.
Sinto o cheiro das palavras se aproximando de meus olhos. A verborragia digital explode em segundos e por um momento fico atordoado sem saber exatamente sobre o que é tudo isso. Logo tudo recupera seus valores morais e sociais.
- Bem vindo ao futuro - Minha secretaria comenta.
Logo descobri que passei por uma viagem no tempo devido há um fenômeno meteorológico gramatical, quando os planetas se alinham com o grau certo no momento certo com a tinta certa escrevendo as letras na ortografia e caligrafia definidas.
E como é incrível o futuro este que fui. Nunca pensei que teria uma secretara.
Tudo é muito rápido, menos o pensamento que se tornou a mais obsoleta das tecnologias. Então assim como não desgrudamos mais de celulares e computadores, os “pensadores” são a grande nova tecnologia. E diálogos como “O meu pensa a dez ponto giganeurônios por segundo, e o seu?” “Há, o meu é modelo antigo, não sei quando terei grana para pensar mais rápido”. Os pensadores recebem toda a informação fluida da rede. As pessoas conversam por telepatia, assistem filmes fechando seus olhos e escutam musicas apenas de lembrar o nome ou numeração da mesma no banco de dados. Os escritores não mais escrevem, apenas imaginam suas histórias e poesias na cabeça e recebem créditos neurôniais cada vez que as pessoas querem ver suas obras.
E eu descobri tudo isso apenas em milésimos de seguindo, pois meu pensador é de ultima geração. Isso é um pesadelo. Fico tonto, meu cérebro não está acostumado, cambaleio e acordo na frente de minha prancheta. Sinto uma caneta entre meus dedos, passo os dedos sobre o papel e quase choro ao sentir sua textura. É noite e fico com medo de dormi, pois todo amanhã é um passo a mais para aquele futuro medonho. Escreverei bastante, antes que palavras e pensamentos fiquem obsoletos.
(Samuel Gois Martins) 17/08/2006
“o governo e diversas multinacionais pagam os alienígenas cabeçudos para bombardearem em nossas mentes propagandas e publicidades subliminares””
Thursday, August 17, 2006
Sunday, May 21, 2006
Uma carta de amor
Desenhar pensamentos, sons e sentimentos de longe é uma coisa simples. E o escritor – esse canalha – de tanto falar-se sonhos medos esperanças, acabou desaprendendo a ser sincero com as letras. Então bem sabemos que não é uma tarefa fácil, simplesmente quebrar regras em falar ‘eu te amo’ quando o correto é amo-lhe. Talvez ninguém diga amo-lhe porque seguir o jeito certo é seguir a lógica. E o amor não é lógico. A partir daí achamos um paradoxo: como escrever, mediante tantas regras e ordens nas letras, sobre o amor? Os poetas bem agraciados acharam uma alternativa que se baseava em simplesmente quebrar as regras – chutar o pau da barraca – jogar tudo pro ar. Mas o amor também não é revolução. O amor – pasmem meus amigos – é uma regra. A primeira regra de todas. A primeira etapa das primeiras coisas. Do amor surge tudo. Da vida até a morte. Do material ao espiritual. Do cientifico ao religioso. E agora, quando comecei esse texto com a palavra ‘desenhar’ nunca imaginei que ficaria tão confuso com minhas próprias palavras. Como falar sobre o amor? Talvez levar em conta uma idéia maravilhosa. Devemos pensar melhor na primeira palavra. E depois? Depois viria A palavra. Sim, a que foi feita para a primeira. Se o amor é regra, e dele vem o inicio. É assim que tem de ser. E como o amor não é lógico, deveria eu usar da metáfora – apreciável figura de linguagem – para tentar: Ele – amor – existe. Sabe... Existe sim. Em primeiro lugar quero que saiba que existe. Não importam as provas do contrario. Continuo a crer que existe. Em todos os lugares, mas, em especial, no seu perfume. Não fui eu que cultivei o jardim. Ele já estava aqui quando cheguei. Mas pelo menos para mim a graça deste enorme adorno é o seu perfume. Sua cor. Sua beleza. Ali em um cantinho. Escolhi me sentar para proteger. Aguar com um regador sempre que ver que estas com sede. Às vezes bate uma fome ou um sono. Mas não vou fechar meus olhos. Quero que cresça e fique cada vez mais... Mais e mais. Estou feliz em estar aqui sentado. Escrevendo isso. O sol forte acompanha um céu azul limpo e belo. Mesmo assim acho que vai chover e vou com minhas mãos proteger das gotas fortes. Não quero mais sair daqui. Do seu lado. Você entende? Espero não está incomodando com a minha sombra. Algo mais ou menos assim que eu falaria sobre o amor. Sim, e existe a coisa da poética revolucionaria modernista – claro, nunca esqueçam esse detalhe – revelar que esse texto é só para você, sem dizer isso claramente, entende? Talvez relacionar com as forças da natureza, como quando conversei com o oceano a seu respeito, para tomar coragem, levar uma flor branca e dizer que te amo no primeiro dia que te beijei. Agora vou roubar o que um outro colega escritor falou a respeito de sua amada, eu o invejei tanto quando ele teve essa idéia. Imagine que voltei para o oceano para falar sobre você, e agradecer pela motivação. E trocamos historias. O mar falou de sua grandiosidade, sua imensidão, toda a vida que o habita.
Eu falei sobre você. E o oceano ficou com inveja.
E depois de escrever tanta ladainha pseudo-literária, resta apenas usar o clichê da quebra de regra gramatical dizendo eu te amo e não terminando isso com um ponto final, pois quero que seja infinito
(Samuel de Gois Martins) 21/05/06
Eu falei sobre você. E o oceano ficou com inveja.
E depois de escrever tanta ladainha pseudo-literária, resta apenas usar o clichê da quebra de regra gramatical dizendo eu te amo e não terminando isso com um ponto final, pois quero que seja infinito
(Samuel de Gois Martins) 21/05/06
Saturday, May 06, 2006
Xixi na cama
Cabrum, fez o trovão. Cabrum. Seguido de exclamações. Sim, e tinha os relâmpagos. Os malditos relâmpagos. Eu estava debaixo do cobertor. Chorando. Com medo. O mundo parecia estar acabando. A luz que saia das janelas clareava todo o quarto e criava sombras zombeteiras a partir de minhas bonecas cuidadosamente arrumadas no armário.
Cabrum.
É o fim do mundo. O mundo esta acabando. Já estou até imaginando os cavaleiros do apocalipse cavalgando pelos céus. Os mortos voltando à vida. A cama úmida. Fazia anos que não fazia xixi na cama. Trinta anos. Mais ou menos. Cabrum.
E chegaram os Greys.
Os Greys são humanóides magros e cabeçudos com pele cinza e profundos olhos negros. Eram cinco, ao redor de minha cama. Eu reconhecia a sombra deles por baixo do cobertor. Cabrum.
Não conseguia escutar eles falando. Claro que não. São telepáticos. Apenas via-os gesticulando entre si. Deviam pensar em algo como “As pernas ou o cérebro?”. E o pior é que chegaram a alguma conclusão. O terceiro da esquerda para o do meio entre os cinco pôs as mãos na cintura e assentiu com a cabeça. “O cérebro, claro”. Cabrum. Dessa vez a luz foi tão forte que todas as sombras sumiram. Os Greys sumiram. Todos os cinco. Talvez o cheiro de xixi os tenha espantado. Cabrum. Talvez.
(Samuel Góis Martins) 06/05/2005
Cabrum.
É o fim do mundo. O mundo esta acabando. Já estou até imaginando os cavaleiros do apocalipse cavalgando pelos céus. Os mortos voltando à vida. A cama úmida. Fazia anos que não fazia xixi na cama. Trinta anos. Mais ou menos. Cabrum.
E chegaram os Greys.
Os Greys são humanóides magros e cabeçudos com pele cinza e profundos olhos negros. Eram cinco, ao redor de minha cama. Eu reconhecia a sombra deles por baixo do cobertor. Cabrum.
Não conseguia escutar eles falando. Claro que não. São telepáticos. Apenas via-os gesticulando entre si. Deviam pensar em algo como “As pernas ou o cérebro?”. E o pior é que chegaram a alguma conclusão. O terceiro da esquerda para o do meio entre os cinco pôs as mãos na cintura e assentiu com a cabeça. “O cérebro, claro”. Cabrum. Dessa vez a luz foi tão forte que todas as sombras sumiram. Os Greys sumiram. Todos os cinco. Talvez o cheiro de xixi os tenha espantado. Cabrum. Talvez.
(Samuel Góis Martins) 06/05/2005
Thursday, May 04, 2006
Paraíso
Sentia o sangue escorrendo pelos dedos dos meus pés junto com edema preto. O tato foi sumindo até que dar conta que estava morto. Enxergava meu próprio corpo ferrado na cama. Sem parentes ou putas para sentir falta de alguma coisa. Sem ter onde cair morto eu morri. Não tinha luz, nem trevas, nem anjinhos com bunda de bebe e pinto pequeno. Não tinha Deus reclamando ou São Pedro. Simplesmente sai pela porta da frente do apartamento. E não foi atravessando-a. Desci a escada e peguei um ônibus especial muito desconfortável. Lá dentro o cobrador ainda pedia duas pratas.
- Pode ser vale de estudante?
O cobrador olhou feio pra mim.
- Você já morreu porra. Da as duas pratas. Como acha que pago a gasolina dessa merda?
Engraçado, pois só tinha duas pratas na carteira.
- O que acontece quando não temos duas pratas?
- Só tem quem merece.
(Samuel Góis Martins) 04/05/2005
- Pode ser vale de estudante?
O cobrador olhou feio pra mim.
- Você já morreu porra. Da as duas pratas. Como acha que pago a gasolina dessa merda?
Engraçado, pois só tinha duas pratas na carteira.
- O que acontece quando não temos duas pratas?
- Só tem quem merece.
(Samuel Góis Martins) 04/05/2005
Tuesday, April 18, 2006
Os três, treis e 3
Os moleques, como moleques que são: negrinhos, de pouca idade, ao mesmo tempo no futuro patifes velhacos e canalhas; diabinhos filhotes de surubim. Correm com laranjas, mangas e outras bem abraçadas entre seus braços. Desesperados porque bem escutavam o senhor, seu Jorge, com seus cachorros, a cuspir palavras de má fé e os latidos palavreados já conhecidos por toda vizinhança. Pobres os meninos, que são três, 3 e treis, sendo no total: nove; irmãos e órfãos seja de quem for. Mas ainda são, tanto que sabem roubar frutas para saciar a fome, seja qual for. Os que sentem fome de educação comem da goiaba para contar dos caroços que lhes engasgam; os que pedem carinho chupam da manga doce e rosa sonhando o leite da mãe que não vem; os que simplesmente querem comer não sente gosto e comem tudo, casca caroço, rosa, leite e azedo. O que pude encher a barriga, até de palavras se possível. Juquinha, o mais novo entre os três, do meio dos 3 e mais velho entre os treis é faminto por palavras. As come vorazmente. Pior que os outros comem frutas, carinho ou matemática. Juquinha tem duas bocas, que são seus olhos, muito bem aprendidos na arte de comer palavras. No início ele bem lembra que se engasgava com algumas letras e consoantes. Hoje são textos enormes, matérias, livros que com aquelas duas bocas castanhas devoram alegremente. Diferente de sues irmãos, Juquinha tem nome, leu em algum canto e gostou. Chegou para os seus e falou “agora me chamem de Juquinha”, os outros riram, mas aceitaram a estranheza de seu irmão, pois gostam muito dele. E de quando toda noite lê algumas histórias presenteando sonhos. Os sonhos são melhores que lençóis e um teto e aquecem mais que a fogueira. Fora que, negrinhos como são se acolhem com a noite e se forram nas estrelas. Amanhã chegam os morangos na barraca de seu Jorge, e os meninos estão curiosos.
(Samuel Góis Martins) 18/04/06
(Samuel Góis Martins) 18/04/06
Thursday, March 23, 2006
Verão, esperanças...
É um clima seco de verão, com poucas esperanças e garotas desfilando com sua falta de amor próprio. Renato está sentado na calçada de sua casa a espera de seu pai. Adriana põe as roupas no varal enquanto limpa o suor de seu rosto. E tem vários outros e outras fazendo algo ou nada naquela rua abafada pelo clima seco do verão, com poucas esperanças e garotas desfilando com sua falta de amor próprio. A vizinha de Renato é Miss do bairro agora deu para tomar sol de biquíni e faixa de miss no quintal. O irmão mais novo de Renato que se delicia com isso, pois é bem treinado na arte de subir em arvores e espionar os vizinhos. O irmão de Renato, Juliano, encima da arvore também se delicia com refrigerantes gelados e o clima seco de verão, com poucas esperanças e garotas desfilando com sua falta de amor próprio. O pai de Renato esta chegando de carro, mas não sabe os dois irmãos e a esposa dedicada Fátima que no porta-luvas do carro existe uma arma. Sua testa desliza suor, seus olhos, lagrimas. Ele já avista seu filho Renato na calçada sentado, é um bom filho. Ele também nota sua admiração pela casa da frente, com aquela garota, Adriana, pondo roupas no varal. Por um momento ele lembra de como conheceu Fátima, numa lanchonete limpando a mesa dela. Ele era o garçom. Quando chega mais perto percebe seu outro filho, Juliano, provavelmente espionando a vizinha maluca. Garotão. Renato sorri para Adriana. Adriana sorri para Renato. Ele pensa “é aquele clima seco de verão, com poucas esperanças e garotas desfilando com sua falta de amor próprio”, e sorri. Fátima acabou de preparar o almoço galinha empanada, o favorito de seu esposo. Grita por seus dois filhos, Renato e Juliano. Na mesa senta Juliano e seu pai. O pai manda Juliano lavar as mãos. Ele esperneia um pouco, mas vai. Fátima senta a mesa.
- Onde está Renato? – pergunta Fátima.
- Deixa o menino... – fala o pai com um sorriso escondido no hemisfério esquerdo dos lábios – A propósito, eu vi o senhor, seu Juliano, espionando a vizinha de novo.
Juliano fica vermelho.
- Que pouca vergonha...
Mas não falam mais nada. Eles comem em silencio satisfeitos. Entendem que é aquele clima seco de verão, com poucas esperanças e garotas desfilando com sua falta de amor próprio.
(Samuel de Gois Martins) 23/03/05
- Onde está Renato? – pergunta Fátima.
- Deixa o menino... – fala o pai com um sorriso escondido no hemisfério esquerdo dos lábios – A propósito, eu vi o senhor, seu Juliano, espionando a vizinha de novo.
Juliano fica vermelho.
- Que pouca vergonha...
Mas não falam mais nada. Eles comem em silencio satisfeitos. Entendem que é aquele clima seco de verão, com poucas esperanças e garotas desfilando com sua falta de amor próprio.
(Samuel de Gois Martins) 23/03/05
Saturday, March 18, 2006
Carta para a xamã
Excelentíssima Senhora,
Eu soube daquelas histórias antigas que sua mãe contava
O ângulo de visão era suficiente para notá-la escrevendo em sua caderneta. E tinha o skizh skizh do grafite sobre o papel que sutilmente canta
E soube que toda a noite ela olhava cenicamente para a janela. Quando existia uma lua para se ver. Ela apontava com o dedo e falava
- São os anjos em uma espaçonave circular!
E você como a criança que era
- Mamãe! Os anjos! Como é lindo o brilho daquela espaçonave!
Skizh skizh skizh
“brilho daquelas espaçonave exclamação...”?
Proseguindo... E quando existiam apenas estrelas. Ela traçava herói se monstros a guerrear nas estrelas. Essas histórias que ela escutou de sua avó. Você lembra dos trovões?
Skizh...
- Mamãe! Os trovões!
- São os anjos e as estrelas festejando mais uma batalha ganha... Venha, vamos comemora também! Fazer brigadeiro!
E você pulava toda alegre atrás de sua mãe. Eu soube de tudo isso...
E então paro para olhar aquela grande vidraça de meu escritório. Esta quase de noite, e a espaçonave já inicia sua patrulha nos céus... Parei sim, para retomar o fôlego e segurar as lagrimas.
top top top... som do lápis nervoso sobre a escrivaninha. Ela deve esta imaginando se vai receber hora extra.
Excelentíssima senhora, seus filhos a invejam e guardam rancor. Eles não possuem está lembrança que você tanto deleitou. Não desperdice os dias, está noite teremos chuva. Por que não comemora com eles um pouco? Tire alguns dias de folga para contar todas as historias sobre a lua, o sol, as estrelas e nuvens. Seu aumento sera garantido, e não contesto nada de sua maravilhosa competência. Ponto.
Skizh.
Eu soube daquelas histórias antigas que sua mãe contava
O ângulo de visão era suficiente para notá-la escrevendo em sua caderneta. E tinha o skizh skizh do grafite sobre o papel que sutilmente canta
E soube que toda a noite ela olhava cenicamente para a janela. Quando existia uma lua para se ver. Ela apontava com o dedo e falava
- São os anjos em uma espaçonave circular!
E você como a criança que era
- Mamãe! Os anjos! Como é lindo o brilho daquela espaçonave!
Skizh skizh skizh
“brilho daquelas espaçonave exclamação...”?
Proseguindo... E quando existiam apenas estrelas. Ela traçava herói se monstros a guerrear nas estrelas. Essas histórias que ela escutou de sua avó. Você lembra dos trovões?
Skizh...
- Mamãe! Os trovões!
- São os anjos e as estrelas festejando mais uma batalha ganha... Venha, vamos comemora também! Fazer brigadeiro!
E você pulava toda alegre atrás de sua mãe. Eu soube de tudo isso...
E então paro para olhar aquela grande vidraça de meu escritório. Esta quase de noite, e a espaçonave já inicia sua patrulha nos céus... Parei sim, para retomar o fôlego e segurar as lagrimas.
top top top... som do lápis nervoso sobre a escrivaninha. Ela deve esta imaginando se vai receber hora extra.
Excelentíssima senhora, seus filhos a invejam e guardam rancor. Eles não possuem está lembrança que você tanto deleitou. Não desperdice os dias, está noite teremos chuva. Por que não comemora com eles um pouco? Tire alguns dias de folga para contar todas as historias sobre a lua, o sol, as estrelas e nuvens. Seu aumento sera garantido, e não contesto nada de sua maravilhosa competência. Ponto.
Skizh.
Friday, February 03, 2006
Código a
tim tim tim ta tum ta ta tim tum
- Alô?
- Preciso de ajuda. Rua dois. Numero três. Terceiro andar. Apartamento 1200.
clic
Olho o relógio.
14h
233 1200
- Alô?
- Rua dois. Numero três. Terceiro andar. Apartamento 1200.
- O que aconteceu?
- Precisam de ajuda.
- Rede elétrica?
- São duas da tarde, homem!
- Limpeza de pia...
clic.
tim tim ta tum
- Alô?
- Ele esta vindo?
- humhum...
- Isso é sim ou não?
- É um humhum.
- Ok. Muito obrigado.
- Disponha.
clic
Samuel Gois Martins 03/02/06
- Alô?
- Preciso de ajuda. Rua dois. Numero três. Terceiro andar. Apartamento 1200.
clic
Olho o relógio.
14h
233 1200
- Alô?
- Rua dois. Numero três. Terceiro andar. Apartamento 1200.
- O que aconteceu?
- Precisam de ajuda.
- Rede elétrica?
- São duas da tarde, homem!
- Limpeza de pia...
clic.
tim tim ta tum
- Alô?
- Ele esta vindo?
- humhum...
- Isso é sim ou não?
- É um humhum.
- Ok. Muito obrigado.
- Disponha.
clic
Samuel Gois Martins 03/02/06
Wednesday, February 01, 2006
Bolas bem grandes
Eu gostaria de duas bolas bem grandes.
Como os seios da mamãe.
Como os testículos de papai. Eu lembro bem...
- Seu filho de uma...!
- Não ouse falar isso – ameaçou mamãe.
Então papai se calou e ajoelhou. Sentindo dor. E depois disso ficaram enormes. Papai andava como um pingüim. E também se vestia como um. Era o alto executivo de um banco de renome.
- Eu gostaria de duas bolas bem grandes.
- Mãos pra cima!
É ironia o seu filho se tornar um assaltante profissional de bancos.
- Eu tenho um refém e quero duas bolas bem grandes! – e bota profissional nisso. Papai ficaria orgulhoso.
(Samuel Gois Martins) 1/02/06
Como os seios da mamãe.
Como os testículos de papai. Eu lembro bem...
- Seu filho de uma...!
- Não ouse falar isso – ameaçou mamãe.
Então papai se calou e ajoelhou. Sentindo dor. E depois disso ficaram enormes. Papai andava como um pingüim. E também se vestia como um. Era o alto executivo de um banco de renome.
- Eu gostaria de duas bolas bem grandes.
- Mãos pra cima!
É ironia o seu filho se tornar um assaltante profissional de bancos.
- Eu tenho um refém e quero duas bolas bem grandes! – e bota profissional nisso. Papai ficaria orgulhoso.
(Samuel Gois Martins) 1/02/06
Thursday, January 12, 2006
Café
medicamento genérico
paracetamol
quatro unidades
falta um
a noite passada foi horrível não faço idéia do que fiz só sei que a ressaca ta grande
saio da banheira e vou até meu quarto
no meu quarto estão as mesmas roupas de sempre e sempre as mesmas roupas que visto
não tenho carro então sobra o ônibus
chego atrasado lá se vai o ônibus
duas horas esperando
preciso de café
vou para ao café mais próxima
café quero café
não temos café
não tem café em um café
não
eu quero café
gostaria de água com gás
não eu quero café
e sorvete
café
café faz mal sabia
isso é um café seu bosta
não venha com ignorância senhor sou um homem trabalhador honesto que merece respeito
café
não temos café
vai se foder
e saio da cafeteira sem café
sem café
paracetamol agora restam dois
consigo perder o ônibus de novo
merda
disco para o trabalho
tenho um celular
alô
caralho é você
sim sou eu
lembra de ontem
não
caralho
o que foi
foi foda
imagino
foi mesmo
foi
é
eu vou chegar atrasado
tudo bem se fosse eu não vinha aqui nem tão cedo
por quê
depois de ontem...
porra o que teve ontem
você não lembra
já disse que não lembro
foi foda
você já disse
você comeu a esposa do patrão na frente dele
hsg
Isso mesmo
a esposa
sim
do patrão
na frente dele
é
caralho
falei que foi foda
caralho preciso de café
volto para o café sem café
porra eu preciso de café
você de novo já falei que não temos café
porra por favor
saia do estabelecimento senhor
café
puxo um palito de dentes e aponto para o pescoço do balconista
café porra
você não pode me matar com isso
café
eu já ativei o alarme a policia esta vindo
eu quero café
parado parado
café
prendam esse maluco
saio correndo levo um tiro na perna tudo bem não gostava daquela perna
me arrasto até o ponto de ônibus
os policiais vêm atrás de mim
perdi o ônibus novamente
parado
parado
levanto minhas mãos
onde está a arma
solto o palito de dentes
puta que pariu
é um psicopata maldito
com um palito de dentes
que horrível
é desumano
desumano
eu quero café
sou preso em algemas e chutado para um camburão
eu só queria café
e lembrar se a esposa do patrão era gostosa
(Samuel Gois Martins) 12/01/2005
paracetamol
quatro unidades
falta um
a noite passada foi horrível não faço idéia do que fiz só sei que a ressaca ta grande
saio da banheira e vou até meu quarto
no meu quarto estão as mesmas roupas de sempre e sempre as mesmas roupas que visto
não tenho carro então sobra o ônibus
chego atrasado lá se vai o ônibus
duas horas esperando
preciso de café
vou para ao café mais próxima
café quero café
não temos café
não tem café em um café
não
eu quero café
gostaria de água com gás
não eu quero café
e sorvete
café
café faz mal sabia
isso é um café seu bosta
não venha com ignorância senhor sou um homem trabalhador honesto que merece respeito
café
não temos café
vai se foder
e saio da cafeteira sem café
sem café
paracetamol agora restam dois
consigo perder o ônibus de novo
merda
disco para o trabalho
tenho um celular
alô
caralho é você
sim sou eu
lembra de ontem
não
caralho
o que foi
foi foda
imagino
foi mesmo
foi
é
eu vou chegar atrasado
tudo bem se fosse eu não vinha aqui nem tão cedo
por quê
depois de ontem...
porra o que teve ontem
você não lembra
já disse que não lembro
foi foda
você já disse
você comeu a esposa do patrão na frente dele
hsg
Isso mesmo
a esposa
sim
do patrão
na frente dele
é
caralho
falei que foi foda
caralho preciso de café
volto para o café sem café
porra eu preciso de café
você de novo já falei que não temos café
porra por favor
saia do estabelecimento senhor
café
puxo um palito de dentes e aponto para o pescoço do balconista
café porra
você não pode me matar com isso
café
eu já ativei o alarme a policia esta vindo
eu quero café
parado parado
café
prendam esse maluco
saio correndo levo um tiro na perna tudo bem não gostava daquela perna
me arrasto até o ponto de ônibus
os policiais vêm atrás de mim
perdi o ônibus novamente
parado
parado
levanto minhas mãos
onde está a arma
solto o palito de dentes
puta que pariu
é um psicopata maldito
com um palito de dentes
que horrível
é desumano
desumano
eu quero café
sou preso em algemas e chutado para um camburão
eu só queria café
e lembrar se a esposa do patrão era gostosa
(Samuel Gois Martins) 12/01/2005
Sunday, January 08, 2006
E tudo começa outra vez
- Vejam!
- É um pássaro?
- Um avião?
Um suicida. O vento batendo no meu rosto, a sensação de descobrir a textura das nuvens. O sol sempre nascendo quando vou um pouco mais para o leste...
Falido. A esposa me abandonou com um palhaço de circo. Meu filho se tornou um viciado. Quais motivos eu terei para continuar vivo? A vida é uma bosta. Sempre foi. Nunca tive amigos de verdade, sempre odiei tudo que fiz, meus pais me tratam como um lixo. Provavelmente eu realmente seja um lixo.
Fechou os olhos e pulou. O vento batendo no rosto.
- Vejam!
- É um pássaro?
- Um avião?
A sensação de descobrir a textura das nuvens.
Já estou morto? Abro meus olhos. Se isso é estar morto já o deveria ter feito há muito tempo. Estou centenas de metros do chão. Voando. Belisco meu braço. Concluo que aquilo tudo é bem real. Seria uma segunda chance? Há quanto tempo posso voar e não sabia? Será que toda vida eu tinha este dom e nem reparei?
- Sempre reclamando de tudo...
- Vejam!
- É um pássaro?
- Um avião?
- Não!
- Só não vai dizer que é o super-homem né!
O sol sempre nascendo quando vou um pouco mais para o leste... E tudo começa outra vez.
(Samuel Gois Martins) 08/01/06
*nota - Originalmente é roteiro inspirado na obra Superman – Identidade Secreta, de Kurt Busiek e Stuart Immonen. Como um quadrinho permite mais de um foco narrativo acabei escolhendo manter os três focos narrativos no texto, mesmo que fique estranho.
- É um pássaro?
- Um avião?
Um suicida. O vento batendo no meu rosto, a sensação de descobrir a textura das nuvens. O sol sempre nascendo quando vou um pouco mais para o leste...
Falido. A esposa me abandonou com um palhaço de circo. Meu filho se tornou um viciado. Quais motivos eu terei para continuar vivo? A vida é uma bosta. Sempre foi. Nunca tive amigos de verdade, sempre odiei tudo que fiz, meus pais me tratam como um lixo. Provavelmente eu realmente seja um lixo.
Fechou os olhos e pulou. O vento batendo no rosto.
- Vejam!
- É um pássaro?
- Um avião?
A sensação de descobrir a textura das nuvens.
Já estou morto? Abro meus olhos. Se isso é estar morto já o deveria ter feito há muito tempo. Estou centenas de metros do chão. Voando. Belisco meu braço. Concluo que aquilo tudo é bem real. Seria uma segunda chance? Há quanto tempo posso voar e não sabia? Será que toda vida eu tinha este dom e nem reparei?
- Sempre reclamando de tudo...
- Vejam!
- É um pássaro?
- Um avião?
- Não!
- Só não vai dizer que é o super-homem né!
O sol sempre nascendo quando vou um pouco mais para o leste... E tudo começa outra vez.
(Samuel Gois Martins) 08/01/06
*nota - Originalmente é roteiro inspirado na obra Superman – Identidade Secreta, de Kurt Busiek e Stuart Immonen. Como um quadrinho permite mais de um foco narrativo acabei escolhendo manter os três focos narrativos no texto, mesmo que fique estranho.
Friday, January 06, 2006
É mulher?
A tampa do esgoto voou pra longe, de lá saiu um italiano. Pensei logo no Mario. Ele estava armado com uma lança tribal africana e gritava asneira sobre Mussolini. Eu tinha um 38 no bolso.
- Desculpe... Mas eu amo outro.
Não demonstrei nenhuma emoção.
- Você me traiu?
- Não! Eu juro que não! Por isso vim abrir meu coração para você. O respeito demais... É como um irm...
- Não diga essa palavra. Por favor.
E sai do bar.
Ai a tampa de esgoto voou pra longe. Mario africano anarquista. Mussolini. E eu doido pra matar um hoje. Tirei a arma e apontei para o idiota. Ele começa a chorar. Solta a lança no chão. Senta-se na quina da calçada e chora cada vez mais. Meu coração amolece.
- É mulher?
E ofereço um lenço para ele.
(Samuel Gois Martins) 06/01/06
- Desculpe... Mas eu amo outro.
Não demonstrei nenhuma emoção.
- Você me traiu?
- Não! Eu juro que não! Por isso vim abrir meu coração para você. O respeito demais... É como um irm...
- Não diga essa palavra. Por favor.
E sai do bar.
Ai a tampa de esgoto voou pra longe. Mario africano anarquista. Mussolini. E eu doido pra matar um hoje. Tirei a arma e apontei para o idiota. Ele começa a chorar. Solta a lança no chão. Senta-se na quina da calçada e chora cada vez mais. Meu coração amolece.
- É mulher?
E ofereço um lenço para ele.
(Samuel Gois Martins) 06/01/06
Thursday, January 05, 2006
Guerra
Os patos decolaram para longe. O comandante aparentava ter herpes. O rio ondulou durante a decolagem. Por sorte não se enroscaram nas pipas. É um dia de verão qualquer em algum lugar. Onde está Juliana? Joguei uma pedrinha no rio.
Ondas. Os patos decolaram com o susto. Decolaram para longe. O comandante tinha uma plumagem esquisita, lembrando meu pai com herpes. As pipas estavam aos montes, por sorte não se enroscaram entre si. E nem enroscaram nos patos.
- Desculpe o atraso!
Juliana.
- Onde você estava?
- Estava terminando a cesta do piquenique.
- Tudo bem...
- Está preocupado com o seu pai?
- Guerra.
- E ele é o comandante...
Lembro do pato. Lembro do herpes.
- Você tem problemas com herpes, Juliana?
- Deus! Não! Eu sou virgem...
Olho bem nos olhos dela. Ela é virgem. Os olhos de uma virgem. O rio ondula. Os patos já estão bem longe. Jogo outra pedra. Mais ondas. Herpes.
- Esta duvidando de mim?!
- Não é isso. Hoje é um dia estranho.
- Como assim?
Jogo outra pedra.
Ondas.
- Sonhei com o meu pai.
- Você precisa se libertar do fantasma de seu pai...
- Mas ele pode não está morto.
- Estamos em guerra! Ele foi para morrer. Se ele voltar, ele vai estar de varias formas, menos vivo...
- Ele ainda vai ter herpes?
- Talvez coisa pior. Sabe-se lá o que solados solitários fazem nesses lugares...
As pipas se enroscam. Jogo outra pedra. Ondas.
- O comandante deve está indo para o sul...
(Samuel Gois Martins) 05/01/06
Ondas. Os patos decolaram com o susto. Decolaram para longe. O comandante tinha uma plumagem esquisita, lembrando meu pai com herpes. As pipas estavam aos montes, por sorte não se enroscaram entre si. E nem enroscaram nos patos.
- Desculpe o atraso!
Juliana.
- Onde você estava?
- Estava terminando a cesta do piquenique.
- Tudo bem...
- Está preocupado com o seu pai?
- Guerra.
- E ele é o comandante...
Lembro do pato. Lembro do herpes.
- Você tem problemas com herpes, Juliana?
- Deus! Não! Eu sou virgem...
Olho bem nos olhos dela. Ela é virgem. Os olhos de uma virgem. O rio ondula. Os patos já estão bem longe. Jogo outra pedra. Mais ondas. Herpes.
- Esta duvidando de mim?!
- Não é isso. Hoje é um dia estranho.
- Como assim?
Jogo outra pedra.
Ondas.
- Sonhei com o meu pai.
- Você precisa se libertar do fantasma de seu pai...
- Mas ele pode não está morto.
- Estamos em guerra! Ele foi para morrer. Se ele voltar, ele vai estar de varias formas, menos vivo...
- Ele ainda vai ter herpes?
- Talvez coisa pior. Sabe-se lá o que solados solitários fazem nesses lugares...
As pipas se enroscam. Jogo outra pedra. Ondas.
- O comandante deve está indo para o sul...
(Samuel Gois Martins) 05/01/06
Monday, January 02, 2006
Óculos
Que mundo horrível, é o sem meus óculos. Pois foi sem eles que acabei entrando em uma selva escura, e rezei para não ter que ser salvo por Virgilio nem cair no quinto dos infernos. Na verdade cai no quarto dos infernos, o do meu irmão, cheio de pôsteres de mulheres nuas, bandas de rock e cheirando a masturbações e cigarros escondidos. Enquanto isso me perguntava a respeito dos óculos.
Na hora do almoço, mamãe serve todos os pratos com todos os temperos possíveis que provocam alergia em papai. Ela tem feito isso nos últimos sete anos. Papai fica sentado olhado para todos com cara de perdedor. Fica olhando para o prato vazio em silencio. Parece que alem de não deixa-lo comer, obriga-o a fazer sexo com ela todas as noites. Papai esta ficando cada vez mais magro e doente. Sem meus óculos ele parece apenas uma coisa branca e marrom. Mas uma coisa branca e marrom digna de pena. Isso sim. Meu irmão não veio almoçar, saiu com os amigos. Mamãe esta sorridente hoje. Deu-me os parabéns pelas boas notas e mais uma vez perguntou se sou homossexual, alegando que não possui nenhum preconceito. Informei que era neo-nazista e que não admitiria perguntas como aquelas. Ela sempre ri, acha que estou brincando. Devia olhar mais o porão. Sim! O porão! É lá que deixei os óculos!
(Samuel Gois Martins)02/01/06
Na hora do almoço, mamãe serve todos os pratos com todos os temperos possíveis que provocam alergia em papai. Ela tem feito isso nos últimos sete anos. Papai fica sentado olhado para todos com cara de perdedor. Fica olhando para o prato vazio em silencio. Parece que alem de não deixa-lo comer, obriga-o a fazer sexo com ela todas as noites. Papai esta ficando cada vez mais magro e doente. Sem meus óculos ele parece apenas uma coisa branca e marrom. Mas uma coisa branca e marrom digna de pena. Isso sim. Meu irmão não veio almoçar, saiu com os amigos. Mamãe esta sorridente hoje. Deu-me os parabéns pelas boas notas e mais uma vez perguntou se sou homossexual, alegando que não possui nenhum preconceito. Informei que era neo-nazista e que não admitiria perguntas como aquelas. Ela sempre ri, acha que estou brincando. Devia olhar mais o porão. Sim! O porão! É lá que deixei os óculos!
(Samuel Gois Martins)02/01/06
Monday, December 26, 2005
Torresmo feliz
Existe um fenômeno relacionado a pessoas pegando fogo do nada. Combustão humana espontânea. Ninguém até hoje sabe os motivos que levam esse punhado de gente a simplesmente virar torresmo de uma hora para a outra. Vamos fazer assim: os cientistas descobrem o dia e a hora exatos em que seu corpo ira queimar em chamas até sobrar apenas os pés logo num exame de sangue feito ao nascer. Sobram os pés? Marcos sabe que no dia 23 de junho de 2007 às 3 horas da tarde, quando ele tiver seus 23 anos, ira virar torresmo. Claro, não é nem um pouco consolador saber quando você vai morrer, mas pelo menos lhe diz o quando você pode aproveitar da vida. Um fator interessante é que às vitimas da combustão humana espontânea geralmente morrerem por problemas de colesterol, doenças venéreas e acidentes em esportes radicais.
(Samuel Gois Martins) 26/12/2005
(Samuel Gois Martins) 26/12/2005
Sunday, December 11, 2005
Tensão de elevador
Tateou o bolso direito certificando que não esquecera nada. Sua mão nervosa aliviava-se no ritmo do pensamento “está aqui, aqui”. Dentro do elevador estava ele, a velha do oitavo andar e uma adorável adolescente de lindo decote indo ver sua amiguinha do quinto andar. O elevador marcava segundo andar.
A jovem não esperava à hora de ver sua amiguinha. Desde aquela festa não para de pensar nela. Antes se sentia incomodada, envergonhada. Mas foi tão bom. Algo que homem nenhum realizou. Ela quer mais. Falta tão pouco, tão pouco. Chega logo elevador. Chega!
A velha reconhece o bonitão da ultima vez. A forma como sempre tateia os bolsos é uma graça. Fica imaginando aquelas mãos nervosas fazendo coisas indecorosas. Do jeito que ela adora. Ela adoraria mostrar sua coleção sadomasoquista. Ele aprenderia a amar aqueles seios caídos e branquelos. Nem que sangrasse para isso.
O elevador para no quinto e a garota parece da um suspiro de alegria contagiante que vem do fundo da alma.
- Que menina mal educada. Nem da boa tarde ao sair do elevador -, rosna a velha.
Ele não responde. Ele tateia novamente o bolso. “Está aqui. Aqui!”.
A velha não fica ressentida com a falta de resposta. Ela gosta deles caladinhos. Caladinhos sentindo dor.
O elevador chega ao oitavo, a velha da uma piscadela para ele e sai empinando sua bunda cheia de estrias. Ele engole seco e limpa o suor da testa. As portas do elevador se fecham. Rapidamente ele aperta no botão onze. Não é apenas suor que sai, ele começa a chorar, primeiro lagrimas escapando e depois berros que até a garotinha adorável que entrou no quinto andar escutaria se não estivesse gemendo tanto junto de sua amiguinha.
A porta abre. Apenas um apartamento por andar. Ele bate três vezes na porta, toc toc toc. Ninguém responde por aproximadamente quarenta segundos. Ele bate na porta mais duas vezes, toc toc.
- Já vai!
Ele põe a mão no bolso. Está lá. Graças a Deus!
- É você Renatinho. Como está? Por que essa cara inchada? Parece pior do que quando saiu daqui na ultima vez.
Ele aperta forte o objeto dentro de seu bolso, certo que estava lá de verdade. Ele nunca imaginou que pudesse fazer isso. Ela é tão jovem. Ele se sente um monstro. Mas não ponde controlar. Não pode segurar. Sacou rapidamente e apontou para face da mulher.
- Ca-ca-ca-s-ca-cas-case-se comigo!
- Renatinho! Que anel lindo!
(Samuel Gois Martins) 11/12/05
A jovem não esperava à hora de ver sua amiguinha. Desde aquela festa não para de pensar nela. Antes se sentia incomodada, envergonhada. Mas foi tão bom. Algo que homem nenhum realizou. Ela quer mais. Falta tão pouco, tão pouco. Chega logo elevador. Chega!
A velha reconhece o bonitão da ultima vez. A forma como sempre tateia os bolsos é uma graça. Fica imaginando aquelas mãos nervosas fazendo coisas indecorosas. Do jeito que ela adora. Ela adoraria mostrar sua coleção sadomasoquista. Ele aprenderia a amar aqueles seios caídos e branquelos. Nem que sangrasse para isso.
O elevador para no quinto e a garota parece da um suspiro de alegria contagiante que vem do fundo da alma.
- Que menina mal educada. Nem da boa tarde ao sair do elevador -, rosna a velha.
Ele não responde. Ele tateia novamente o bolso. “Está aqui. Aqui!”.
A velha não fica ressentida com a falta de resposta. Ela gosta deles caladinhos. Caladinhos sentindo dor.
O elevador chega ao oitavo, a velha da uma piscadela para ele e sai empinando sua bunda cheia de estrias. Ele engole seco e limpa o suor da testa. As portas do elevador se fecham. Rapidamente ele aperta no botão onze. Não é apenas suor que sai, ele começa a chorar, primeiro lagrimas escapando e depois berros que até a garotinha adorável que entrou no quinto andar escutaria se não estivesse gemendo tanto junto de sua amiguinha.
A porta abre. Apenas um apartamento por andar. Ele bate três vezes na porta, toc toc toc. Ninguém responde por aproximadamente quarenta segundos. Ele bate na porta mais duas vezes, toc toc.
- Já vai!
Ele põe a mão no bolso. Está lá. Graças a Deus!
- É você Renatinho. Como está? Por que essa cara inchada? Parece pior do que quando saiu daqui na ultima vez.
Ele aperta forte o objeto dentro de seu bolso, certo que estava lá de verdade. Ele nunca imaginou que pudesse fazer isso. Ela é tão jovem. Ele se sente um monstro. Mas não ponde controlar. Não pode segurar. Sacou rapidamente e apontou para face da mulher.
- Ca-ca-ca-s-ca-cas-case-se comigo!
- Renatinho! Que anel lindo!
(Samuel Gois Martins) 11/12/05
Tuesday, November 29, 2005
Água sanitária
pés feridos - cacos de vidro - vermelho - dor - lagrimas - água sanitária
corre até o banheiro - tenta entender o que esta acontecendo - grita - chora
água sanitária
sangue
grito
choro
corre até o telefone – 3 – 3 – 4 – 6 – não – 33478801 – alô? – socorro – por favor – socorro
dor
olhos fechados
lagrimas ardendo
ferida ardendo
água sanitária
(Samuel Gois Martins) 29/11/2005
corre até o banheiro - tenta entender o que esta acontecendo - grita - chora
água sanitária
sangue
grito
choro
corre até o telefone – 3 – 3 – 4 – 6 – não – 33478801 – alô? – socorro – por favor – socorro
dor
olhos fechados
lagrimas ardendo
ferida ardendo
água sanitária
(Samuel Gois Martins) 29/11/2005
Thursday, November 10, 2005
Porta-Treco
O porta-treco cai no chão. Todos direcionam sua atenção para ele. O som de um recém-nascido chorando propaga-se no fundo. Foi assim que eu nasci. Com todos olhando para o porta-treco.
Certa época, tive 5 anos, mas não tive nenhum amigo. No meu quarto o porta-treco guardava alguns brinquedos: o boneco sem capa do super-homem, peças perdidas de um quebra-cabeça, pinos e dados de um Banco Imobiliário inutilizado. O dinheiro de mentirinha eu escondia na cama, debaixo da colcha. Olhava para aquela fortuna e pensava “estou rico!”.
Aos 12 anos descobri a Playboy. Foi amor à primeira vista. Escondia minha única e preciosa no porta-treco. Engraçado, sempre o abria imaginando lembrar de alguma pista. Só não sei o quê.
No 16 o papel com suas imagens foi trocado por células. Garotas de verdade. Uma garota na verdade. Ela era linda. E fazia tudo que eu pedia. Do jeito que eu pedia. Guardava as camisinhas em um porta-treco velho que sempre esteve em meu quarto. De todas as cores e sabores possíveis. Nessa época tive muitos amigos. Um me apresentou o álcool. Outro o cigarro. Ela dizia que acido era bom, mas nunca tive saco pra tomar comprimidos.
Um dia, com 32 anos, recebi uma ligação incomum:
- Sua mãe faleceu.
Eu trabalhava vendendo carros. Tinha todos os amigos e mulheres que poderia comprar. Passei alguns minutos tentando entender aquelas 3 palavras.Sua. Mãe. Faleceu.Procurei no dicionário por algum sentido. Do outro lado estavam confusos perguntando por “Alô?” e “Você está bem?”.
- Morta?
- Isso. O velório será amanhã.
- Ok.
Com 32 anos, dois meses, 3 dias e 4 horas cheguei à velha casa após uma viagem noturna. Claro que lembrei de justificar minha falta no trabalho e cancelei um encontro com uma acompanhante de luxo. Também lembrei de tomar um longo banho gelado, fazer a barba e escovar bem os dentes. Lá estava eu na frente da velha casa. Meu pai me abraçou chorando, minha irmã, minha tia, minha avó.
- Do que ela morreu?
- Caiu da escada.
- Quero entrar.
- Seu quarto esta como você o havia deixado.
Meu lábios moveram grunhidos disfarçados de palavra. Só não sei o quê. Eu nunca sei de nada.
Subi a escada assassina a encarado cada degrau. Queria vencê-la, como uma vingança. Fique visualizando como deveria ter sido. Entre no corredor. A segunda porta a esquerda, semi-aberta. Ou semi-fechada. O porta-treco estava no móvel de sempre. Não encontrei minhas camisinhas. Lá estava o super-homem, as peças de quebra cabeças, os pinos e dados.
Pintos e dados de um Banco Imobiliário inutilizado.
Fui até a cama com agilidade, puxei o colchão com um único esforço. Caíram lagrimas.
- Estou rico.
(Samuel Góis Martins) 10/11/05
Certa época, tive 5 anos, mas não tive nenhum amigo. No meu quarto o porta-treco guardava alguns brinquedos: o boneco sem capa do super-homem, peças perdidas de um quebra-cabeça, pinos e dados de um Banco Imobiliário inutilizado. O dinheiro de mentirinha eu escondia na cama, debaixo da colcha. Olhava para aquela fortuna e pensava “estou rico!”.
Aos 12 anos descobri a Playboy. Foi amor à primeira vista. Escondia minha única e preciosa no porta-treco. Engraçado, sempre o abria imaginando lembrar de alguma pista. Só não sei o quê.
No 16 o papel com suas imagens foi trocado por células. Garotas de verdade. Uma garota na verdade. Ela era linda. E fazia tudo que eu pedia. Do jeito que eu pedia. Guardava as camisinhas em um porta-treco velho que sempre esteve em meu quarto. De todas as cores e sabores possíveis. Nessa época tive muitos amigos. Um me apresentou o álcool. Outro o cigarro. Ela dizia que acido era bom, mas nunca tive saco pra tomar comprimidos.
Um dia, com 32 anos, recebi uma ligação incomum:
- Sua mãe faleceu.
Eu trabalhava vendendo carros. Tinha todos os amigos e mulheres que poderia comprar. Passei alguns minutos tentando entender aquelas 3 palavras.Sua. Mãe. Faleceu.Procurei no dicionário por algum sentido. Do outro lado estavam confusos perguntando por “Alô?” e “Você está bem?”.
- Morta?
- Isso. O velório será amanhã.
- Ok.
Com 32 anos, dois meses, 3 dias e 4 horas cheguei à velha casa após uma viagem noturna. Claro que lembrei de justificar minha falta no trabalho e cancelei um encontro com uma acompanhante de luxo. Também lembrei de tomar um longo banho gelado, fazer a barba e escovar bem os dentes. Lá estava eu na frente da velha casa. Meu pai me abraçou chorando, minha irmã, minha tia, minha avó.
- Do que ela morreu?
- Caiu da escada.
- Quero entrar.
- Seu quarto esta como você o havia deixado.
Meu lábios moveram grunhidos disfarçados de palavra. Só não sei o quê. Eu nunca sei de nada.
Subi a escada assassina a encarado cada degrau. Queria vencê-la, como uma vingança. Fique visualizando como deveria ter sido. Entre no corredor. A segunda porta a esquerda, semi-aberta. Ou semi-fechada. O porta-treco estava no móvel de sempre. Não encontrei minhas camisinhas. Lá estava o super-homem, as peças de quebra cabeças, os pinos e dados.
Pintos e dados de um Banco Imobiliário inutilizado.
Fui até a cama com agilidade, puxei o colchão com um único esforço. Caíram lagrimas.
- Estou rico.
(Samuel Góis Martins) 10/11/05
Friday, November 04, 2005
Madeira norueguesa
- Pode sentar em qualquer lugar...
Um ou outro dia qualquer conheci alguém que me convidou para sentar. Mas em seu quarto não existiam cadeiras. Falou para sentar em qualquer lugar. Esse alguém era uma garota que eu tive. Melhor dizer que ela me teve.
Já falei que em seu quarto não havia cadeiras, então me sentei sobre o tapete. Eu ofereci minhas horas e minutos. Ela me ofereceu do seu vinho.
Era um belo quarto feito com madeira norueguesa.
- Hora de dormir...
Conversamos até as duas horas.
- Fui trabalhar cedo... Hehehe!
- Eu não. – e me arrastei até o banheiro. Para dormir dentro da banheira.
Quando acordei estava sozinho. O pássaro tinha voado. Acendi um cigarro, pensando como era boa a madeira norueguesa daquele quarto.
(Samuel Gois Martins) 4/11/2005
*versão romanceada da musica Norwegian Wood dos Beatles. Não sou fã deles, essa musica é o nome de um livro que me tocou profundamente. Então procurei pela letra. Acredito que ela tenha vários sentidos metafóricos que acarretam outros conceitos que escolhi não abordar. Não mais, acho que fico bonito.
Um ou outro dia qualquer conheci alguém que me convidou para sentar. Mas em seu quarto não existiam cadeiras. Falou para sentar em qualquer lugar. Esse alguém era uma garota que eu tive. Melhor dizer que ela me teve.
Já falei que em seu quarto não havia cadeiras, então me sentei sobre o tapete. Eu ofereci minhas horas e minutos. Ela me ofereceu do seu vinho.
Era um belo quarto feito com madeira norueguesa.
- Hora de dormir...
Conversamos até as duas horas.
- Fui trabalhar cedo... Hehehe!
- Eu não. – e me arrastei até o banheiro. Para dormir dentro da banheira.
Quando acordei estava sozinho. O pássaro tinha voado. Acendi um cigarro, pensando como era boa a madeira norueguesa daquele quarto.
(Samuel Gois Martins) 4/11/2005
*versão romanceada da musica Norwegian Wood dos Beatles. Não sou fã deles, essa musica é o nome de um livro que me tocou profundamente. Então procurei pela letra. Acredito que ela tenha vários sentidos metafóricos que acarretam outros conceitos que escolhi não abordar. Não mais, acho que fico bonito.
Thursday, November 03, 2005
O código da vinci e as tartarugas ninjas
O garoto Maroto percorre correndo uma longa estrada sem fim que vai sem vírgula alguma em direção a sua casa onde existe uma casa de cachorro mágica que leva ao mundo encantado dos cachorros voadores.
Sua mãe varre o chão, calmamente, delicadamente, com um sorriso gentil, meigo, bonito. Lento. Va-ga-ro-as-men-te. Antes que pudesse mover mais uma vez a vassoura tomou posição para deter seu filho de qualquer proeza espalhafatosa. Seria isso possível?
- Parado... Ai... Mocinho...
Tarde demais. Ela pensou na ultima vez que ele fez aquilo. Cachorros voadores sujam demais!
Em outro ligar na falta de imaginação do autor tem um sujeitinho esquisito reproduzindo as obras artísticas de Leonardo da Vinci. Nada haver com o livro código da Vinci. Nem com as tartarugas ninjas. Ele escutou alguma coisa caindo sobre suas tintas e telas, destruindo tudo. Sujando tudo.
- Mas que porra?!
E olhem, era o garoto maroto todo azul, amarelo, vermelho e solvente.
- Não era para eu estar no mundo encantado dos cachorros voadores?
- O autor mudou idéia antes de você chegar lá. Deve ta jogando um monte de besteiras pra no mínimo se sentir original.
- Que babaca.
- Concordo.
E de repente uma estrada de tijolos amarelos.
- Desde quando isso ta por aqui? – assustou-se o pintor esquisito davinciano.
- Esses tijolos são ouro?
- Será que alguém reclamaria se pegássemos para nós?
- Olha, se isso ta virando referencia de O Mágico de OZ, deixa eu ver se cai encima de alguém...
E lá um par de pernas com sapatos homossexuais esquisitos debaixo da tralha de telas e tintas onde o garoto Maroto havia caído.
- Escritor de merda...
- Pega os sapatos. São mágicos!
- Já peguei. “Não há lugar como o nosso lar”, em?
- É o que dizem.
E viveram felizes para sempre com um castelo feito de tijolos de ouro roubados da estrada e sapatos mágicos cobiçados. Claro, isso até a mãe do garoto Maroto chegar por lá e puxa-lo pela orelha para fazer o dever de casa. O pintor esquisito decidiu escrever livros do tipo “alguma coisa o código da vinci”.
(Samuel Gois Martins) 3/11/2005
Sua mãe varre o chão, calmamente, delicadamente, com um sorriso gentil, meigo, bonito. Lento. Va-ga-ro-as-men-te. Antes que pudesse mover mais uma vez a vassoura tomou posição para deter seu filho de qualquer proeza espalhafatosa. Seria isso possível?
- Parado... Ai... Mocinho...
Tarde demais. Ela pensou na ultima vez que ele fez aquilo. Cachorros voadores sujam demais!
Em outro ligar na falta de imaginação do autor tem um sujeitinho esquisito reproduzindo as obras artísticas de Leonardo da Vinci. Nada haver com o livro código da Vinci. Nem com as tartarugas ninjas. Ele escutou alguma coisa caindo sobre suas tintas e telas, destruindo tudo. Sujando tudo.
- Mas que porra?!
E olhem, era o garoto maroto todo azul, amarelo, vermelho e solvente.
- Não era para eu estar no mundo encantado dos cachorros voadores?
- O autor mudou idéia antes de você chegar lá. Deve ta jogando um monte de besteiras pra no mínimo se sentir original.
- Que babaca.
- Concordo.
E de repente uma estrada de tijolos amarelos.
- Desde quando isso ta por aqui? – assustou-se o pintor esquisito davinciano.
- Esses tijolos são ouro?
- Será que alguém reclamaria se pegássemos para nós?
- Olha, se isso ta virando referencia de O Mágico de OZ, deixa eu ver se cai encima de alguém...
E lá um par de pernas com sapatos homossexuais esquisitos debaixo da tralha de telas e tintas onde o garoto Maroto havia caído.
- Escritor de merda...
- Pega os sapatos. São mágicos!
- Já peguei. “Não há lugar como o nosso lar”, em?
- É o que dizem.
E viveram felizes para sempre com um castelo feito de tijolos de ouro roubados da estrada e sapatos mágicos cobiçados. Claro, isso até a mãe do garoto Maroto chegar por lá e puxa-lo pela orelha para fazer o dever de casa. O pintor esquisito decidiu escrever livros do tipo “alguma coisa o código da vinci”.
(Samuel Gois Martins) 3/11/2005
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