pés feridos - cacos de vidro - vermelho - dor - lagrimas - água sanitária
corre até o banheiro - tenta entender o que esta acontecendo - grita - chora
água sanitária
sangue
grito
choro
corre até o telefone – 3 – 3 – 4 – 6 – não – 33478801 – alô? – socorro – por favor – socorro
dor
olhos fechados
lagrimas ardendo
ferida ardendo
água sanitária
(Samuel Gois Martins) 29/11/2005
“o governo e diversas multinacionais pagam os alienígenas cabeçudos para bombardearem em nossas mentes propagandas e publicidades subliminares””
Tuesday, November 29, 2005
Thursday, November 10, 2005
Porta-Treco
O porta-treco cai no chão. Todos direcionam sua atenção para ele. O som de um recém-nascido chorando propaga-se no fundo. Foi assim que eu nasci. Com todos olhando para o porta-treco.
Certa época, tive 5 anos, mas não tive nenhum amigo. No meu quarto o porta-treco guardava alguns brinquedos: o boneco sem capa do super-homem, peças perdidas de um quebra-cabeça, pinos e dados de um Banco Imobiliário inutilizado. O dinheiro de mentirinha eu escondia na cama, debaixo da colcha. Olhava para aquela fortuna e pensava “estou rico!”.
Aos 12 anos descobri a Playboy. Foi amor à primeira vista. Escondia minha única e preciosa no porta-treco. Engraçado, sempre o abria imaginando lembrar de alguma pista. Só não sei o quê.
No 16 o papel com suas imagens foi trocado por células. Garotas de verdade. Uma garota na verdade. Ela era linda. E fazia tudo que eu pedia. Do jeito que eu pedia. Guardava as camisinhas em um porta-treco velho que sempre esteve em meu quarto. De todas as cores e sabores possíveis. Nessa época tive muitos amigos. Um me apresentou o álcool. Outro o cigarro. Ela dizia que acido era bom, mas nunca tive saco pra tomar comprimidos.
Um dia, com 32 anos, recebi uma ligação incomum:
- Sua mãe faleceu.
Eu trabalhava vendendo carros. Tinha todos os amigos e mulheres que poderia comprar. Passei alguns minutos tentando entender aquelas 3 palavras.Sua. Mãe. Faleceu.Procurei no dicionário por algum sentido. Do outro lado estavam confusos perguntando por “Alô?” e “Você está bem?”.
- Morta?
- Isso. O velório será amanhã.
- Ok.
Com 32 anos, dois meses, 3 dias e 4 horas cheguei à velha casa após uma viagem noturna. Claro que lembrei de justificar minha falta no trabalho e cancelei um encontro com uma acompanhante de luxo. Também lembrei de tomar um longo banho gelado, fazer a barba e escovar bem os dentes. Lá estava eu na frente da velha casa. Meu pai me abraçou chorando, minha irmã, minha tia, minha avó.
- Do que ela morreu?
- Caiu da escada.
- Quero entrar.
- Seu quarto esta como você o havia deixado.
Meu lábios moveram grunhidos disfarçados de palavra. Só não sei o quê. Eu nunca sei de nada.
Subi a escada assassina a encarado cada degrau. Queria vencê-la, como uma vingança. Fique visualizando como deveria ter sido. Entre no corredor. A segunda porta a esquerda, semi-aberta. Ou semi-fechada. O porta-treco estava no móvel de sempre. Não encontrei minhas camisinhas. Lá estava o super-homem, as peças de quebra cabeças, os pinos e dados.
Pintos e dados de um Banco Imobiliário inutilizado.
Fui até a cama com agilidade, puxei o colchão com um único esforço. Caíram lagrimas.
- Estou rico.
(Samuel Góis Martins) 10/11/05
Certa época, tive 5 anos, mas não tive nenhum amigo. No meu quarto o porta-treco guardava alguns brinquedos: o boneco sem capa do super-homem, peças perdidas de um quebra-cabeça, pinos e dados de um Banco Imobiliário inutilizado. O dinheiro de mentirinha eu escondia na cama, debaixo da colcha. Olhava para aquela fortuna e pensava “estou rico!”.
Aos 12 anos descobri a Playboy. Foi amor à primeira vista. Escondia minha única e preciosa no porta-treco. Engraçado, sempre o abria imaginando lembrar de alguma pista. Só não sei o quê.
No 16 o papel com suas imagens foi trocado por células. Garotas de verdade. Uma garota na verdade. Ela era linda. E fazia tudo que eu pedia. Do jeito que eu pedia. Guardava as camisinhas em um porta-treco velho que sempre esteve em meu quarto. De todas as cores e sabores possíveis. Nessa época tive muitos amigos. Um me apresentou o álcool. Outro o cigarro. Ela dizia que acido era bom, mas nunca tive saco pra tomar comprimidos.
Um dia, com 32 anos, recebi uma ligação incomum:
- Sua mãe faleceu.
Eu trabalhava vendendo carros. Tinha todos os amigos e mulheres que poderia comprar. Passei alguns minutos tentando entender aquelas 3 palavras.Sua. Mãe. Faleceu.Procurei no dicionário por algum sentido. Do outro lado estavam confusos perguntando por “Alô?” e “Você está bem?”.
- Morta?
- Isso. O velório será amanhã.
- Ok.
Com 32 anos, dois meses, 3 dias e 4 horas cheguei à velha casa após uma viagem noturna. Claro que lembrei de justificar minha falta no trabalho e cancelei um encontro com uma acompanhante de luxo. Também lembrei de tomar um longo banho gelado, fazer a barba e escovar bem os dentes. Lá estava eu na frente da velha casa. Meu pai me abraçou chorando, minha irmã, minha tia, minha avó.
- Do que ela morreu?
- Caiu da escada.
- Quero entrar.
- Seu quarto esta como você o havia deixado.
Meu lábios moveram grunhidos disfarçados de palavra. Só não sei o quê. Eu nunca sei de nada.
Subi a escada assassina a encarado cada degrau. Queria vencê-la, como uma vingança. Fique visualizando como deveria ter sido. Entre no corredor. A segunda porta a esquerda, semi-aberta. Ou semi-fechada. O porta-treco estava no móvel de sempre. Não encontrei minhas camisinhas. Lá estava o super-homem, as peças de quebra cabeças, os pinos e dados.
Pintos e dados de um Banco Imobiliário inutilizado.
Fui até a cama com agilidade, puxei o colchão com um único esforço. Caíram lagrimas.
- Estou rico.
(Samuel Góis Martins) 10/11/05
Friday, November 04, 2005
Madeira norueguesa
- Pode sentar em qualquer lugar...
Um ou outro dia qualquer conheci alguém que me convidou para sentar. Mas em seu quarto não existiam cadeiras. Falou para sentar em qualquer lugar. Esse alguém era uma garota que eu tive. Melhor dizer que ela me teve.
Já falei que em seu quarto não havia cadeiras, então me sentei sobre o tapete. Eu ofereci minhas horas e minutos. Ela me ofereceu do seu vinho.
Era um belo quarto feito com madeira norueguesa.
- Hora de dormir...
Conversamos até as duas horas.
- Fui trabalhar cedo... Hehehe!
- Eu não. – e me arrastei até o banheiro. Para dormir dentro da banheira.
Quando acordei estava sozinho. O pássaro tinha voado. Acendi um cigarro, pensando como era boa a madeira norueguesa daquele quarto.
(Samuel Gois Martins) 4/11/2005
*versão romanceada da musica Norwegian Wood dos Beatles. Não sou fã deles, essa musica é o nome de um livro que me tocou profundamente. Então procurei pela letra. Acredito que ela tenha vários sentidos metafóricos que acarretam outros conceitos que escolhi não abordar. Não mais, acho que fico bonito.
Um ou outro dia qualquer conheci alguém que me convidou para sentar. Mas em seu quarto não existiam cadeiras. Falou para sentar em qualquer lugar. Esse alguém era uma garota que eu tive. Melhor dizer que ela me teve.
Já falei que em seu quarto não havia cadeiras, então me sentei sobre o tapete. Eu ofereci minhas horas e minutos. Ela me ofereceu do seu vinho.
Era um belo quarto feito com madeira norueguesa.
- Hora de dormir...
Conversamos até as duas horas.
- Fui trabalhar cedo... Hehehe!
- Eu não. – e me arrastei até o banheiro. Para dormir dentro da banheira.
Quando acordei estava sozinho. O pássaro tinha voado. Acendi um cigarro, pensando como era boa a madeira norueguesa daquele quarto.
(Samuel Gois Martins) 4/11/2005
*versão romanceada da musica Norwegian Wood dos Beatles. Não sou fã deles, essa musica é o nome de um livro que me tocou profundamente. Então procurei pela letra. Acredito que ela tenha vários sentidos metafóricos que acarretam outros conceitos que escolhi não abordar. Não mais, acho que fico bonito.
Thursday, November 03, 2005
O código da vinci e as tartarugas ninjas
O garoto Maroto percorre correndo uma longa estrada sem fim que vai sem vírgula alguma em direção a sua casa onde existe uma casa de cachorro mágica que leva ao mundo encantado dos cachorros voadores.
Sua mãe varre o chão, calmamente, delicadamente, com um sorriso gentil, meigo, bonito. Lento. Va-ga-ro-as-men-te. Antes que pudesse mover mais uma vez a vassoura tomou posição para deter seu filho de qualquer proeza espalhafatosa. Seria isso possível?
- Parado... Ai... Mocinho...
Tarde demais. Ela pensou na ultima vez que ele fez aquilo. Cachorros voadores sujam demais!
Em outro ligar na falta de imaginação do autor tem um sujeitinho esquisito reproduzindo as obras artísticas de Leonardo da Vinci. Nada haver com o livro código da Vinci. Nem com as tartarugas ninjas. Ele escutou alguma coisa caindo sobre suas tintas e telas, destruindo tudo. Sujando tudo.
- Mas que porra?!
E olhem, era o garoto maroto todo azul, amarelo, vermelho e solvente.
- Não era para eu estar no mundo encantado dos cachorros voadores?
- O autor mudou idéia antes de você chegar lá. Deve ta jogando um monte de besteiras pra no mínimo se sentir original.
- Que babaca.
- Concordo.
E de repente uma estrada de tijolos amarelos.
- Desde quando isso ta por aqui? – assustou-se o pintor esquisito davinciano.
- Esses tijolos são ouro?
- Será que alguém reclamaria se pegássemos para nós?
- Olha, se isso ta virando referencia de O Mágico de OZ, deixa eu ver se cai encima de alguém...
E lá um par de pernas com sapatos homossexuais esquisitos debaixo da tralha de telas e tintas onde o garoto Maroto havia caído.
- Escritor de merda...
- Pega os sapatos. São mágicos!
- Já peguei. “Não há lugar como o nosso lar”, em?
- É o que dizem.
E viveram felizes para sempre com um castelo feito de tijolos de ouro roubados da estrada e sapatos mágicos cobiçados. Claro, isso até a mãe do garoto Maroto chegar por lá e puxa-lo pela orelha para fazer o dever de casa. O pintor esquisito decidiu escrever livros do tipo “alguma coisa o código da vinci”.
(Samuel Gois Martins) 3/11/2005
Sua mãe varre o chão, calmamente, delicadamente, com um sorriso gentil, meigo, bonito. Lento. Va-ga-ro-as-men-te. Antes que pudesse mover mais uma vez a vassoura tomou posição para deter seu filho de qualquer proeza espalhafatosa. Seria isso possível?
- Parado... Ai... Mocinho...
Tarde demais. Ela pensou na ultima vez que ele fez aquilo. Cachorros voadores sujam demais!
Em outro ligar na falta de imaginação do autor tem um sujeitinho esquisito reproduzindo as obras artísticas de Leonardo da Vinci. Nada haver com o livro código da Vinci. Nem com as tartarugas ninjas. Ele escutou alguma coisa caindo sobre suas tintas e telas, destruindo tudo. Sujando tudo.
- Mas que porra?!
E olhem, era o garoto maroto todo azul, amarelo, vermelho e solvente.
- Não era para eu estar no mundo encantado dos cachorros voadores?
- O autor mudou idéia antes de você chegar lá. Deve ta jogando um monte de besteiras pra no mínimo se sentir original.
- Que babaca.
- Concordo.
E de repente uma estrada de tijolos amarelos.
- Desde quando isso ta por aqui? – assustou-se o pintor esquisito davinciano.
- Esses tijolos são ouro?
- Será que alguém reclamaria se pegássemos para nós?
- Olha, se isso ta virando referencia de O Mágico de OZ, deixa eu ver se cai encima de alguém...
E lá um par de pernas com sapatos homossexuais esquisitos debaixo da tralha de telas e tintas onde o garoto Maroto havia caído.
- Escritor de merda...
- Pega os sapatos. São mágicos!
- Já peguei. “Não há lugar como o nosso lar”, em?
- É o que dizem.
E viveram felizes para sempre com um castelo feito de tijolos de ouro roubados da estrada e sapatos mágicos cobiçados. Claro, isso até a mãe do garoto Maroto chegar por lá e puxa-lo pela orelha para fazer o dever de casa. O pintor esquisito decidiu escrever livros do tipo “alguma coisa o código da vinci”.
(Samuel Gois Martins) 3/11/2005
Thursday, October 27, 2005
Metáfora verdadeira e sincera
Quando estiver lendo isso quero que saiba bem que esse texto é apenas para você. Ei você, enxerido, pode ir embora. Nem pense. O texto não é para você ai não. Nem você. Xô xô xô. Podem fechar essa janela. Vou contar até três. Um. Dois. Três. Pronto? Bem... Acho que agora estamos a sós. Não é? Bem. Espero que você realmente saiba que esse texto é só para você. Sabe... Existe sim. Em primeiro lugar quero que saiba que existe. Não importam as provas do contrario. Continuo a crer que existe. Em todos os lugares, mas, em especial, no seu perfume. Não fui eu que cultivei o jardim. Ele já estava aqui quando cheguei. Mas pelo menos para mim a graça deste enorme adorno é o seu perfume. Sua cor. Sua beleza. Ali em um cantinho. Escolhi me sentar para proteger. Aguar com um regador sempre que ver que estas com sede. Às vezes bate uma fome ou um sono. Mas não vou fechar meus olhos. Quero que cresça e fique cada vez mais... Mais e mais. Estou feliz em estar aqui sentado. Escrevendo isso. O sol forte acompanha um céu azul limpo e belo. Mesmo assim acho que vai chover e vou com minhas mãos proteger das gotas fortes. Não quero mais sair daqui. Do seu lado. Você entende? Espero não está incomodando com a minha sombra...
(Samuel Gois Martins) 28/10/2005
(Samuel Gois Martins) 28/10/2005
Wednesday, October 26, 2005
Mais uma a respeito de alienígenas homossexuais e notas musicais
Foi caminhando por ai que o musico descobriu a nota que tanto procurava. Abaixou-se cuidadosamente. Fechou os olhos. Concentrou-se. Lá estava aquela nota. A nota perfeita. Com os olhos ainda fechados caminhou lento e cuidadosamente em direção da disposição sonora que havia descoberto.
- Opa ai rapa!
- Hein?
Batendo de cara com um alienígena, o musico ficou pasmo. “Onde estou”, ele pensou.
Pois não mais caminhando por ai ele estava. Ele estava caminhando por ali. Ali não é ai. Ali era...
- Onde estou?
- Um disco voador?
- Sério?!
- É né.
O alienígena era do tipo bem alienígena. Com pernas longas, pele acinzentada pálida, olhos grandes e negros. O musico já podia se imaginar dando entrevistas em documentários da Discovery.
- O que farão comigo?
- Sonda anal.
- Não mesmo!
- Não vai doer... É como exame de próstata!
- Nunca!
- Eu sou um alienígena. Milhares de centenas de anos luzes mais inteligente que você. O seu cérebro minúsculo nunca entenderia o intricado sistema universal para o qual essa sonda anal poderá contribuir.
- Você quer é me comer!
- Bem... Também. É que você é gatinho.
- Sou?
- É...
- Meu namorado nunca falou isso...
- Posso por a sonda anal ou não?
- Só se você der a nota que eu tanto procuro...
- Pra você eu dou qualquer coisa...
(Samuel Gois Martins) 26/10/2005
- Opa ai rapa!
- Hein?
Batendo de cara com um alienígena, o musico ficou pasmo. “Onde estou”, ele pensou.
Pois não mais caminhando por ai ele estava. Ele estava caminhando por ali. Ali não é ai. Ali era...
- Onde estou?
- Um disco voador?
- Sério?!
- É né.
O alienígena era do tipo bem alienígena. Com pernas longas, pele acinzentada pálida, olhos grandes e negros. O musico já podia se imaginar dando entrevistas em documentários da Discovery.
- O que farão comigo?
- Sonda anal.
- Não mesmo!
- Não vai doer... É como exame de próstata!
- Nunca!
- Eu sou um alienígena. Milhares de centenas de anos luzes mais inteligente que você. O seu cérebro minúsculo nunca entenderia o intricado sistema universal para o qual essa sonda anal poderá contribuir.
- Você quer é me comer!
- Bem... Também. É que você é gatinho.
- Sou?
- É...
- Meu namorado nunca falou isso...
- Posso por a sonda anal ou não?
- Só se você der a nota que eu tanto procuro...
- Pra você eu dou qualquer coisa...
(Samuel Gois Martins) 26/10/2005
Thursday, October 20, 2005
Tentativas...
Hoje eu ia escrever sobre a mágica e fantástica fabrica de guardanapo que reciclava papel higiênico. Mas ocorreu-me algo muito mais interessante a relatar. Chega a ser quase meloso. Um tanto romântico. E de fato estupidamente fútil. Não são aquelas minhas tramas sobre princesas ninfomaníacas e seus sete anões da vida. É algo acarretado de beleza sutil e até algum sentimento vindo da parte do autor. A coisa mais ou menos se desenrola com a invasão do planeta terra pelo povo de Plutão. O povo de Plutão chama Plutão por um nome indecifrável, por isso usaremos o titulo criado por nossos astrônomos: Plutão, para facilitar as coisas. Então a branca de neve pisou na mão de dengoso com salto pontudo. Dengoso gemia de prazer... Opa. Trama errada. Vamos lá. Sei que posso escrever algo belo e sentimental. Nada é mais belo e sentimental que Plutão. O povo de Plutão. Voltando a eles: O povo de Plutão é formado por lindas amazonas de pele azulada e traço oriental. Sempre com roupas curtas e apertadas para exaltar seus... Corpos esculturais. Isso. Corpos esculturais que escravizavam os homens da Terra. Menos um. Isso. O nosso herói. O amor que ele sentia por sua amada era tão grande que nem os exuberantes sei... Corpos esculturais das amazonas azuladas orientais de Plutão dominavam o seu caráter inabalável. Isso sim era amor de verdade. Por que nem eu resistiria às amazonas azuladas orientais de enormes... Espaçonaves! E todo mundo adora espaçonaves! Não é mesmo? Claro que sim. Mas o nosso herói não. Na verdade ele pensava apenas na sua amada. Quer dizer. No seu amado. Sim, nosso herói é homossexual. Não que isso faça diferença, pois o poder das amazonas de Plutão era tamanho que ate os homossexuais teriam sido dominados. Nosso herói não convencional dominado por sua paixão incontrolável armou-se com todos os utensílios de sua loja de produtos eróticos. Ele ia matá-las de prazer e salvar o mundo. Meu deus! Que horror! Parece roteiro de filme pornográfico... Eu não consigo. Pelo visto. Vamos voltar para a mágica e fantástica fabrica de guardanapo...
(Samuel Gois Martins) 20/10/05
(Samuel Gois Martins) 20/10/05
Saturday, October 15, 2005
Cagando asas
Forcei muito no banheiro. Prisão de ventre. Força. Força. Força. E depois alivio indescritível. Tendo finalmente me encostado para descanso senti algo diferente em minhas costas. Algo além de minhas costas roçava nos azulejos. Algo meu que nunca esteve ali.
Levantei-me para entender o que estava acontecendo. Mirando o espelho descobri que brotara asas em minhas costas. Meu Deus. Forcei tanto que nasceram asas. Eu poderia ter entrado em pânico. Afinal de contas aquilo era um atestado de aberração. Cagar asas? E tão lindas. Brancas e puras. Sentia-me um anjo. Um verdadeiro anjo. Apenas sorri e limpei a bunda.
Queria voar.
(Samuel de Gois Martins) 15/10/2005
Levantei-me para entender o que estava acontecendo. Mirando o espelho descobri que brotara asas em minhas costas. Meu Deus. Forcei tanto que nasceram asas. Eu poderia ter entrado em pânico. Afinal de contas aquilo era um atestado de aberração. Cagar asas? E tão lindas. Brancas e puras. Sentia-me um anjo. Um verdadeiro anjo. Apenas sorri e limpei a bunda.
Queria voar.
(Samuel de Gois Martins) 15/10/2005
Wednesday, October 12, 2005
A vida é uma merda
Aqueles dias cheios de merda. Merda para todo canto. Você pisa na merda. Você come merda. Você é a merda. Nesses dias escolhi abandonar toda minha respeitável vida social e roubar um banco.
- Mãos pra cima...
Eu tava falando serio.
Ela demonstra medo e nervosismo. Tremula esvazia todo o dinheiro do caixa. Lembrei que era melhor ficar tranqüila, pois ainda teria que abrir o cofre. A merda do cofre. A mulher mais linda que já vi na vida.
- Case-se comigo.
- Como assim?
- Assalto o banco, você me da seu telefone e começamos um relacionamento que cada vez mais vai se torna mais firme até atingirmos o ápice do casamento.
- Não vai me matar?
- Não mesmo. Faço isso apenas para relaxar. Todos temos algo sórdido para relaxar não é?
Ela parou por um momento para pensar. Logo em seguida seus olhos encontram os meus confirmando.
- Eu gosto de por gatinhos no liquidificador.
- Estou apaixonado por você!
- Aceito!
A vida é uma merda, mas sempre é possível tirar um lado positivo.
(Samuel Gois Martins) 13/10/2005
- Mãos pra cima...
Eu tava falando serio.
Ela demonstra medo e nervosismo. Tremula esvazia todo o dinheiro do caixa. Lembrei que era melhor ficar tranqüila, pois ainda teria que abrir o cofre. A merda do cofre. A mulher mais linda que já vi na vida.
- Case-se comigo.
- Como assim?
- Assalto o banco, você me da seu telefone e começamos um relacionamento que cada vez mais vai se torna mais firme até atingirmos o ápice do casamento.
- Não vai me matar?
- Não mesmo. Faço isso apenas para relaxar. Todos temos algo sórdido para relaxar não é?
Ela parou por um momento para pensar. Logo em seguida seus olhos encontram os meus confirmando.
- Eu gosto de por gatinhos no liquidificador.
- Estou apaixonado por você!
- Aceito!
A vida é uma merda, mas sempre é possível tirar um lado positivo.
(Samuel Gois Martins) 13/10/2005
Monday, October 03, 2005
- Adeus Fulana. Adeus...
- Quero quatro copias desse aqui...
- Oi?
Noite. Trinta minutos para uma prova e só agora estava xerocando sua apostila. Tenho carta de pau pra essas coisas mesmo.
- Oi.
- Você estudou naquele colégio?
- Aquele?
- É. O segundo ano. Certo?
- Foi sim... Há. Formos colegas de classe.
- Isso mesmo.
O som da xérox trabalhando me tranqüiliza.
- Você lembra de fulana?
- Fulana?
- É. Que namorava com Ciclano.
- Ciclano?
- É. Que andava com Beltrano.
- Há... Beltrano... Ciclano... Fulana! Lembro sim. Boa pessoa. Como ela está?
- Cometeu suicídio.
- Hum...
- É...
- Suas copias, senhor.
- Obrigado. E qual foi o motivo?
- Rompeu com o noivo.
- Que coisa...
- Pois é...
- Suicídio só serve pra ferrar com quem ta vivo. Parece meio idiota falar isso...
- Mas é verdade. Bem, eu vou indo.
- Eu também. Tenho... Hã... Prova.
- Boa sorte.
- Obrigado.
Dez minutos para ler a apostila e aprender tudo que tem nela. Dez minutos.
(Samuel Gois Martins) 03/10/05
- Oi?
Noite. Trinta minutos para uma prova e só agora estava xerocando sua apostila. Tenho carta de pau pra essas coisas mesmo.
- Oi.
- Você estudou naquele colégio?
- Aquele?
- É. O segundo ano. Certo?
- Foi sim... Há. Formos colegas de classe.
- Isso mesmo.
O som da xérox trabalhando me tranqüiliza.
- Você lembra de fulana?
- Fulana?
- É. Que namorava com Ciclano.
- Ciclano?
- É. Que andava com Beltrano.
- Há... Beltrano... Ciclano... Fulana! Lembro sim. Boa pessoa. Como ela está?
- Cometeu suicídio.
- Hum...
- É...
- Suas copias, senhor.
- Obrigado. E qual foi o motivo?
- Rompeu com o noivo.
- Que coisa...
- Pois é...
- Suicídio só serve pra ferrar com quem ta vivo. Parece meio idiota falar isso...
- Mas é verdade. Bem, eu vou indo.
- Eu também. Tenho... Hã... Prova.
- Boa sorte.
- Obrigado.
Dez minutos para ler a apostila e aprender tudo que tem nela. Dez minutos.
(Samuel Gois Martins) 03/10/05
Friday, September 30, 2005
A Rainha Espacial
A Rainha espacial Durval correu até sua sala e gritou:
- Não se aproximem! Usarei a maquina dimensional para trocar os quartos e cometerei suicídio com uma ogiva nuclear!
Eu e meu companheiro de batalha nos retemos por alguns segundos. Alguns segundos para pegar fôlego e derrubar a porta.
Mas já era tarde. Apenas retalhos da outra versão dimensional da sala.
- Logo os reforços irão chegar – suspirou o fiel parceiro.
Acordando sufocado. Faço força e o catarro sai de minha narina esquerda. Viro meu corpo tentando desprender-me dos lençóis. Cuspo catarro. Um pouco de sangue sai junto. Apenas uma irritação – espero eu.
Cambaleando ate a cozinha pensando porque a maioria das minhas historias começam com um sujeito acordando. Bebo um copo de água gelado para piorar minha garganta. Cuspo mais catarro no chão. Olho pra janela.
- Bom dia... – Apreciando o catarro - Pesando bem foi o sonho mais ficção cientifica anos 70 que já tive na vida. Eu gostaria de ter uma maquina dimensional.
Volto à geladeira em busca do resto de pudim. Mas já comeram tudo.
- E talvez uma bomba nuclear.
Esperei o catarro responder alguma coisa por alguns minutos e fui ao banheiro tomar banho. Existia algo de muito triste na morte da rainha espacial.
30/09/2005
- Não se aproximem! Usarei a maquina dimensional para trocar os quartos e cometerei suicídio com uma ogiva nuclear!
Eu e meu companheiro de batalha nos retemos por alguns segundos. Alguns segundos para pegar fôlego e derrubar a porta.
Mas já era tarde. Apenas retalhos da outra versão dimensional da sala.
- Logo os reforços irão chegar – suspirou o fiel parceiro.
Acordando sufocado. Faço força e o catarro sai de minha narina esquerda. Viro meu corpo tentando desprender-me dos lençóis. Cuspo catarro. Um pouco de sangue sai junto. Apenas uma irritação – espero eu.
Cambaleando ate a cozinha pensando porque a maioria das minhas historias começam com um sujeito acordando. Bebo um copo de água gelado para piorar minha garganta. Cuspo mais catarro no chão. Olho pra janela.
- Bom dia... – Apreciando o catarro - Pesando bem foi o sonho mais ficção cientifica anos 70 que já tive na vida. Eu gostaria de ter uma maquina dimensional.
Volto à geladeira em busca do resto de pudim. Mas já comeram tudo.
- E talvez uma bomba nuclear.
Esperei o catarro responder alguma coisa por alguns minutos e fui ao banheiro tomar banho. Existia algo de muito triste na morte da rainha espacial.
30/09/2005
Wednesday, September 21, 2005
Perdido
Se você perde algo. Pode ter certeza que eu não sei onde está. Se você me perguntar. Contarei uma mentira a respeito de uma outra dimensão onde vivem felizes as coisas perdidas. Como nós. Acho que também estamos perdidos. Alguém nos procura em algum lugar. Em outra dimensão. Iria falar também que li isso em algum livro de física empoeirado e antigo, escondido nos recantos de uma biblioteca perdida há muitos anos atrás em um incêndio misterioso. Diria também que o incêndio foi provocado por extraterrestres que querem cuidar com que tudo continue bem perdido em seu devido lugar errado. Morrem de medo só de imaginar cada coisa no seu devido lugar. Com o seu devido dono. Eu também tenho medo. Pois adoraria escutar de alguém “estou perdido por você”. É uma coisa meio melosa de se falar. Mas é assim mesmo que as coisas costumam ser. E se perder.
21/09/05
21/09/05
Tuesday, September 20, 2005
Meio Incoerente
Foi meio que uma consolação isso que ela falou. Fiquei meio que indignado. Meio que triste. Meio. Inteiro não dava. Não sem ela.
Amassei a carta e joguei na primeira lata de lixo que encontrei na rua. O melhor mesmo é mandar se foder. Isso mesmo. Possível viver pela metade. Posso amar pela metade. Posso mentir pela metade. Posso odiar pela metade. Tudo em partes. Incompletas. Sem sentido algum. Posso fazer assim. Faço há 15 anos assim. Agüento o resto de minha vida.
Parado ai. Segurando um revolver. Revolver de verdade. Repito para mim. Pergunto.
É de verdade?
Tu é otário ou o quê? Passa a grana maluco!
O resto da minha vida.
Passo um caralho. Atira bem no peito se tu é homem!
Tu é doido é?!
- Você só tem meia chance de me acerar. E eu só tenho meia chance de morrer. Poder vir. Se eu tiver de morrer, que seja pela metade!
Na lata de lixo a carta tinha escrito guardarei um pouco de amor para você.
(Samuel Gois Martins) 20/09/2005
Amassei a carta e joguei na primeira lata de lixo que encontrei na rua. O melhor mesmo é mandar se foder. Isso mesmo. Possível viver pela metade. Posso amar pela metade. Posso mentir pela metade. Posso odiar pela metade. Tudo em partes. Incompletas. Sem sentido algum. Posso fazer assim. Faço há 15 anos assim. Agüento o resto de minha vida.
Parado ai. Segurando um revolver. Revolver de verdade. Repito para mim. Pergunto.
É de verdade?
Tu é otário ou o quê? Passa a grana maluco!
O resto da minha vida.
Passo um caralho. Atira bem no peito se tu é homem!
Tu é doido é?!
- Você só tem meia chance de me acerar. E eu só tenho meia chance de morrer. Poder vir. Se eu tiver de morrer, que seja pela metade!
Na lata de lixo a carta tinha escrito guardarei um pouco de amor para você.
(Samuel Gois Martins) 20/09/2005
Wednesday, September 14, 2005
#$%
Vamos fazer gostoso. Um... Não, dois extraterrestres em meio a uma guerra intergaláctica chegam à conclusão que suas vidas estão por um fio. Não. Fio é uma coisa terráquea. Temos que inventar outra palavra. O que soa como um fio? Acho que nem letras humanas seriam usadas. Então vai ser #$% por questão de simbologia. A vida dos dois estava por um #$%:
- Sabe...
- Que horror! Centenas de espaçonaves destruídas! Corpos vagando como pequenos pedaços de carnificina tirando toda a beleza do solitário universo!
- Eu amo você.
- Hã?
- Sei que não é uma boa ocasião. Mas eu amo você.
- Não é uma boa ocasião? Estamos perdendo uma guerra! Estamos por um #$%! Milhares de gerações futuras dependiam da vitória!
- Não precisa ficar lembrando toda hora!
- E precisa?! Olhe só ao seu redor! O chão está coberto de fluido vital!
- Até que é bonitinho... Sabe... Cria um clima, tipo assim. Te amo gatinho.
- O que é gatinho?
- Coisa de terráqueo.
- Há.
- Deixa eu pegar no seu #$%.
- Que coisa obsena de se falar!
- Talvez posso ser a nossa ultima canse! Deixa-me pegar no seu #$%. Pega no meu #$%! Façamos! Vamos amar!
- Tudo bem. Mas quero que saiba que não sou Gay. É uma questão de desespero.
- Deixa disso que eu sei que você é. Uie, como o seu #$% ta tenso...
O universo como é lindo. Uma caixa de possibilidades enormes. Mas fio terra é fio terra em todo canto. Agora aquele bebê gigante de 2001...
(Samuel Gois Martins) 14/09/05
- Sabe...
- Que horror! Centenas de espaçonaves destruídas! Corpos vagando como pequenos pedaços de carnificina tirando toda a beleza do solitário universo!
- Eu amo você.
- Hã?
- Sei que não é uma boa ocasião. Mas eu amo você.
- Não é uma boa ocasião? Estamos perdendo uma guerra! Estamos por um #$%! Milhares de gerações futuras dependiam da vitória!
- Não precisa ficar lembrando toda hora!
- E precisa?! Olhe só ao seu redor! O chão está coberto de fluido vital!
- Até que é bonitinho... Sabe... Cria um clima, tipo assim. Te amo gatinho.
- O que é gatinho?
- Coisa de terráqueo.
- Há.
- Deixa eu pegar no seu #$%.
- Que coisa obsena de se falar!
- Talvez posso ser a nossa ultima canse! Deixa-me pegar no seu #$%. Pega no meu #$%! Façamos! Vamos amar!
- Tudo bem. Mas quero que saiba que não sou Gay. É uma questão de desespero.
- Deixa disso que eu sei que você é. Uie, como o seu #$% ta tenso...
O universo como é lindo. Uma caixa de possibilidades enormes. Mas fio terra é fio terra em todo canto. Agora aquele bebê gigante de 2001...
(Samuel Gois Martins) 14/09/05
Sunday, September 04, 2005
Palavras em conspiração
O som da grafite barato trepando com o papel me doía nos ouvidos. Talvez fosse inveja por não trepar ainda. Pelo menos o produto era uma gozada só minha. Os contornos pouco estéticos de minhas letras delineando caminho para lugar algum. Lugar nenhum. Qualquer lugar. A letras chegam a sair do papel, manchar a minha escrivaninha verde, manchar o tempo, o espaço, a luz, e fugir por debaixo da porta. Fiquei só sentado, acompanhando, curioso para saber até onde iriam aquelas palavras. Rezando para que não fossem perigosas.
- Que horror!
Mas, como bem aprendemos na vida, rezar nunca foi a mais pratica e solúvel das opções em momentos como esse. O grito parte da cozinha, provavelmente minha mãe. Ou a garota com quem eu gostaria e ter relacionamentos carnais. E ate sentimentais. Mas ai já não seria real. Seria um fruto da imaginação. Algo que ainda vai se torna palavra. Das perigosas também, acredito-me.
Solto o lápis, pulo da escrivaninha, vôo pelo corredor tirando a camisa e revelando para fora o meu emblema de camisa barata do super-homem. Definitivamente se ele existisse seria um trabalho para o carinha. Também seria super legal se eu voasse de verdade. E se a menina gritando quisesse dar pra mim. Mas sequer tem uma menina na cozinha. Foi um engano metafórico de minha imaginação narrativa. As palavras conversam com as batatas. Tramam contra mim. Pobre de mim. Criado e comedor. Frustrada criatura de pouca sabedoria. As coisas não acabariam bem.
- Odeio batata frita – rosnou o critico e frio irmão mais novo. – E essas estão horríveis!
Pretas, com cheiro esquisito. É a grafite. É o meu gozo. Não tinha como sair gostosa. E ele nem gosta de batata frita.
(Samuel Gois Martins) 4/09/05
- Que horror!
Mas, como bem aprendemos na vida, rezar nunca foi a mais pratica e solúvel das opções em momentos como esse. O grito parte da cozinha, provavelmente minha mãe. Ou a garota com quem eu gostaria e ter relacionamentos carnais. E ate sentimentais. Mas ai já não seria real. Seria um fruto da imaginação. Algo que ainda vai se torna palavra. Das perigosas também, acredito-me.
Solto o lápis, pulo da escrivaninha, vôo pelo corredor tirando a camisa e revelando para fora o meu emblema de camisa barata do super-homem. Definitivamente se ele existisse seria um trabalho para o carinha. Também seria super legal se eu voasse de verdade. E se a menina gritando quisesse dar pra mim. Mas sequer tem uma menina na cozinha. Foi um engano metafórico de minha imaginação narrativa. As palavras conversam com as batatas. Tramam contra mim. Pobre de mim. Criado e comedor. Frustrada criatura de pouca sabedoria. As coisas não acabariam bem.
- Odeio batata frita – rosnou o critico e frio irmão mais novo. – E essas estão horríveis!
Pretas, com cheiro esquisito. É a grafite. É o meu gozo. Não tinha como sair gostosa. E ele nem gosta de batata frita.
(Samuel Gois Martins) 4/09/05
Friday, September 02, 2005
De quatro casos reais de qualquer parte do mundo
Caso 1 – Mete que eu enfio.
A garota se sentia traída. Afinal de contas seu amante decidiu de uma hora pra outra virar bi. E ela não se sentiria bem levando uma sabendo de alguém que leva também. Claro que existe a chance dele ser passivo. Mas se o namorado dela fica sabendo? Pode até imaginar o veado do namorando querendo comer o amante dela também. Tinha que descobrir se o cara metia ou levava. Era uma questão de honra. Honra anal. Isso mesmo.
Caso 2 – Religião exótica
A garota se sentia traída. Afinal de contas seu amante decidiu de uma hora para a outra aderir a aulas se sexo tantrico. Seja lá o que for isso deve ser bom e só ele tava provando. Insensível egoísta.
Caso 3 – Consciência política
A garota se sentia traída por que o namorado preferia fumar maconha. Ela insistia que uma picada era tudo de bom. Mas aquele merdinha naturalista só que saber fala sobre como os capitalistas estão prejudicando a natureza e que Marx sabia trepar bem.
Caso 4 – Doença pega
A garota se sentia traída por que seu namorado ficou com sua melhor amiga. Logo sua melhor amiga. Aquela que tem gonorréia. Nesse exato momento a garota esta sentada, puta da vida, cheia de vergonha, na fila do ginecologista. E se o pai dela fica sabendo? Pobre coitado que sofre do coração. Uma filha de 14 anos que já abortou duas vezes e agora tem gonorréia!
(Samuel Gois Martins) 02/09/05
A garota se sentia traída. Afinal de contas seu amante decidiu de uma hora pra outra virar bi. E ela não se sentiria bem levando uma sabendo de alguém que leva também. Claro que existe a chance dele ser passivo. Mas se o namorado dela fica sabendo? Pode até imaginar o veado do namorando querendo comer o amante dela também. Tinha que descobrir se o cara metia ou levava. Era uma questão de honra. Honra anal. Isso mesmo.
Caso 2 – Religião exótica
A garota se sentia traída. Afinal de contas seu amante decidiu de uma hora para a outra aderir a aulas se sexo tantrico. Seja lá o que for isso deve ser bom e só ele tava provando. Insensível egoísta.
Caso 3 – Consciência política
A garota se sentia traída por que o namorado preferia fumar maconha. Ela insistia que uma picada era tudo de bom. Mas aquele merdinha naturalista só que saber fala sobre como os capitalistas estão prejudicando a natureza e que Marx sabia trepar bem.
Caso 4 – Doença pega
A garota se sentia traída por que seu namorado ficou com sua melhor amiga. Logo sua melhor amiga. Aquela que tem gonorréia. Nesse exato momento a garota esta sentada, puta da vida, cheia de vergonha, na fila do ginecologista. E se o pai dela fica sabendo? Pobre coitado que sofre do coração. Uma filha de 14 anos que já abortou duas vezes e agora tem gonorréia!
(Samuel Gois Martins) 02/09/05
Friday, August 26, 2005
Lembrança
A lembrança mais extraordinária com certeza foi quando me perdi em um jardim de rosas escondida no fundo do mar. Parece estranho quando falo, mas foi bem assim. Um jardim de rosas no fundo do mar. Sempre fui muito amigo de uma sereia. Grande amiga desde que me dou por gente ainda hoje me aparece com o som das ondas para conversar sobre o céu, as estrelas e musica erudita.
Mas naquele dia as coisas não foram bem começando como deveriam. Afoguei-me e perdi noção de vida. Meu corpo criou peso e afundei are os mais profundos abismos do oceano. Não posso dizer por quanto tempo estive desacordado. Acordei com um beijo de minha amiga sereia, chorando, preocupada. “Estou bem”, falei. Ela ainda chorava e me abraçou com força. “Onde estamos”, perguntei. “Parece o paraíso... Mas você está vivo” ela sussurrou em meu ouvido.
Não posso descrever tudo que vi depois. É impossível. Mas é tudo que posso lembrar que vale alguma coisa hoje em dia.
(Samuel Gois Martins) 26/08/2005
Mas naquele dia as coisas não foram bem começando como deveriam. Afoguei-me e perdi noção de vida. Meu corpo criou peso e afundei are os mais profundos abismos do oceano. Não posso dizer por quanto tempo estive desacordado. Acordei com um beijo de minha amiga sereia, chorando, preocupada. “Estou bem”, falei. Ela ainda chorava e me abraçou com força. “Onde estamos”, perguntei. “Parece o paraíso... Mas você está vivo” ela sussurrou em meu ouvido.
Não posso descrever tudo que vi depois. É impossível. Mas é tudo que posso lembrar que vale alguma coisa hoje em dia.
(Samuel Gois Martins) 26/08/2005
Monday, August 22, 2005
Miragem fria
Contei as gotas de chuva. Uma por uma. Ninguém estava lá para atrapalhar. Contei uma, duas, três, e a solidão tão bem me ajudou que contei todas. Trágico não conseguir sentir orgulho.
Eu o encontrei delicadamente encostado, como um boneco favorito de minha filha. Olhava a janela, estava branco e magro. Há quanto tempo estava lá?
Estava tão frio, não vestia roupa alguma. Depois de um tempo elas perderam o sentido.
Suspeito que fosse um fantasma. E pelo cheiro um cadáver.
Não consegui mover minha cabeça, pois muito pesada ela. Mas sei a sensação do nada, e tinha alguém atrás de mim, me observando, me apreciando. Não pude arrumar nada, sequer tem jantar. Queria pedir desculpas. Não consigo. Minha língua já se foi.
Daí começou a chover de novo, e meu esposo veio atrás de mim.
- Você esta pálida.
- Esta vendo aquilo?
- Onde?
Pois sumiu. O cheiro também.
- É o frio...
- A chuva mal acaba e já começou de novo.
Samuel Gois Martins (22/08/2005)
Eu o encontrei delicadamente encostado, como um boneco favorito de minha filha. Olhava a janela, estava branco e magro. Há quanto tempo estava lá?
Estava tão frio, não vestia roupa alguma. Depois de um tempo elas perderam o sentido.
Suspeito que fosse um fantasma. E pelo cheiro um cadáver.
Não consegui mover minha cabeça, pois muito pesada ela. Mas sei a sensação do nada, e tinha alguém atrás de mim, me observando, me apreciando. Não pude arrumar nada, sequer tem jantar. Queria pedir desculpas. Não consigo. Minha língua já se foi.
Daí começou a chover de novo, e meu esposo veio atrás de mim.
- Você esta pálida.
- Esta vendo aquilo?
- Onde?
Pois sumiu. O cheiro também.
- É o frio...
- A chuva mal acaba e já começou de novo.
Samuel Gois Martins (22/08/2005)
Monday, August 15, 2005
T
Existem milhares de maneiras de definir um ser humano qualquer. Mas os únicos são únicos. Seria estupidez narrativa ainda afirmar que é obvio isso. E hoje a narrativa é sobre alguém único. Não por ser mais interessante, bonito, habilidoso ou carismático que os outros. Qualquer pessoa pode ser isso tudo. É só ter dinheiro. Mas T não é qualquer um. T não tem muita grana. Inclusive trabalha para pagar seus estudos. E o que estuda? Estuda o que qualquer um estuda. Isso não torna T única. Isso mesmo: única. Alem de ser único, T é do gênero feminino. Não é bonita, posso afirmar, a conheço muito bem. Não é nem um pouco simpática, na verdade, é bem introvertida... Como qualquer um nesse mundinho de merda. Ok. Não vou rebaixar a palavrões. T foi alguém único pelo simples fato que não seria qualquer pessoa por que eu estaria de madrugada roendo musicas patéticas que ferem o cotovelo. E possivelmente não seria por qualquer uma que estaria pensando nas mil e uma maneiras de como T pensaria. E como pensa T? A parte difícil é como pensa uma mulher. A primeira etapa primordial. Ao patético caminho da perda de auto-respeito. E por isso T é única. Por ser uma mentira narrativa. Uma tentativa romântica frustrada inspirada nos próprios problemas do autor. Um pouco de desabafo cansativo e inspiração inútil. Isso é T. T de teoria do caos. T de Tudo. T de Tartaruga marinha.
Samuel Gois Martins (15/08/2005)
Samuel Gois Martins (15/08/2005)
Thursday, August 11, 2005
Sorvete
As pessoas dispostas na rua. Um monte delas. Geralmente eu odeio isso.
- Sorvete?
- Não obrigado. Preciso emagrecer.
Mas hoje é o tipo de dia que eu tenho para poder me inspirar. A inspiração pra mim funciona com o ato de provocar minha criatividade. Provocar no sentido de irritar mesmo. A solidão ajuda. Estar entre os montes de pessoas, os seis bilhões de loucos, é o suficiente para se sentir bem sozinho. Eu bem que gostaria de poder tomar sorvete.
(Samuel Gois Martins)
- Sorvete?
- Não obrigado. Preciso emagrecer.
Mas hoje é o tipo de dia que eu tenho para poder me inspirar. A inspiração pra mim funciona com o ato de provocar minha criatividade. Provocar no sentido de irritar mesmo. A solidão ajuda. Estar entre os montes de pessoas, os seis bilhões de loucos, é o suficiente para se sentir bem sozinho. Eu bem que gostaria de poder tomar sorvete.
(Samuel Gois Martins)
Subscribe to:
Posts (Atom)