“o governo e diversas multinacionais pagam os alienígenas cabeçudos para bombardearem em nossas mentes propagandas e publicidades subliminares””

Tuesday, June 28, 2005

Lugar deprimente

Estou procurando por um lugar.
Não sei bem onde é.
Seis da manhã. Um pesadelo ajuda na pontualidade. Encarar o mesmo teto há tantos anos tem sido parecido com uma doença.
Cinco minutos costumo demora em sair da cama. Os cinco minutos que me fazem lembrar de o quanto me odeio.
Eu me odeio.
Eu me odeio.
Eu me odeio.
- Já acordou?
Eu me odeio.
- Oi?
- Eu me odeio.
- Hã?
- Bom dia...
- Você esta bem?
- Difícil responder isso após acabar de acordar.
Mais um suspiro. Contenho uma lagrima. Quantas eu já contive todas as manhãs? Preciso sair. Encontrar o lugar.
- Vou sair.
- Pra onde?
- Não tenho para onde ir. É por isso que tenho que sair.
Eu preciso achar um lugar.
O lugar.
Hoje irei ao centro. O centro é cheio deles. Os lugares. Muita gente não gosta do centro. Eu penso que possa existir certo carisma.
Vou tomar banho.
O banho me toma.
Cada gota do chuveiro me castiga com o frio. Contenho-me para não tremer. Cantarolo baixinho alguma coisa qualquer que não sei cantar.

Nota: Texto incompleto. Escrevi-o bem deprimido e como não estou mais deprimido não sei continua-lo (nem quero na verdade).

Samuel Gois Martins 28/06/2005

Sunday, June 26, 2005

A hora

A hora: Vamos, está na **.

O louco: Não posso ir.

O gordo: Estou sem pernas.

O louco: Onde foi que as perdeu?

O louco: Guardei-as em algum lugar e não acho mais.

O louco: Não deixou na cozinha?

O louco: Não tenho cozinha.

A hora: Você vai se atrasar...

E as gravatas?

A hora: As gravatas!

O louco: Não posso esquecer as gravatas!

A mulher: Você tem namorada?

O gordo: Você quer namorar?

O gordo: É só brincadeira.

O gordo: Não me olhe assim!

A hora: Não beba demais. Achou as penas?

E as gravatas?

O louco: Estou gordo.

O louco: Será que ela vai gostar de você?

O louco: Você quer namorar?

O espelho: Você quer namorar?

Namorar é uma palavra brega, que nem as gravatas.

O gordo: E as pernas.

A mulher: Como disse?

O louco: Que bom que achei as penas.

A hora: Não chegue tarde.

A mulher: Seria melhor sermos apenas amigos.

O louco: Vou matar o gordo.

O louco: Eu também.

O louco: Deixem o coitado.

O gordo: Estou suando.

A mulher: Gordos fedem desse jeito?

A hora: Não chegue depois da meia noite.

A fada madrinha: Gordo fedorento.

As pernas: Andam.

A mulher: Foi bom conhecer você.

A mulher: Seremos bons amigos.

A mulher: Por que esta andando no meio da rua?

A mulher: Cuidado com o carro!

O louco: Até outro dia!

O louco: Foi bom conhecer você!

A hora: Isso são horas?!

O gordo: Morri.

A mulher: Merda!

O louco: Caralho!

A hora: Puta que pariu!

O carro: Crash.

O louco: Na sala. As pernas estão na sala!

O gordo veste a camisa menos apertada e penteia seu cabelo. A gravata é de mau gosto, mas de bom coração. Espera que role algo.

(Samuel Gois Martins) 26/06/2005

Tuesday, June 14, 2005

Violência e vulgaridades desnecessárias de Deus

No final do corredor vejo as linhas que formam o destino.
Essas linhas medem seus 1,68 centímetros e devia perder uns quilinhos.
Linhas que fedem a pessoa que urina e não lava as mãos.
As mãos estão bem próximas, acompanhadas de um sorriso amarelo imbecil.
Exatamente 35 segundos se passam.
- Bem, você deve ser você.
- É, sou eu mesmo.
- Poderia me acompanhar?
Por que o idiota continua apontando a mão para mim? Fedor de porra desgraçado. Não é mijo não. Punheitero desgraçado filho de uma puta. Não vou aperta sua mão. Não mesmo...
- É um prazer...
Ele segura a minha mão firme. É veado. Tenho certeza. Firme demais. Achou que eu não ia notar, em?
Caminhamos com uma pressa discreta até o final do corredor. A luz inicial ofusca meus olhos. A luz saia da própria pele do sujeito. O Foda em pessoa.
O Foda fala:
- Analisamos cuidadosamente o seu perfil empresarial...
Eu fico olhando com cara de cu. Calado, escutando a voz fodonica do Foda.
- Você parece possuidor de categoria para este trabalho...
Mais categoria que eu, só o aquele negão de pau enorme dos filmes pornôs. Qual o nome dele mesmo?
- Diga, aqui fala que você possui total desapreço pela vida e valores morais...
Long Dond Silver, acho que é esse o nome.
- Você está realmente disposto a fazer o trabalho sujo?
- Com toda certeza. – respondo com aquela cara de balconista do Bob’s.
- O que acha de meu assistente?
Encaro o gorducho punheteiro com o sorriso da hora do pagamento, o seu Bib Bob, senhor.
- Um punheteiro fedorento gordo de merda.
O retardado continua com aquele sorriso de antes.
- Você o mataria?
- Com todo prazer.
O Foda tira da gaveta uma arma bem legal. Daquelas que fazem bang bang com estilo, tipo aqueles filmes de Tarantino. Senti até a trilha sonora.
Bang bang.
O sangue escorreu pelo carpete. Sorte que a cor era a mesma.

(Samuel Gois Martins) 14/06/2005

Thursday, June 02, 2005

Coração mascarado e a chuva de palavras molhadas

Chove. É o tempo. E o tempo não passa.
Termino um parágrafo do livro. Mais um cheio de palavras. E as palavras vão se perdendo. Elas fogem para algum lugar melhor. Mesmo assim o teto é branco.
Esta usando mascara e chega sorrateira. Cheia de perguntas.
- Mais palavras?
- Ou menos. Estou perto do fim.
- E sobre o que são?
- Ainda não sei ao certo.
- Mesmo perto do fim?
- Mesmo terminando o livro. Eu não vou saber sobre o que é.
- Por quê?
- O livro é sobre liberdade. Sobre amor.
Ele mira bem nos olhos, escondidos por detrás da mascara.
- Você não sabe nada sobre os dois...
- Quem sabe? Você sabe? Não sabe. Você esta tão presa numa mascara. E é tão seguro nela. Não é mesmo? Está tão segura distante daqueles que amariam o seu rosto. Amariam o seu corpo.
- E dos olhos todos tem medo
Sobe na cama. Parece um gato. Abraça-o.
Sussurra:
- A chuva não para.
- É o tempo – ele responde.
- E o tempo não passa...

Não poderei entender o livro.
O livro parece não ter fim.

(Samuel Gois Martins) 02/06/2005

Monday, May 30, 2005

Lagrimas

Lagrimas?Chove todo dia, não precisamos de lagrimas.
Mas o garoto miúdo não se deixou vencer pelas palavras frias de sua irmã magra.
As lagrimas estão em algum lugar, fala pra si mesmo.
Escolheu pegar carona num rio de chuva que surgiu próxima a avenida de sua moradia. Ele deslizou até chegar nos porões do esgoto onde tiraria suas duvidas com um peludo narigudo.
O peludo narigudo. Em posição de lótus se banhando numa cachoeira de fezes do banheiro numero quinhentos. Um número sagrado.
Garoto miúdo não tinha palavras, nem pensamentos, para descrever o quão nojento e iluminado era aquela visão.
Diga Miúdo, o que o traz aqui?
O que o traz aqui? Boa pergunta.
Lagrimas.
As chuvas acabaram com as lagrimas...
Não existem mais lagrimas?
As pessoas não têm mais coragem de enxugá-las. Pediram para os cientistas darem um jeito.
Os cientistas transformaram em chuva?
Basicamente.
Mas todos continuam tristes...
Por isso chove.
O garoto então entendeu e sentou-se ao lado do peludo narigudo.

(Samuel Gois Martins) 30/05/05

Thursday, May 26, 2005

Diálogos de época

- Quero uma guilhotina, ela arranca cabeças sabe... A minha? Não, a sua. É, a sua. Vai rolar pelo chão até cair em meio ao publico. Vai ser a melhor parte do show.
- Senhor, lamina serrada ou bem afiada?
- Qual dói mais?
- Serrada. Mas acho que não vai cortar de imediato...
- Serrada então. Não chore, por favor. Por que você? E ainda pergunta? Olha só onde estamos! Idade Media, das Trevas, período feudal, bla bla...!
- Senhor.
- Diga.
- Estamos sem laminas.
- Sem laminas? E a forca?
- Os cupins...
- Eu mandei vocês cuidarem desse problema dos cupins na semana passada!
- Desculpe, senhor! Por que não deixa o publico apedrejar o culpado ate a morte?
- Não é má idéia... O que você acha? Gritar e chorar não vai mudar o fato de que será acusado de bruxaria... Injustiça? E aquele gato preto? Não me diga que você apenas dava leitinho que eu não caio mais nessa! O que mais? O que mais? Você ainda pergunta?! O padeiro me falou que você andou falando que a terra era redonda, que coisa mais feia...!
- Senhor o povo não quer apedrejar, alegam ser cafona. Pediram por churrasco.
- Churrasco então. Como? Você tem alergia a fogo? Não se preocupe. É só na primeira vez... Onde está o meu capuz?


(Samuel Gois Martins) 26/05/2005

Tuesday, May 24, 2005

Voar, amar, etc.

Pequena Jasmim recentemente aprendeu a voar.
Como é o céu visto lá de cima, pequena Jasmim?
- São milhares de centenas de bolhas flutuando. Com todas as cores. E o som do vento são todas as melodias. Por um momento você sente um choque que percorre todo o corpo. É exatamente ai que descobri sobre a liberdade.
Liberdade?
- É. Liberdade. Tão surreal. Próximo da morte... Tem sabor de morango.
Morango?
- Só os plantados no Pólo Sul.
Pequena Jasmim... Isso é voar? Para mim você esta amando...
- Amando? Não mesmo... Quando amamos infelizmente estamos com o pé bem no chão.

(Samuel Gois Martins) 24/09/2005

Tuesday, May 10, 2005

Perseguição medica.

O clinico geral.

- Você esta morrendo...
- Cedo ou tarde...
- Estou dizendo que se continuar assim vai ter problemas piores que o seu pai.
- Divórcios?
- Diabetes e hipertensão.
- E eu já não tenho um desses?
- Só Deus sabe como você ainda é saudável... Vamos perder uns quilos meu rapazinho...

O psicólogo.

- Então você tem problemas de comunicação com seu pai?
- Eu não. Por que acha isso?
- A almofada azul ficou tão distante da branca...
- Ta dizendo que só por isso tenho problemas com meu pai?!
- Ou de auto-estima...
- Auto-estima?!
- Já pensou em perder peso?

O dermatologista.

- Você devia cuidar mais da pele.
- Não tenho tempo pra essas coisas.
- Então não devia cutucar tanto...
- Preciso desse tique nervoso de vez em quando. Mantêm o juízo.
- Sabia que a alimentação tem tudo haver com a pele?
- Vai me mandar perder peso?
- Já deveria ta perdendo!

O oculista.

- Bem... Não aumentou o gral esse ano.
- Maravilha...
- E você não apresenta nenhum problema preocupante.
- Ótimo.
- Mas seria bom perder uns quilinhos...

O dentista.

- Parece que seus dentes estão em ordem... Você come muitos doces?
- U esmo guii txodjo undo...
- E coisas gordurosas.
- Nhaum maiz gui txodja humanidjadji.
- Poderia praticar exercícios então...
- Ploderinha shoutxa mina buca...

(Samuel Gois Martins) 10/05/05

Tuesday, May 03, 2005

O Porco falante

Mais vezes eu esperei por ela. Mais vezes. Ou menos dependendo do dia, sexta feira mesmo... E teve o dia que o porco falou.
Ela costumava dizer que me amava. Eu também. Ate hoje me pergunto se mentíamos um para o outro em momentos de solidão ou apenas éramos pessoas malvadas.
O porco só sabia fazer oinc.
- Oinc.
- Então ela foi embora pedindo para que eu a esperasse.
- Oinc.
- Acho que foi sua ultima crueldade, após as mentiras.
- Oinc.
- A minha crueldade é esperar. Até a consciência pesar tanto que sua cabeça vai cair no chão como uma bigorna pesada.
- Oinc.
- Bem pesada.
- Pesada.
E foi assim que o porco falou.

(Samuel Gois Martins) 3/5/05

Monday, May 02, 2005

Loucuras

De todos os gêneros são os pensamentos.
Um deles certo dia decidiu fazer revolução. Correu feito um louco pela rua, na frente de todos, pelado e cantarolando coisas indecentes.
Veio o hospício e o amarraram em uma camisa de força.
Acusaram o pensamento de loucura.
- Foi tudo culpa daquela professora maldita!
- Ordem no tribunal! Ordem!
Jurados, advogados, juiz e réu. Todos inquietos e ansiosos com o destino do pensamento maluco.
- Essa não é uma terra de liberalismos. Senhor Jui...
- Discordo! Cadê o meu advogado? Não tenho advogado?!
- Ordem! Ordem!
- Como eu dizia, não permitimos pensamentos loucos correndo pelados por ai. Querendo escandalizar uma cabeça sã.
- Eu não sou louco! Apenas um pensamento diferente! Uma revolução! Uma idéia!
- Bla bla bla. Senhor Juiz e jure. Olhem para esse pobre coitado. Apenas uma criança sem auto-estima que acha que nossa cabeça é como as merdas que mostram na televisão.
Grande erro.
- Ei! Eu gosto de 24 horas!
E o júri e platéia se revolta...
- E eu de Simpsons!
- Eu adoro a novela.
Silencio.
- Friends, eu quis dizer Friends!
- Ordem! Ordem no tribunal!

- Você ia dizer alguma coisa?
- Hã?
- Você me puxou para esse lugar para me dizer alguma coisa... O que é?
- Bem...

- Decreto que o réu não é louco, apenas uma idéia diferente que vale a pena ser arriscada.

- Quer casar comigo?

(Samuel Gois Martins) 2/5/05

Monday, April 25, 2005

Fantasmas

Tem uma casa cheia de fantasmas.
O filho.
A filha.
O pai.
A mãe.
O morto.
Todos fantasmas. Vagando por ai. Fingindo que não existem.
As crianças que passam por ali sempre olham com espanto para a casa.
- Tem certeza que é assombrada?
- Sim!
- Jura? Quem te contou?
- O morto!
Claro, se foi o morto.
Sempre assim entre as crianças quem andam por ali até a escola.
Durante a noite os fantasmas choram. Urram gritos de lamentos e desespero. É assustador.
Tão assustador que o morto não agüentou. Arrumou suas malas e foi embora. Não suportava viver naquela casa assombrada.
A crianças continuam comentando.
A cidade toda fala.
A cidade toda reza.
Do pai, do filho, da filha, da mãe, e do espírito santo. Amém.

(Samuel Gois Martins) 25/04/2005

Sunday, April 17, 2005

Fabulas com peixes e anões

Se não estivesse tonto o suficiente o carinha ia correr e meter porrada no maldito anão. Sim, vamos falar do anão já já. Numa visita em que o carinha fez a cidade de João Pessoa, lugar que mais parece um jardim cheio de pedrinhas bonitas onde as pessoas moram dentro, conheceu um peixe maroto chamado Rogério. Rogério tinha se afastado da vida de água salgada e foi no centro da cidade em busca de oportunidades. O carinha escutou daquelas historias que a mulher da Paraíba abre as pernas para qualquer sujeito do sul, triste decepção que gente feia ainda consegue ser feia em todo canto. Voltado ao anão, ele vendia vale transportes nas paradas confusas da lagoa, o cartão postal mais conhecido da cidade. O carinha estava na parada conversando com o peixe maroto. Perguntou por que não iria nadar na lagoa. O peixe respondeu que a praia dele é água salgada, mas que esta tentando parar por questões medicas. Tudo bem, o carinha comeu uma dona, foi ate assim que ele ficou muito amigo do peixe Rogério que deu uns toques de como levar as donas pra cama. Foi nessa mesma noite também que ele conheceu o anão. O anão córneo ele. O anão pegou a mina dele. Anão filho da puta, como diria Rogério. E não foi que na bendita parada lá estavam eles frente a frente? Mas tava foda. A lagoa fedendo. O carinha não tava acostumado com o cheiro da lagoa.

(Samuel Gois Martins) 17/04/2005

Friday, April 15, 2005

Poluição sonora

stunque stunque stunque a rede de televisão orgulhosamente trim trim você ainda não arrumou o quarto trim trim estrelado por alô stunque stunque stunque eu pesso todo dia para você arrumar esse quarto alô é você não perca esta noite chhiiii stunqui stunqui clic clic por que não me ligou não custa nada arrumar o quarto e com vocês o ultimo sucesso da musica pop stunque stunque stunque gostaria tanto que você ligasse mais para mim chiiiii stunque mas sempre aquele chão espalhado de cuecas e revistas hoje é festa lá no meu apê stunque stunque stunque clic chiiii você me traio marcos augustos mas não tenho sempre que ser eu a ligar para você não perca o próximo episódio seu irresponsável que sequer trabalha ou estuda stunque stunque você não me ama mais não é chiiiii pode aparecer o que é essa faca alô alô stunque stunque clic slap crep chiiii

(Samuel Gois Martins) 16/04/2005

Monday, April 11, 2005

Globalização e juventude

As possibilidades são muitas. Provavelmente um pássaro morto pendurado por uma corda, galinha talvez. Isso tudo no meio de um pentagrama de...
- Sangue, senhor.
- EU tava narrando. Sabia?
- Desculpe senhor, por favor, desculpe.
- Sem grilo.
Boa parte dos detetives e policiais que se prezam não perderiam tempo cuidando de casos imbecis com adolescentes e animais mortos. Todos sabemos que isso não passa de drogas. Também se podem culpar alguns jogos malucos e aquelas bandas de rock.
As boas mães fazem protestos na casa do prefeito mandando proibir tudo isso.
Bah, coisas idiotas. Adolescentes são idiotas. Um bando de degenerados na verdade. Pegam a coitada de uma galinha, derramam o seu sangue, desenham um pentagrama, se drogam e depois cometem suicídio coletivo para aparecer na televisão.
Chamem de estranho, chamem doentio, decadente. Eu chamo de globalização.
- Senhor...
- Diga.
- Devo ressaltar que eles arrancaram as próprias pernas antes de se matar.
- Eu notei.
- Alguma idéia?
- Acho que arrancaram para não poderem fugir depois.
- Isso é meio bobo chefe...Assim...Acho que é menos doloroso se matar de uma vez.
- Meu querido parceiro.Olhe para eles...O que você esta vendo?
- Cinco adolescentes. Media dezesseis a dezoito anos, quatro garotas e um...
- Um garoto?
- Bem, era para ser.
- Entendo.Prossiga.
- Bem, os jovens estão sem suas pernas e com os pulsos cortados.Maquiados no estilo conhecido como gotic...
- Você já entendeu?
- Como assim, chefe?
- São adolescentes... Adolescentes são idiotas. Adolescentes idiotas arrancariam as pernas para não fugir da merda dum ritual mais idiota ainda.
- Mas, senhor...
- Eu trabalho nessa merda há dez anos. É sempre assim. Entendeu bem?
- Sim...
- Ótimo.

(Samuel Gois Martins) 7/06/2004 – 12/04/2005 (editado)

Sunday, April 03, 2005

Imortais

Uma troca de olhares.

Ela respira com a calma na nobreza. Tantos e tantos anos.

Ele ofega aos tropeços de sua fé. Tantos e tantos anos.

Os dois sabem que o tempo não é nada. Estão sobre a terra a tanto tempo que as pessoas mal conseguem acreditar que um dia poderão deixar de existir. Na verdade, eles sabem que mesmo quando estiverem debaixo da terra, sua existência se prolongara por algumas décadas na memória dos homens.

Sua bengala revela uma lamina, seu turbante é jogado para trás. E debaixo apenas a velha bata de padre que possuía antes disso tudo começar.

Tantos e tantos anos.

Ela tira aquela espada cheia de jóias. Ainda suja com o sangue do século passado.
O som da batalha.
- Só pode haver um. – ele sussurra.
De tantos e tantos anos.
- É verdade. – ela decepa.
O papa morreu. E deus salve a rainha. Uma dos últimos imortais.
- Tantos e tantos anos. – terminou a cabeça rolando no chão.

Amem.

(Samuel Gois Martins) 03/04/2004

Thursday, March 31, 2005

Geladeira peidona

- Muito bem... Quem foi?
- Eu mesmo não.
- Nem eu. Foi você, né?
- Eu?! Por que eu?
- Se não foi nenhum de nós... Só pode ter sido você!
- Grande detetive!
- Você esta sendo irônico comigo?
- Muito bem. Calma. Pode admitir quem foi... Hora bolas, ninguém vai ficar chateado...
- Isso mesmo.
- Concordo.
- Perfeitamente.
- Humhum.
- ...
- ...
- ...
- ...
- ...
- Porra! Fala logo que foi você!
- Eu uma droga! Foi você! Ou voce?
- Que tem eu?
- Isso ai. Foi ele!
- Como tem tanta certeza?
- Bem... Então quem foi?!
- Acho que foi a geladeira.
- A geladeira?! – todos em uníssono.
- Isso ai. A geladeira!
- É, uma fruta podre na geladeira.
- Realmente, tem sentido.
- Inteiramente.
- Humhum...

(Samuel Gois Martins) 31/03/2004

Sunday, March 27, 2005

Carta de amor a ninguém

Desde a primeira vez... Que eu nuca vi você. Sempre tive certeza, encontrando aqueles olhos que nunca encontrei, era você. O vento que jamais soprou batendo naqueles cabelos que nunca nasceram. O largo sorriso que nunca foi feito.
Eu ate lembro onde eu não estava. Descia uma ponte de sonhos que construí desde minha primeira reflexão negada ate o ultimo suspiro contido. E me perguntava qual seria o não rumo. Lá não estava você, sentada na beirada, apreciando o por do sol que nunca aconteceu.
E as ondas do mar que sequer bateram? Maravilhosas.
Provavelmente você não me olhou com desdém. Um cara gordo, de longe com uma aparência próxima do que chama de atraente. Claro que você nunca olharia. Da mesma forma que eu nunca olharia você. Nem se quisesse, pois você não existe. Certo?
Eu me lembro muito bem de como não me sentei ao seu lado, da coragem que não tive para fazê-lo. Da coragem que não tive para dizer:
- Oi.
E também me lembro muito bem da sua resposta nunca pronunciada:
- Quem é você?
Mas foi um quem é você de ironia, nem rancor, ou medo? Não. Não foi de uma infantil curiosidade. Inocente e bela curiosidade. E teve o que eu não respondi.
- Ninguém...
E o espanto que você não teve. Pois como era grande a coincidência.

Samuel Gois Martins 27/03/2004

Friday, March 25, 2005

Desde que me lembro

O cheiro apetitoso que revela a hora da janta. Meu pai, minha mãe, eu e tia Margarida corremos para a mesa. E também tem o cara misterioso que desde que me lembro também aparece para jantar com agente. Desde que me lembro. Ele se senta na outra cabeceira da mesa. A terceira cabeceira da mesa. Ele fala bastante, mas parece que ninguém nunca da muito ouvidos para ele. Nem eu. Misteriosamente o papo dele na ultima noite me intrigou.
“Vocês deviam provar o gelo. É maravilhoso!”.
Gelo pra cá, gelo pra lá.
“Qual gelo?”.
Os meus pais, e tia Margarida, me encararam intrigados. Mas logo voltaram a comer a torta de frango e conversar sobre políticos.
“Vocês têm que provar! Não fazem idéia do que estão perdendo!”.
“Onde posso provar?”, perguntei.
“Provar o que, meu filho?”, perguntou mamãe.
“O gelo!”.
O cara misterioso agora passava a mão sobre a cheia barriga. Ele gostou da torta.
“Na geladeira, querido. Se você quiser tem na geladeira”, concluiu minha mãe antes de virar seu roto para tia Margarida e falar alguma coisa sobre absorventes.
O cara se levantou, acenou um discreto e cômico adeus e saio pela porta da frente. Como sempre faz. Desde que me lembro. Engraçado que ele sempre saia pela porta da frente que ninguém nunca usa. Papai fala sempre que não temos uma segunda porta da frente. Mas ela esta lá. Tudo bem... Já desisti de mandar mamãe limpar a terceira cabeceira da mesa.
Sim...Não gostei muito do gelo. Talvez só tenha sabor para quem toma na terceira cabeceira da mesa.

Samuel Gois Martins 25/03/2005

Thursday, March 10, 2005

Tecido delicado

O gosto de amargura chega a ser doce quando combinado com o da satisfação momentânea.
A senhorita pôs sua meia-calça. É incrível como gosta de usar uma coisa tão descartável. Principalmente em festas como essa.
- Não é evidente que em seguida vão se rasgar?
- Ai que esta a graça, meu amor.
Escapou a ultima baforada do cigarro.
As quatro da manhã ainda podia escutar gemidos, risadas, gritos e choradeiras. O corredor tinha um cheiro incomum de humanidade decaída e cada porta parecia um novo mundo macabro. Talvez seja por isso que gosto de vir aqui. Para me acostumar ao inferno.

Lá fora o meu motorista me espera atento com seus olhos de coruja.
- Como foi à noite, senhor?
- Como todas as outras, meu amigo.
- Pelo perfume sinto que ainda visita aquela senhorita.
- Não lhe pago para ser um detetive!
- Perdoe-me, senhor. Só estranho. É a primeira vez que vejo o senhor passar mais de três noites com a mesma mulher.
Ele levanta o freio de mão e faz aquela maquina maravilhosa começar a andar.
- É por causa da meia-calça. Acho.
O motorista deu uma risada silenciosa e formos para casa antes do sol nascer.

(Samuel Gois Martins) 10/3/2005

Monday, March 07, 2005

Pintinhos bastardos

Pequenos garotos brincavam se jogando. Uma brincadeira não muito esperta.
- São apenas garotos.
Aquela velhinha ria sempre falando isso quando assistia a estúpida brincadeira. Não que eu desse muita importância a todos esses fatos.
Um dos garotos se chama Charles. Onze anos e bastante merda na cabeça como principais pontos de seu currículo. Uma vez ele estuprou uma galinha, no outro dia ela pôs ovos. O idiota achou que fossem seus filhos e ate hoje esconde os pintinhos de baixo de sua cama. Ele anda por ai com o nobre porte de um homem chefe de família. Mal sabe ele que os pintinhos na verdade são filhos de seu amigo Mauricio.

(Samuel Gois Martins) 7/3/2005