday, September 04, 2007

profecia

Uma mesinha frágil, com copo seco há uns dias, porta lápis cheio de tesouras e réguas mas nenhum lápis, impressora quebrada, boneco do Batman brinde de um ovo da páscoa, telefone fora do gancho, grampeador sem grampos, escritor sem idéias.
Ele fica em um quartinho, daqueles bem clichês escuros dos escritores isolados e sem dinheiro, com provavelmente cheiro de cigarro, bebida e testosterona sedentária fortes. Fazia muito tempo que ele não dormia, e ele nem lembra quando foi que entrou no quarto para escrever – jurou sair só quando terminasse seu romance. Na metade da primeira página a trama se desvinculou das primeiras idéias descritivas e transformou-se numa ficção de surreal desdobramento. A lâmpada da luminária desenroscou-se lentamente continuando acesa – e brilhando cada vez mais. A lâmpada criou vida, e inclusive falou “Sou um anjo enviado por deus do mundo das idéias”. O escritor antes de qualquer coisa pensou a respeito da cafonice que seria um anjo em forma de lâmpada representando o mundo das idéias em seu livro. Depois ele se assustou, ajoelhou e gritou por piedade. A lâmpada flutuando por mais que brilhasse não iluminava o quartinho, fazendo parecer um enorme espaço negro sem fim. Ajoelhado o escritor puxava com a mão direita a bermuda que deixava escapar o cofrinho e com a esquerda fazia sinal da cruz. “Palerma, é com a direita que se faz sinal da cruz”, exclamou a lâmpada angelical. O escritor chorava de medo e desespero se perguntando se já estava morto ou iria começar em algum momento. “Não sou anjo deste Deus, palerma. Sou do mundo das idéias, idealizada por Sócrates”!
“Platão”.
“Que seja!”.
Bem na hora da quebra de parágrafo, pensou o escritor. Pouco antes da metade da primeira página de seu livro perdeu o fio da ninhada. Poderia ter vindo uma musa sensual, e não uma lâmpada fluorescente. O escritor segurou sua incontinência urinaria, encheu seu coração de coragem e perguntou “o que você quer?”. A lâmpada então sorriu. O escritor viu pela primeira vez uma lâmpada sorrindo – e ninguém mais sabe como é além dele. Sorriu e falou “Estamos com discos voadores poparts espalhados por esse planeta, e finalmente dominaremos o mundo como temia seu velho filosofo”.
Aquilo era mais do que filosofia, era ficção cientifica descabida misturada com religiosidade e noções básicas de filosofia e arte extremamente mal estudadas.

Tuesday, July 03, 2007

reunião

Suas pernas eram lindas. Soberbas. Descruzou e cruzou de propósito. Estava sem calcinha, aquela vadia. Ascendeu um cigarro, bebericou o whisky.
- Você fuma? – ela perguntou.
- Não, nem bebo. Mas pode ficar a vontade. Não me incomoda a fumaça.
Embaralhei as cartas de varias formas possíveis para passar o tempo. O gosto de fumaça entrou pelo nariz e secou a garganta. Faltava a chegada de Bob.
- Você é o que dele mesmo? – perguntei.
- Ex. A que sobreviveu aquele maníaco.
Exagerada. Todas elas. Bob é um filho da puta, e as mulheres adoram os filhos da puta. Lembro-me quando Bob comeu a gatinha da sala em plena quarta serie. E depois a professora. Era horrorosa, foi uma aposta. Já fazia duas horas desde o horário marcado. Fazia anos que ele não ligava pra mim.
- Aló?
- É o Bob.
- Há.
- É.
- Hum.
- Escuta, preciso falar com você.
- To sem grana.
- Não é isso. É muito importante para mim. Naquela lanchonete que dizem assar ratos. Como quando éramos garotos.
- Hoje em dia é uma Mcdonalds.
- Isso. Na Mcdonalds ás três da tarde. Conto com você. Clic.

- Você tem fogo?
- Hum?
- É que acabaram meus fósforos.
Ela até que era bonita de rosto também. Bob é um canalha filho da puta miserável.
- Já falei que não fumo.
Ela olhou feio pra mim, deu fim a sua bebida num gole só. Depois soltou um arroto.
- Desculpe.
- Tudo bem.
Depois de mais uns quinze minutos ele chegou. Estava acabado, com óculos escuros remendados. Circulou pela lanchonete como que fingindo que não nos avistara, depois com o cinismo que lhe é sempre atribuído abriu os braços sorrindo exageradamente.
- Docinho!
- Seu merda.
- Meu chapa!
- Já falei que to sem grana.
Daí ele puxou uma cadeira, sentou que nem um texano metido e contou uma história extraordinária sobre andar pelo deserto por semanas, visões espirituais, alienígenas viciados, entre outras coisas absurdas. Deus sabe como aquilo tudo era ridículo, mas é raro ver sinceridade nos olhos de Bob como naquela hora.
- Tudo bem Bob, toma dez pratas.
- Obrigado cara!
- Meu docinho, quer dormir no meu apartamento hoje?
- Já disse que te amo meu amor?
O casal de pombinhos foi na frente. Fiquei mais um pouco na lanchonete, pedi um hambúrguer. E adivinhem só: quando abri o sanduíche para por ketchup tinha um rato tostado lá dentro.